Conor McGregor finalmente está de volta ao octógono no UFC 329. Cinco anos depois de sua última luta, o irlandês tenta provar que ainda pode competir entre os melhores do mundo e escrever mais um capítulo marcante de uma das carreiras mais impactantes da história do MMA. Mas, antes de pensar no duelo contra Max Holloway, vale lembrar como terminou sua última aparição no Ultimate.
Muita gente guarda apenas a imagem de McGregor deixando o octógono com a perna quebrada após perder para Dustin Poirier, em 2021. Só que aquela noite foi muito mais do que uma lesão grave. Ela representou o fim de uma era, reuniu um dos ambientes mais intensos que Las Vegas já viveu no pós-pandemia e encerrou uma rivalidade que havia extrapolado completamente os limites do esporte.
Hoje, olhando para trás, fica claro que o UFC 264 foi um evento tão caótico quanto simbólico. Não apenas para McGregor, mas para o próprio UFC.
Um retorno da vida normal que parecia uma explosão
O cenário daquele julho de 2021 ajudava a explicar a atmosfera.
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Depois de mais de um ano de restrições provocadas pela pandemia da Covid-19, os Estados Unidos começavam a retomar a rotina. As vacinas já estavam disponíveis, grandes eventos voltavam a receber público e Las Vegas respirava um clima quase de comemoração coletiva.
A cidade, que nunca foi exatamente conhecida pela tranquilidade, parecia ainda mais elétrica.
Cassinos lotados, hotéis completamente ocupados e milhares de turistas transformavam a Strip em um verdadeiro carnaval permanente.
Naquele fim de semana, além do UFC 264, Las Vegas ainda recebia apresentações de Garth Brooks, Justin Bieber e um show conjunto de Dave Chappelle e Joe Rogan.
Era praticamente uma reabertura oficial da capital mundial do entretenimento.
McGregor ainda era um fenômeno absoluto
Mesmo sem viver o auge de popularidade alcançado durante a superluta contra Floyd Mayweather, em 2017, Conor McGregor seguia sendo um fenômeno.
Seu nome ultrapassava o universo do MMA.
Mesmo quem nunca assistiu a uma luta provavelmente conhecia sua famosa caminhada até o octógono ou já havia visto algum vídeo de suas coletivas recheadas de provocações.
A semana da luta refletia exatamente isso.
A expectativa era enorme, e boa parte do público estava ali especificamente para acompanhar mais um capítulo da rivalidade contra Dustin Poirier.
A rivalidade mudou completamente de tom
Curiosamente, poucos meses antes, o clima entre os dois era completamente diferente.
Quando se enfrentaram pela segunda vez, em Abu Dhabi, McGregor e Poirier trocaram elogios.
O irlandês prometeu doar US$ 500 mil para a fundação beneficente criada pelo americano. Poirier respondeu destacando a importância de McGregor para o crescimento do esporte e elogiando sua postura.
Tudo parecia bastante respeitoso. Até que Poirier venceu por nocaute. Pouco tempo depois, revelou publicamente que a prometida doação nunca havia sido realizada.
Foi o estopim para transformar a rivalidade em algo muito mais pessoal.
Coletiva virou espetáculo de provocações
Durante a semana do UFC 264, McGregor voltou ao personagem que o consagrou.
Na coletiva de imprensa, pegou os frascos do molho de pimenta produzido por Poirier e os arremessou no chão diante de todos.
Chamou o rival de “caipira” e elevou rapidamente o tom das provocações.
Poirier respondeu lembrando o nocaute conquistado meses antes. Segundo ele, havia colocado McGregor “no modo avião” diante do mundo inteiro. A temperatura da rivalidade aumentava na mesma velocidade do calor típico do verão em Las Vegas.
A luta terminou da forma mais inesperada possível
Quando a luta finalmente começou, o clima dentro da T-Mobile Arena era de pura explosão.
O UFC ainda dava seus primeiros passos no retorno aos grandes públicos após a pandemia A energia da torcida era completamente diferente. Cada entrada de lutador parecia uma celebração coletiva.
O card também era bastante forte. Entre as lutas preliminares estavam nomes que mais tarde conquistariam cinturões, como Ilia Topuria e Dricus du Plessis.
Tai Tuivasa ainda protagonizou um dos nocautes mais lembrados da noite ao superar Greg Hardy. Tudo caminhava para uma grande luta principal. Mas o roteiro mudou completamente.
O primeiro round foi bastante equilibrado, embora Poirier parecesse levar vantagem na maior parte das ações.
No fim do round, McGregor tentou voltar para seu corner. Não conseguiu. Num primeiro momento, poucos entenderam exatamente o que havia acontecido. Então veio o replay.
As imagens mostraram o tornozelo do irlandês dobrando de forma assustadora após um movimento durante a luta.
O silêncio tomou conta da arena. Até McGregor parecia não acreditar no que via enquanto assistia ao lance pelo telão, sentado e encostado na grade do octógono.
Uma imagem que mudou sua carreira
A expressão de McGregor naquela noite talvez tenha sido uma das mais marcantes de toda sua trajetória.
Acostumado a provocar até mesmo nas derrotas, o irlandês demonstrava algo raro. Choque. Dor. Raiva. Frustração. Tudo ao mesmo tempo. Pouco depois, deixou a arena sendo levado de maca.
Naquele instante, ninguém imaginava que seriam necessários cinco anos até seu retorno oficial ao octógono.
Dustin Poirier resumiu o sentimento da noite
Após a luta, Dustin Poirier fez uma reflexão interessante.
Segundo ele, toda a semana envolvendo McGregor havia sido extremamente desgastante.
O americano afirmou que gosta de lutar, mas que todo o restante, provocações, entrevistas e enorme exposição, já não lhe trazia prazer.
Era uma frase que resumia perfeitamente o tamanho do espetáculo criado em torno de McGregor. Porque, gostando ou não dele, praticamente tudo muda quando o irlandês está em ação.
As coletivas ganham mais audiência. Os ingressos desaparecem mais rápido. As redes sociais explodem. E a expectativa em torno da luta atinge outro nível.
O UFC 329 pode abrir uma nova fase
Cinco anos depois daquela despedida traumática, McGregor tenta transformar o UFC 329 em um novo ponto de partida.
Do outro lado estará Max Holloway, um dos lutadores mais respeitados da organização e favorito para o confronto.
A missão do irlandês não será apenas vencer. Será provar que ainda consegue competir em alto nível depois de uma lesão gravíssima, de um longo período de inatividade e de inúmeras polêmicas acumuladas fora do esporte.
Independentemente do resultado, aquela noite de julho de 2021 continuará ocupando um espaço importante na história do UFC. Ela marcou o fim da primeira fase da carreira de Conor McGregor, encerrou uma rivalidade histórica com Dustin Poirier de maneira brutal e deixou uma sensação estranha de que um dos maiores personagens do MMA havia saído de cena antes mesmo de escrever um verdadeiro capítulo final.
Agora, no UFC 329, McGregor finalmente terá a oportunidade de mostrar se aquele desfecho foi apenas uma pausa dramática ou, de fato, o último grande ato de um dos lutadores mais influentes que o esporte já conheceu.
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