Antes mesmo da bola rolar para o mata-mata, a Copa do Mundo de 2026 já promete uma verdadeira maratona para os fãs de futebol. Com o novo formato de 48 seleções, serão disputados 72 jogos apenas na fase de grupos, um número que torna praticamente impossível acompanhar tudo sem transformar o Mundial em um emprego de tempo integral.
Se em edições anteriores já existiam partidas que passavam despercebidas no meio de uma agenda lotada, agora a situação ficou ainda mais extrema. São três países-sede, 12 grupos e dezenas de confrontos espalhados por diferentes horários. Para quem pretende sobreviver à primeira fase sem passar o mês inteiro em frente à televisão, alguns jogos aparecem como paradas obrigatórias.
Entre estreias históricas, reencontros marcantes e confrontos entre candidatos ao título, a fase de grupos já reserva atrações suficientes para fazer qualquer torcedor esquecer que o mata-mata ainda está distante.
Brasil, Argentina e os gigantes que prometem agitar a primeira fase
Se existe um confronto que chama atenção logo nos primeiros dias de competição, é Brasil x Marrocos. A Seleção chega ao Mundial cercada por expectativas após a chegada de Carlo Ancelotti e com um elenco recheado de talento ofensivo. O treinador italiano indicou durante a preparação uma postura mais agressiva, algo que pode transformar os jogos brasileiros em espetáculos para quem gosta de futebol ofensivo.
Do outro lado estará um Marrocos que deixou de ser apenas uma surpresa. Depois da campanha histórica que levou os africanos às semifinais da Copa do Mundo de 2022, a equipe passou a ser tratada como uma seleção capaz de competir de igual para igual com qualquer adversário. O resultado é um duelo que tem tudo para ser um dos melhores da fase de grupos.
A Argentina também aparece em um dos confrontos mais curiosos da primeira fase. O duelo contra a Jordânia pode parecer desequilibrado no papel, mas a própria história recente dos argentinos serve como alerta. Afinal, poucos imaginavam que a Arábia Saudita derrotaria os então futuros campeões mundiais em 2022.
Embora os argentinos sejam amplos favoritos, a pressão de defender o título costuma criar cenários imprevisíveis. Não por acaso, quatro dos últimos seis campeões mundiais sequer conseguiram passar da fase de grupos na edição seguinte do torneio.
Outro gigante que desperta atenção é a Espanha. Atual campeã da Eurocopa e apontada por muitos analistas como principal favorita ao título, a equipe estreia contra Cabo Verde. A diferença técnica entre as seleções é enorme e existe a possibilidade de vermos uma das maiores goleadas da competição logo nas primeiras rodadas.
Já a França terá pela frente um adversário que guarda um capítulo especial na história das Copas. Senegal foi responsável por uma das maiores zebras já registradas no torneio ao derrotar os franceses na abertura da Copa de 2002. Mais de duas décadas depois, o reencontro adiciona uma camada extra de emoção a uma partida que já seria interessante apenas pela qualidade dos elencos.
As histórias que podem transformar a Copa de 2026 em uma edição inesquecível
Nem só de favoritos vive uma Copa do Mundo. Boa parte da magia do torneio está justamente nas seleções que chegam sem grande expectativa, mas carregam histórias capazes de conquistar torcedores ao redor do planeta.
É o caso de Curaçao. O pequeno país caribenho fará sua estreia em Copas e já entra para a história como a menor nação a disputar o torneio. O confronto contra o Equador pode não ser o mais estrelado da primeira fase, mas representa exatamente o tipo de jogo que costuma gerar narrativas inesquecíveis.
A Escócia também retorna ao Mundial após uma longa ausência. A última participação dos escoceses aconteceu em 1998, justamente quando enfrentaram o Brasil na abertura daquela Copa. Agora, quase três décadas depois, os caminhos das duas seleções voltam a se cruzar.
Os escoceses nunca conseguiram avançar da fase de grupos em grandes competições internacionais. Por isso, cada partida terá clima de decisão para uma torcida que promete invadir os estádios da América do Norte.
Outro retorno aguardado é o do Iraque. A seleção disputará apenas sua segunda Copa do Mundo, encerrando uma espera que dura desde 1986. A estreia contra a Noruega ganha ainda mais importância pelo crescimento dos europeus nos últimos anos.
Com nomes como Erling Haaland, Martin Ødegaard, Alexander Sørloth e Jørgen Strand Larsen, os noruegueses chegam apontados como uma das possíveis surpresas positivas do torneio. Depois de anos sem participar de grandes competições, a geração atual finalmente terá a oportunidade de mostrar seu potencial em um palco global.
Há também confrontos que talvez não atraiam os holofotes imediatamente, mas podem ser decisivos na luta pela classificação. República Democrática do Congo x Uzbequistão é um exemplo claro disso. Em um grupo que conta com Portugal e Colômbia como favoritos, o duelo direto pode definir qual seleção seguirá sonhando com uma vaga entre os melhores terceiros colocados.
A verdade é que o novo formato da Copa do Mundo aumentou significativamente a quantidade de jogos, mas também ampliou o número de histórias espalhadas pelo torneio. Entre favoritos pressionados, estreantes sonhando alto e seleções tradicionais tentando recuperar seu espaço, a fase de grupos de 2026 promete oferecer muito mais do que apenas uma longa lista de partidas.
Para quem não tem disposição para acompanhar os 72 jogos, a boa notícia é que alguns confrontos já aparecem como compromissos obrigatórios. E, conhecendo a história das Copas do Mundo, é justamente nesses jogos que as memórias mais marcantes costumam nascer.
Foto: Rafael Ribeiro/CBF

