A Copa do Mundo de 2026 é a edição com o maior número de trocas de comando técnico da história da competição. Entre 13 demissões ou abandonos de trabalhos, superou o recorde anterior que pertencia ao torneio de 2018, em que teve dez trocas.
Ao todo, 27% dos treinadores das 48 seleções foram demitidos. O primeiro anúncio de demissão aconteceu ainda na primeira rodada, após a goleada sofrida pela Tunísia sobre a Suécia por 5 a 1. Já o último caso ocorreu nesta semana. Confira as seleções que perderam seus treinadores:
Tunísia
Nomeado no dia 14 de janeiro depois da derrota da Tunísia para o Mali na Copa Africana de Nações, Sabri Lamouchi seria o comandante da Tunísia por toda a Copa do Mundo. Entretanto, a goleada sofrida por 5 a 1 para a Suécia causou a demissão, em um anúncio feito nas redes sociais da Federação Tunisiana de Futebol. “A Federação Tunisiana de Futebol anuncia o término do contrato com o técnico Sabri Lamouchi por mútuo acordo e deseja-lhe muito sucesso em seus futuros projetos profissionais.
Ele foi substituído no dia 16 de junho, porém, renunciou apenas 18 dias depois, quando não conseguiu melhorar o rendimento da seleção africana na competição, sendo eliminada na primeira fase com recorde de gols sofridos na fase de grupos da Copa do Mundo (12). Em uma publicação no Instagram, agradeceu o convite para treinar a Tunísia. “Foi uma honra vestir as cores da Tunísia e viver essa experiência inesquecível.”
Portugal

Roberto Martínez foi anunciado como técnico de Portugal em 2023, após oito anos de um trabalho bem-sucedido de Fernando Santos. No entanto, Martínez não conseguiu montar um estilo de jogo adequado à qualidade dos atletas e foi demitido após a eliminação para a Espanha nas oitavas de final da Copa do Mundo. “Vim com o objetivo de ganhar a Copa do Mundo e, como não a ganhei, não faria sentido continuar”, declarou o treinador.
Coréia do Sul
Em julho de 2024, Hong Myung-bo retornou ao comando da Coreia do Sul e conseguiu levar a seleção asiática para a Copa do Mundo. Todavia, a eliminação precoce na fase de grupos gerou duras críticas ao treinador, que renunciou ao cargo. A repercussão foi tamanha que o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, falou duras palavras sobre Hong. “Se uma pessoa incapaz for nomeada como líder, o resultado é tão previsível quanto um incêndio.”
República Tcheca
Contratado em 19 de dezembro de 2025, Miroslav Koubek comandou a República Tcheca para a primeira Copa do Mundo desde a edição de 2006. Na competição, ele não conseguiu classificar a seleção para o mata-mata, ficando na lanterna do grupo A. Por conta disso, pediu demissão no dia 29 de junho por mútuo acordo e comentou sobre mentiras criadas a respeito do seu trabalho.
Escócia
Nomeado em maio de 2019, Steve Clarke se tornou o primeiro técnico da seleção masculina da Escócia a levar o time a três grandes torneios internacionais. Mesmo com este feito, ele renunciou ao cargo depois da eliminação precoce na fase de grupos. Além do desempenho dentro de campo, comentários polêmicos sobre o país contribuíram para a demissão.
Uruguai
Anunciado como técnico em maio de 2023, o argentino Marcelo Bielsa foi contratado para iniciar um novo ciclo no Uruguai, eliminado precocemente na edição de 2022. Logo no início, causou ao convocar 14 jogadores sem experiência internacional, substituindo ídolos como Luis Suárez e Cavani. Ele pediu demissão depois de mais uma eliminação na fase de grupos, em uma participação que também gerou polêmica pelo relacionamento conturbado com os jogadores.
Croácia
Zlatko Dalic foi contratado em 7 de outubro de 2017 e foi responsável por consolidar a Croácia como uma das grandes seleções do mundo nos últimos anos, conquistando o vice-campeonato na Copa do Mundo de 2018 e o terceiro lugar na edição de 2022. Ele se tornou o técnico com mais tempo no cargo da lista e, ao contrário dos nomes citados nesta lista, deixou o comando depois do término do contrato, motivado também pela eliminação para Portugal na fase de 16 avos de final.
Gana
Contratado em 13 de abril de 2026 para substituir Otto Addo, Carlos Queiroz foi demitido após uma sequência ruim de jogos, especialmente a goleada sofrida por 5 a 1 em um amistoso contra a Áustria. Quando Gana foi eliminado pela Colômbia na Copa do Mundo, ele renunciou ao cargo. Em um depoimento publicado nas redes sociais, ele afirma que saiu com orgulho pela trajetória construída.
Alemanha
Foi nomeado em 22 de setembro de 2023 no lugar de Hansi Flick. Julian Nagelsmann deixou o comando depois da surpreendente eliminação para o Paraguai nos pênaltis nas oitavas de final da Copa do Mundo. Mesmo assim, o ex-jogador e atual diretor esportivo da Federação Alemã de Futebol afirmou que Nagelsmann é um excelente treinador e que terá um caminho de sucesso.
México
A terceira passagem de Javier Aguirre pela seleção mexicana começou em julho de 2024 e terminou com a derrota por 3 a 2 para a Inglaterra no confronto das oitavas de final, em que viralizou uma troca de farpas dele com Anthony Gordon. Vencedor da Copa Ouro e da Liga das Nações de 2025, Aguirre passou por momentos de altos e baixos pelo México. Em uma declaração, disse que se arrepende da derrota sofrida pelo Dream Team.
Holanda

Ronald Koeman iniciou a segunda passagem no comando da Holanda em 2023, depois da aposentadoria de Louis van Gaal. Após a derrota nos pênaltis para o Marrocos na fase de 32 avos de final, ele pediu demissão, após ser criticado por sua abordagem cautelosa. Mesmo assim, declarou que tem orgulho pelo período no comando da seleção holandesa.
Equador
Sebastián Beccacece foi contratado em agosto de 2024 no lugar de Félix Sánchez. Ele foi responsável pela classificação improvável na fase de grupos do Equador, ao derrotar a Alemanha por 2 a 1, em um jogo que resultou em um feriado nacional. Todavia, o revés sofrido por 2 a 0 para o México na fase 16avos de final da Copa do Mundo levou à renúncia.
Créditos da foto da capa: Ulises Ruiz/AFP