James Rodríguez - Copa do Mundo
Futebol Copa do Mundo

Copa do Mundo já impulsionou contratações históricas do Real Madrid; confira

A Copa do Mundo sempre mexeu diretamente com o mercado da bola. Em muitos casos, bastam algumas grandes atuações no torneio para um jogador ganhar outra dimensão no futebol europeu, chamando atenção de clubes que estão sempre atrás de nomes capazes de decidir em alto nível.

O Real Madrid, naturalmente, faz parte dessa história. Ao longo das décadas, o clube espanhol olhou para o Mundial como uma grande vitrine. Alguns jogadores chegaram ao Santiago Bernabéu depois de brilharem pela seleção e conseguiram marcar época. Outros, mesmo chegando com moral, acabaram não justificando a aposta.

Neste cenário, a lista de contratações do Real Madrid após Copas do Mundo mostra como o torneio pode influenciar decisões importantes. No entanto, também deixa claro que uma boa campanha de poucas semanas nem sempre é suficiente para garantir sucesso em um clube do tamanho dos merengues.

Grandes acertos do Real Madrid após Copas do Mundo

Ronaldo - Real Madrid
Créditos da foto: Getty Images

Entre os nomes que realmente deram resposta dentro de campo, Ronaldo Nazário aparece como um dos casos mais marcantes. Depois de liderar o Brasil ao título da Copa do Mundo de 2002, na Coreia do Sul e no Japão, o Fenômeno chegou ao Real Madrid como um dos grandes símbolos da era dos Galácticos.

Artilheiro daquele Mundial, com oito gols, Ronaldo desembarcou na Espanha carregando enorme expectativa. E, mesmo com problemas físicos ao longo da passagem, conseguiu entregar números importantes. O brasileiro marcou 104 gols em 177 jogos pelo clube e conquistou duas edições de La Liga.

Outro caso de sucesso foi Fabio Cannavaro. Capitão da Itália campeã mundial em 2006, o zagueiro aproveitou o rebaixamento da Juventus no escândalo Calciopoli para se transferir ao Real Madrid. Mesmo já veterano, o atleta chegou por um valor baixo para os padrões do clube e ajudou a equipe a recuperar competitividade, vencendo duas vezes o Campeonato Espanhol.

Em 2010, o Mundial da África do Sul também abriu caminho para duas contratações importantes. Mesut Özil foi um dos grandes destaques de uma seleção alemã jovem e muito interessante. O meia chegou ao Real Madrid após chamar atenção pela criatividade e rapidamente virou uma peça muito útil no elenco. Durante três temporadas, o alemão foi um dos principais garçons da equipe e participou da campanha histórica do título espanhol de 2011/12.

Sami Khedira, seu companheiro de seleção, também chegou ao clube depois daquela Copa do Mundo. Embora tivesse menos brilho que Özil, o meio-campista conseguiu construir uma trajetória sólida no Santiago Bernabéu. Sua passagem ainda contou com a conquista da Champions League de 2013/14, um dos momentos mais importantes da história recente do clube.

Mais recentemente, Thibaut Courtois se tornou outro grande exemplo de acerto. O goleiro belga já era conhecido pelo que havia feito no Atlético de Madrid e no Chelsea, mas a Copa do Mundo de 2018 reforçou ainda mais sua imagem. Após receber a Luva de Ouro no torneio, chegou ao Real Madrid e virou um dos maiores goleiros da história do clube. O ponto mais alto veio na final da Champions League de 2022, quando foi eleito o melhor em campo.

Nem toda aposta pós-Copa do Mundo funcionou no Bernabéu

James Rodríguez - Real Madrid
Créditos da foto: Getty Images.

Se alguns nomes que brilharam na Copa do Mundo confirmaram o investimento, outros mostram o lado mais arriscado desse tipo de contratação. Didi, por exemplo, chegou ao Real Madrid após ser eleito o melhor jogador da Copa de 1958, vencida pelo Brasil. No entanto, sua passagem durou apenas uma temporada, marcada por problemas de convivência com Alfredo Di Stéfano.

Paul Breitner teve um destino melhor. Contratado após a Copa do Mundo de 1974, quando foi campeão com a Alemanha Ocidental, o lateral-esquerdo conseguiu vencer duas edições de La Liga em três anos. Ainda assim, sua trajetória não teve o mesmo peso histórico de outros grandes estrangeiros que passaram pelo clube.

Gheorghe Hagi também desembarcou em Madri após boas atuações na Copa de 1990. Mesmo já sendo um jogador de destaque, o romeno não conseguiu repetir no Real Madrid o mesmo impacto que tinha pela seleção da Romênia e pelo Steaua Bucareste. Depois de duas temporadas, o atleta deixou o clube e, mais tarde, ainda vestiu a camisa do Barcelona.

Predrag Spasić, que também chamou atenção em 1990 pela Iugoslávia, teve uma passagem bem mais complicada. O zagueiro chegou em um período no qual os clubes tinham limite de estrangeiros, o que aumentava ainda mais a pressão sobre esse tipo de contratação. No fim, Spasić não se firmou e acabou lembrado principalmente por um gol contra em clássico diante do Barcelona.

Destaque da Croácia semifinalista em 1998, Robert Jarni é outro exemplo curioso. O ala foi primeiro negociado com o Coventry City, mas acabou indo ao Real Madrid sem sequer atuar pelo clube inglês. Depois de toda a movimentação, o jogador ficou apenas uma temporada no Bernabéu antes de seguir para o Las Palmas.

Falando sobre o caso mais recente de uma contratação que gerou enorme expectativa, mas não terminou como muitos imaginavam, surge James Rodríguez. Artilheiro da Copa do Mundo de 2014 com seis gols, o colombiano chegou ao Real Madrid em alta e com status de estrela. O meio-campista teve bons momentos e mostrou qualidade, mas nunca conseguiu se consolidar como protagonista em um elenco cheio de grandes nomes.

No fim das contas, a história mostra que a Copa do Mundo pode ajudar o Real Madrid a encontrar talentos, mas não oferece garantia nenhuma. O torneio é uma vitrine poderosa, capaz de valorizar jogadores em poucos jogos. Porém, vestir a camisa merengue exige regularidade e adaptação a uma pressão muito diferente.

Por isso, cada contratação feita depois de uma Copa do Mundo carrega sempre a mesma dúvida: o jogador realmente está pronto para o Real Madrid ou viveu apenas o melhor mês da carreira?

Créditos da foto de capa: Getty Images.