A estreia da Copa do Mundo de Clubes 2025 serviu como lembrete de uma máxima cada vez mais atual no futebol moderno: a força da camisa e a tradição já não garantem vitórias. Benfica, Inter de Milão e Real Madrid, três potências do futebol europeu, saíram de campo apenas com empates na primeira rodada, em partidas contra adversários que, em teoria, seriam superáveis.
Mas o problema não foi o empate em si. Foi a forma como ele veio: desorganização tática, apagões mentais, decisões questionáveis de comando e, acima de tudo, atuações sem intensidade. Quando clubes desse porte não impõem seu jogo — especialmente em estreias —, a tendência é ver o peso da própria responsabilidade se voltar contra eles, e num torneio de tiro-curto como a Copa do Mundo de Clubes, qualquer deslize pode ser fatal.
Benfica: uma reação forçada por desespero
O empate por 2 a 2 com o Boca Juniors, depois de estar perdendo por 2 a 0, foi menos mérito da proposta benfiquista e mais reflexo do caos instaurado no jogo. A atuação defensiva no primeiro tempo foi quase amadora: desatenta, lenta e exposta em bolas aéreas — justamente contra um adversário que vive disso.
O time português reagiu? Sim, mas na base do empurrão emocional. Não houve superioridade técnica clara, nem domínio posicional. O pênalti convertido por Di María veio mais da pressão sobre a arbitragem do que de construção ofensiva. O gol de Otamendi, de cabeça, representa bem o tipo de jogada que salvou o Benfica: bola parada e talento individual.
Falta organização. Falta ambição. E, acima de tudo, falta uma ideia de jogo minimamente sólida. Se o técnico não ajustar a postura da equipe nos primeiros 20 minutos — nos quais o time simplesmente não entrou em campo —, o Benfica pode repetir o roteiro em partidas mais decisivas. Na Copa do Mundo de Clubes, esse tipo de vacilo se paga caro.
Inter de Milão: o vício da previsibilidade
A Inter foi vítima de sua própria soberba tática. O empate em 1 a 1 com o Monterrey escancarou um vício que o clube carrega desde a temporada europeia: a ilusão de que manter posse significa controle. Mesmo com a saída de Simone Inzaghi, para o Al-Hilal (também presente na Copa do Mundo de Clubes), o problema seguiu, afinal, Chivu assumiu o time faz dias. Contra um adversário combativo, organizado e com veteranos experientes, a Inter tocou de lado, girou a bola sem objetividade e confiou demais em cruzamentos inofensivos.
O gol sofrido, mais uma vez, veio em bola parada mal defendida. E isso já é um padrão. A Inter parece viver um trauma pós-final de Champions — a goleada sofrida para o PSG — e ainda não encontrou sua voz sob novo comando técnico.
Lautaro até empatou com oportunismo, mas foi engolido no segundo tempo. A Inter finalizou mal, se expôs atrás e escapou da derrota apenas pela falta de eficiência do adversário no contra-ataque. Uma atuação sem alma.
É simbólico ver um elenco tão rico, com jogadores de elite, sendo sufocado por um clube mexicano nos minutos finais. A Copa do Mundo de Clubes exige algo a mais do que posse e camisa pesada. Exige identidade — e a Inter ainda parece em busca da sua.
Real Madrid: domínio vazio e pênalti desperdiçado
O empate do Real Madrid com o Al-Hilal por 1 a 1 talvez seja o mais simbólico dessa rodada. Um time com a posse de bola, as chances e a camisa, mas sem profundidade, criatividade ou contundência. O Real controlou o jogo, sim. Mas quando precisou acelerar, não tinha engrenagem.
A proposta de Xabi Alonso — ainda embrionária após apenas 4 treinos — mostra boas intenções, mas, neste momento, parece mais uma abstração do que uma estrutura funcional. O time sofre na transição defensiva, marca mal entrelinhas e depende demais de lampejos individuais. A mudança do “modelo Ancelotti” para o “modelo Alonso” é abismal, e pode demorar para os merengues se adaptarem.
E mesmo quando o plano parecia funcionar — como no contra-ataque bem executado do gol de Gonzalo García —, faltou consistência. Ceder o empate logo depois em um pênalti desnecessário demonstra o quão frágil ainda é o comportamento coletivo do Real.
O erro de Valverde no pênalti final fecha com chave de ferro o retrato dessa estreia: um time que teve a chance de mostrar força, mas que escolheu o caminho da burocracia. Não foi derrotado no placar, mas saiu menor do que entrou.
Camisa não ganha jogo: o aviso da 1ª rodada
A Copa do Mundo de Clubes 2025 estreou com lições duras para os gigantes. O recado está claro: quem não competir desde o primeiro minuto, quem não tratar cada jogo como mata-mata, pode cair antes mesmo de pensar em levantar taça.
Benfica, Inter e Real Madrid ainda têm tempo. Mas agora, além do futebol, precisarão lidar com a pressão, a dúvida e a desconfiança. Porque na Copa do Mundo de Clubes, tropeçar na largada pode não significar o fim — mas exige uma resposta imediata. E convincente.
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