Copa do Mundo - Cristiano Ronaldo
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Copa do Mundo: prêmio de melhor em campo vira alvo de críticas

Na Copa do Mundo de 2026, a consagração máxima de um atleta em uma partida deveria ser o prêmio de MVP, um prêmio entregue ao final dos 90 minutos para celebrar o melhor desempenho do confronto. Porém, o que se desenhou nos gramados da América do Norte foi um cenário de forte questionamento. O prêmio, em vez de gerar orgulho e unânime reconhecimento, passou a deixar um gosto amargo e virou alvo de críticas por parte de analistas e torcedores, que apontam um descolamento entre o que acontece nas quatro linhas e o resultado das premiações oficiais.

A principal controvérsia está no fato de que os troféus de melhor em campo parecem estar sendo concedidos com base no tamanho da base de fãs e no engajamento digital dos jogadores, deixando de lado atletas que tiveram atuações taticamente perfeitas, mas que não possuem o mesmo apelo comercial. Os casos de injustiça estatística começaram a se acumular, expondo uma dinâmica que recompensa a fama em detrimento do jogo.

A injustiça nos gramados da Copa do Mundo

O estopim da revolta ocorreu de forma consecutiva em duas partidas cruciais de mata-mata, que foram a disputa  entre Espanha e Áustria e o duelo entre Portugal e Croácia. No primeiro confronto, válido pela fase de 16 avos de final no Estádio SoFi, a Espanha garantiu sua classificação graças a uma atuação letal de Mikel Oyarzabal, autor de dois gols decisivos, e ao apoio do lateral Cucurella, que contribuiu com duas assistências cirúrgicas. Apesar disso, o troféu de MVP foi entregue ao jovem Lamine Yamal, que fez uma boa atuação, mas estatisticamente menos impactante para o placar final do que as de seus companheiros.

Cenário semelhante e ainda mais gritante se repetiu no jogo de Portugal. O goleiro Diogo Costa operou milagres durante a partida sob as traves portuguesas, acumulando cinco defesas de altíssima dificuldade e registrando uma métrica de 0,5 gol evitado, salvando a seleção em momentos de apagão defensivo total. Porém, ao apito final, os holofotes e o prêmio de melhor da partida foram direcionados a Cristiano Ronaldo, que teve uma participação discreta no volume tático da equipe.

Esse fenômeno não ficou restrito ao mata-mata, visto que na fase de grupos, o próprio meio-campista inglês Jude Bellingham demonstrou desconforto com a premiação. Eleito o MVP após um empate apagado da Inglaterra contra a seleção de Gana, o jogador do Real Madrid fez uma declaração sincera e desarmante na zona mista: “Para ser honesto, eu não mereci. Provavelmente deveria ter ido para um dos jogadores deles, que se defenderam muito bem. Sou grato a quem votou, mas o prêmio deveria ser de um dos caras deles”.

A dinâmica de votação da Copa do Mundo

Mesmo que, muitos torcedores e analistas apontam que a FIFA teria um interesse comercial direto em inflar os prêmios de atletas de renome por razões de marketing, a raiz do problema é estrutural e está no formato de escolha adotado pela entidade máxima do futebol.

A dinâmica que dita o vencedor funciona por meio de voto popular aberto na internet, permitindo que qualquer pessoa acesse a plataforma a partir do intervalo da partida até o encerramento do confronto. O sistema permite que o torcedor altere seu voto caso mude de opinião ao longo do segundo tempo. Porém, o fato de não exigir um cadastro obrigatório ou um login com verificação para validar a escolha faz com que as redes de fãs e os espectadores casuais cliquem no atleta que mais conhecem ou admiram.

O resultado prático é um algoritmo de popularidade. O torcedor comum, muitas vezes assistindo ao jogo de forma dispersa, vota na marca e no tamanho da fama do jogador, ignorando o zagueiro que desarmou dez bolas ou o goleiro que garantiu o placar. Enquanto a escolha do melhor em campo permanecer nas mãos de um clique livre e sem critérios de avaliação de dados, os jogadores mais famosos continuarão acumulando troféus com facilidade, transformando o reconhecimento técnico de uma Copa do Mundo em um mero concurso de engajamento virtual.

Créditos da foto de capa: REUTERS/Jeenah Moon

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