O confronto das oitavas de final da Copa do Mundo entre México e Inglaterra, no Estádio Azteca, coloca frente a frente duas realidades diferentes, mas ligadas por histórias de superação e confrontos na Premier League. Quando o atacante Raúl Jiménez, de 35 anos, pisar no gramado da Cidade do México no próximo domingo, o cenário representará mais do que uma simples eliminatória de Copa do Mundo. Para o centroavante mexicano, o jogo é o auge de uma trajetória de superação. Cinco anos e meio após sofrer uma grave lesão cerebral jogando pelo Wolverhampton contra o Arsenal, ele lidera o ataque da seleção do México em busca de seu terceiro gol nesta Copa do Mundo, enfrentando atletas com os quais convive na elite inglesa desde 2018.
Do outro lado do campo, defendendo a meta da seleção inglesa, estará um rosto que conhece muito bem o poder de conclusão do atacante mexicano. Jordan Pickford, o goleiro titular da seleção comandada por Thomas Tuchel, carrega um histórico incômodo em relação a Jiménez. O goleiro do Everton é a principal vítima do centroavante no futebol inglês. Dos 68 gols marcados por Jiménez ao longo de sua trajetória na Premier League, seis foram feitos justamente contra Pickford. Nenhum outro goleiro na primeira divisão da Inglaterra sofreu tantos gols do atacante do Raúl Jiménez, o que adiciona um componente psicológico extra a um duelo que já nasce sob a pressão de uma vaga nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026.
Histórico de Raúl Jiménez e Jordan Pickford na Premier League
A análise fria dos números mostra que a relação de dominância de Raúl Jiménez sobre Jordan Pickford foi construída principalmente em seu auge com a camisa do Wolverhampton, antes do grave acidente que afastou o jogador dos gramados por um longo período. O impacto inicial do mexicano sobre o goleiro inglês foi imediato, com Jiménez balançando as redes nos primeiros cinco confrontos em que se enfrentaram no campeonato inglês, sendo um gol em cada uma das quatro primeiras partidas entre Wolves e Everton e mais um logo no primeiro reencontro após a sua recuperação física.
Porém, essa influência mística diminuiu em anos recentes, especialmente durante a passagem de Jiménez pelo Fulham. No Fulham, o atacante enfrentou Pickford em cinco oportunidades e conseguiu marcar apenas uma vez, em uma derrota por 3 a 1 em casa na última rodada da temporada 2024-25. Esse retrospecto mais recente serve de parâmetro para aqueles que defendem que Pickford não entrará em campo desestabilizado ou intimidado pelo passado. Das seis bolas que o mexicano colocou no fundo da rede do goleiro inglês, três foram de cabeça e uma de penalidade máxima, indicando que o repertório do atacante é baseado no posicionamento e na imposição física dentro da área.
A altitude pode decidir o confronto de Copa do Mundo
A grande vantagem para o México não está apenas no retrospecto individual de seu atacante, mas no ambiente hostil que a seleção sob o comando de Javier Aguirre conseguiu consolidar nesta Copa do Mundo. Jogando na altitude de 2200 metros da Cidade do México, os donos da casa construíram uma forte conexão, somando três vitórias nos três jogos disputados no Estádio Azteca desde o início do torneio, mantendo uma histórica invencibilidade em partidas de Copas do Mundo.
A atmosfera inflamada pela torcida mexicana transforma Jiménez em uma peça ainda mais perigosa. O atacante, que escolheu voltar ao Wolverhampton na última temporada mesmo sabendo que disputaria a segunda divisão após o rebaixamento do clube, encara o torneio como a sua última grande dança na Copa do Mundo.
Thomas Tuchel sabe que Jiménez utilizará de toda a sua malícia e movimentação inteligente entre os zagueiros para buscar o seu sétimo gol contra Pickford. Para a Inglaterra, saber como o adversário atua é uma vantagem importante, mas neutralizar o México diante de 80 mil torcedores na altitude será o verdadeiro grande teste para as ambições da Inglaterra na Copa do Mundo de 2026.
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