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Copa do Mundo impulsiona a MLS e fortalece sonho dos Estados Unidos de criar uma das maiores ligas do futebol

A Copa do Mundo de 2026 terminou dentro de campo, mas seus efeitos podem ser sentidos por muitos anos nos Estados Unidos. Se o torneio serviu para consolidar o país como um dos principais mercados do futebol mundial, a Major League Soccer (MLS) espera transformar esse momento em um salto definitivo para aproximar a liga das grandes competições da Europa.

A estratégia começou imediatamente após a decisão do Mundial. Em uma campanha publicitária estrelada por Lionel Messi, Son Heung-min, David Beckham e diversos jogadores da liga, a MLS lançou uma mensagem direta aos milhões de novos torcedores conquistados durante a Copa: “Obrigado, mundo. Agora deixa com a gente”. O objetivo é simples: convencer quem acompanhou o torneio a continuar consumindo futebol durante a temporada regular da liga norte-americana.

A aposta não acontece por acaso. A Copa registrou recordes de audiência, estádios lotados e colocou o futebol em evidência em um país tradicionalmente dominado pela NFL, NBA, MLB e NHL. Para os dirigentes da MLS, este é o momento ideal para acelerar um projeto iniciado há três décadas e que agora parece entrar em uma nova fase de maturidade.

De legado da Copa de 1994 a um projeto bilionário

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Foto: FIFA

A própria existência da MLS está diretamente ligada à Copa do Mundo.

Quando os Estados Unidos foram escolhidos para sediar o Mundial de 1994, a FIFA condicionou a realização do torneio à criação de uma liga profissional nacional. Dois anos depois nasceu a Major League Soccer.

Naquela época, o cenário era completamente diferente do atual.

A competição começou em 1996 com apenas dez equipes e nenhum estádio construído exclusivamente para partidas de futebol. Hoje, a liga reúne 30 clubes espalhados pelos Estados Unidos e Canadá, além de contar com praticamente o mesmo número de arenas específicas para a modalidade.

O crescimento também aparece fora dos gramados.

Os números financeiros mostram uma valorização impressionante das franquias. O Seattle Sounders, por exemplo, entrou na liga em 2009 mediante uma taxa de expansão de 30 milhões de dólares. Atualmente, o clube é avaliado em mais de 900 milhões de dólares.

O caso de David Beckham talvez seja ainda mais simbólico. Quando assinou com o LA Galaxy em 2007, o inglês garantiu em contrato o direito de adquirir uma futura franquia da MLS por apenas 25 milhões de dólares. Esse investimento deu origem ao Inter Miami, clube hoje avaliado em mais de um bilhão de dólares e impulsionado pela chegada de Lionel Messi.

A presença do argentino elevou ainda mais a visibilidade internacional da competição, mas a liga busca mostrar que seu crescimento não depende exclusivamente do camisa 10.

Durante a Copa do Mundo de 2026, 45 jogadores da MLS defenderam suas seleções nacionais, incluindo Lionel Messi e Rodrigo De Paul, que chegaram à final representando a Argentina. O número evidencia que a competição passou a ser uma fornecedora de atletas para o mais alto nível do futebol internacional.

A nova identidade da MLS vai além das estrelas veteranas

Durante muitos anos, a principal crítica feita à MLS era de que a liga funcionava como um destino para jogadores em fim de carreira.

Nomes como David Beckham, Zlatan Ibrahimović, Thierry Henry e, mais recentemente, Lionel Messi reforçaram essa imagem.

Hoje, porém, o perfil das contratações mudou significativamente.

Segundo dirigentes da própria liga, a média de idade dos novos jogadores internacionais contratados caiu para apenas 23,8 anos. Muitos atletas passam a enxergar a MLS como uma etapa importante de desenvolvimento antes de uma futura transferência para clubes europeus.

Essa mudança também motivou alterações estruturais.

A partir de 2027, a liga passará a adotar um calendário mais próximo do futebol europeu, facilitando negociações e movimentações de atletas entre os mercados.

Ao mesmo tempo, cresce o investimento nas categorias de base.

Todos os clubes da MLS mantêm academias próprias de formação, buscando desenvolver talentos desde as primeiras categorias. O objetivo é diminuir a dependência de contratações internacionais e aumentar a produção de jogadores locais para abastecer tanto a liga quanto a seleção norte-americana.

Ainda existem desafios importantes.

Especialistas apontam que o sistema conhecido como “pay-to-play”, no qual famílias investem altos valores para que seus filhos disputem competições de base, continua sendo um obstáculo para democratizar o acesso ao futebol de alto rendimento.

Embora as academias profissionais sejam gratuitas para atletas selecionados, muitos jovens precisam percorrer um caminho caro até serem observados pelos clubes.

Mesmo assim, dirigentes garantem que programas de bolsas e investimentos na formação vêm ampliando as oportunidades para novos talentos.

A Copa mostrou que o futebol encontrou espaço definitivo nos Estados Unidos

Estados Unidos, Copa do Mundo 2026. Foto: Alex Pantling/FIFA via Getty Images.
Estados Unidos, Copa do Mundo 2026. Foto: Alex Pantling/FIFA via Getty Images.

Talvez o maior legado da Copa do Mundo não esteja apenas na infraestrutura construída ou nos números financeiros.

Os recordes de audiência demonstraram que o futebol conquistou um espaço relevante dentro da cultura esportiva americana.

A partida entre Estados Unidos e Bélgica registrou mais de 33 milhões de espectadores apenas na Fox, tornando-se o jogo de futebol mais assistido da história em uma única emissora do país.

Poucos dias depois, Inglaterra e México superaram essa marca ao reunir cerca de 45 milhões de telespectadores nas transmissões da Fox e da Telemundo.

Embora esses números ainda estejam abaixo da audiência do Super Bowl, considerado o maior evento esportivo dos Estados Unidos, eles mostram que o futebol passou a competir por atenção em um mercado extremamente disputado.

Esse crescimento também desperta interesse de investidores e celebridades.

Hoje, nomes como Will Ferrell, Reese Witherspoon, Matthew McConaughey e Magic Johnson possuem participação em clubes da MLS, fortalecendo o valor comercial da competição e ampliando sua presença na cultura popular norte-americana.

Naturalmente, ninguém acredita que o futebol ultrapassará rapidamente modalidades como a NFL ou a NBA em popularidade.

O futebol americano continua ocupando um espaço muito maior nas escolas, universidades e no cotidiano esportivo dos Estados Unidos.

Mesmo assim, a percepção de que o futebol seria apenas um esporte secundário parece estar desaparecendo.

A própria Copa do Mundo mostrou isso.

Estádios cheios, audiências recordes e uma mobilização nacional em torno da competição criaram um ambiente que dificilmente desaparecerá nos próximos anos.

Para a MLS, transformar esse entusiasmo em crescimento sustentável será o grande desafio.

A liga já deixou de ser apenas um campeonato criado para cumprir uma exigência da FIFA. Hoje, apresenta uma estrutura consolidada, atrai jogadores cada vez mais jovens, movimenta cifras bilionárias e conta com uma base de torcedores muito maior do que há poucos anos.

Ainda existe uma distância considerável em relação às principais ligas da Europa, tanto em qualidade técnica quanto em prestígio internacional. No entanto, a Copa do Mundo de 2026 mostrou que os Estados Unidos já não enxergam o futebol apenas como um evento passageiro. Se a MLS conseguir aproveitar esse momento, o torneio poderá ser lembrado não apenas pelo campeão mundial, mas também como o ponto de virada definitivo para o crescimento do futebol norte-americano.

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Kaique