O Corinthians teve mais de uma semana para neutralizar o momento negativo e conseguir avançar em seu desempenho para amenizar a pressão em cima de Dorival Júnior, mas o resultado de 3 a 1 no Maracanã contra o Fluminense pela 9ª rodada do Brasileirão possui forte potencial para ter colocado um ponto final no trabalho da atual comissão técnica. Apesar dos títulos conquistados e de todo o carinho da torcida com o veterano treinador nos melhores momentos, parece que o trabalho enfim chegou no “teto”, demonstrando sinais fortes de desgaste e nível insuficiente para uma temporada mais exigente em relação à 2025.
Corinthians foi dominado taticamente pelo Fluminense
O Fluminense de Luis Zubeldía confirmou seu momento sensacional com uma atuação madura, baseada em controle territorial, ocupação racional dos espaços e eficiência nas transições. Desde o início, o time carioca mostrou superioridade na organização ofensiva e na pressão pós-perda, empurrando o Corinthians para trás.
A equipe tricolor partiu de um 4-2-3-1 fluido, mas com comportamentos típicos de um 3-2-5 em fase ofensiva: laterais projetados, Martinelli e Hércules sustentando o meio e uma linha de cinco jogadores ocupando o último terço. Esse desenho facilitou a circulação e criou superioridade entrelinhas, especialmente com Lucho Acosta flutuando às costas dos volantes adversários.
O primeiro gol nasce justamente desse contexto: erro na saída do Corinthians, recuperação alta e ataque vertical rápido, com John Kennedy sendo acionado em condição favorável. Ou seja, o Tricolor foi agressivo sem a bola e cirúrgico com ela, combinação que se repetiria ao longo do jogo.
Do lado paulista, o Corinthians de Dorival Júnior apresentou um problema recorrente: a distância entre defesa, meio e ataque. Estruturado também no 4-2-3-1, o time até tentou iniciar com posse, mas pecou na progressão. Sem aproximações curtas e com pouca mobilidade dos meias, especialmente na zona central, a equipe ficou dependente de ações individuais ou bolas longas. O trio de meio-campo teve dificuldade para sustentar a posse sob pressão, o que gerou perdas constantes no terço médio, um cenário ideal para o modelo agressivo do Fluminense.
Além disso, o Corinthians mais uma vez foi muito frágil na recomposição defensiva. Os extremos demoravam a fechar os corredores, expondo os laterais em situações de inferioridade numérica. O segundo gol, ainda no fim do primeiro tempo, escancara isso: contra-ataque rápido, defesa desorganizada e ataque tricolor atacando espaços com liberdade.
Se o cenário já era desfavorável, a expulsão de Allan no início do segundo tempo (por um motivo absolutamente ridículo) praticamente encerrou qualquer possibilidade de reação corintiana. Com um jogador a mais, o Fluminense passou a controlar o jogo em ritmo mais cadenciado, priorizando posse e circulação lateral para atrair o adversário e explorar espaços. A equipe chegou a cerca de 60% de posse e ampliou sua produção ofensiva, com volume consistente de finalizações e alto índice de precisão nos passes.
Dorival tentou reagir com mudanças no intervalo, buscando mais mobilidade e presença ofensiva, incluindo a estreia de Lingard e maior liberdade para os meias. Nos primeiros minutos da etapa final, houve uma leve melhora na pressão e no volume de finalizações. No entanto, a inferioridade numérica interrompeu essa reação. A equipe perdeu compactação, passou a correr mais atrás da bola e viu o desgaste físico acelerar.
Imagem: AGIF



