A nossa série agora vai falar do time de maior torcida do estado de São Paulo, o Corinthians. O Timão, que teve um passado difícil, foi se tornando um gigante nacional ao longo de sua história, para depois conquistar a América e o mundo.
Tem jogos decisivos para todos os gostos, com vitórias em estadual, nacional, continental e mundial. Confira as cinco vitórias mais emblemáticas da história do Corinthians, que emocionou seus torcedores e angariou ainda mais fiéis com esses triunfos emocionantes.
5. Grêmio 0x1 Corinthians – Final da Copa da Brasil de 1995

No dia 21 de junho de 1995, o Corinthians entrou no Estádio Olímpico, em Porto Alegre, para enfrentar o Grêmio na segunda partida da final da Copa do Brasil. No jogo de ida, no Pacaembu, o Timão havia vencido por 2 a 1 e precisava de um empate para conquistar seu primeiro título nacional de mata-mata. Mas a equipe de Eduardo Amorim foi além: jogou com personalidade, venceu fora de casa por 1 a 0 e levantou a taça de forma incontestável.
O gol do título foi marcado logo aos 13 minutos do primeiro tempo, em uma jogada clássica de Marcelinho Carioca. O meia recebeu no lado esquerdo, cortou para dentro e bateu colocado, no canto direito do goleiro Danrlei. O Grêmio, treinado por Luiz Felipe Scolari e empurrado pela torcida, tentou pressionar ao longo do jogo, mas parou na sólida defesa corinthiana e nas boas intervenções do goleiro Ronaldo.
A escalação do Corinthians naquela noite histórica foi: Ronaldo; André Santos, Henrique, Célio Silva e Silvinho; Zé Elias, Bernardo, Souza e Marcelinho Carioca; Viola e Marques. Marcelinho foi o grande nome da campanha, com gols decisivos e controle do jogo nos momentos de maior tensão. A zaga, com Célio Silva e Henrique, foi segura durante todo o torneio, e Ronaldo brilhou quando exigido.
Essa vitória marcou a primeira conquista do Corinthians na Copa do Brasil e ampliou o prestígio do clube em competições nacionais. Foi um título vencido com autoridade, contra um dos melhores times do país, que menos de dois meses depois conquistaria a Libertadores, e fora de casa, num Estádio Olímpico que era um verdadeiro caldeirão. A taça de 1995 pavimentou o caminho para novas conquistas nos anos seguintes e reforçou o Corinthians como uma potência nacional.
4. Corinthians 1×0 São Paulo – decisão do Brasileirão de 1990

Em 16 de dezembro de 1990, o Corinthians conquistou seu primeiro título do Campeonato Brasileiro ao vencer o São Paulo por 1 a 0, no segundo jogo da final, no Estádio do Morumbi. Era o momento mais importante da história recente do clube, que até então jamais havia conquistado o principal campeonato nacional. Contra um São Paulo tecnicamente superior e comandado por Telê Santana, o Corinthians venceu na raça, com organização tática e um gol histórico de Tupãzinho, o “Talismã da Fiel”.
O Brasileirão daquele ano começou com uma fase de grupos, em que o Corinthians teve desempenho modesto, se classificando na penúltima vaga para o mata-mata. Nas quartas de final, eliminou o Atlético-MG; na semifinal, passou pelo Bahia. Na decisão, enfrentou o forte elenco são-paulino. No primeiro jogo, o Timão venceu por 1 a 0, gol de Wilson Mano. No jogo decisivo, um empate bastava, mas outro triunfo por 1 a 0, dessa vez com o chute certeiro de Tupãzinho, aos 9 minutos do segundo tempo, consagrou a consagração nacional do time do povo.
O time comandado por Nelsinho Baptista entrou em campo naquela noite com: Ronaldo; Giba, Marcelo, Guinei e Jacenir; Márcio, Wilson Mano, Neto e Fabinho; Tupãzinho e Mauro. O camisa 10 Neto foi o grande líder da campanha, marcando gols decisivos e conduzindo o time em momentos cruciais. Ronaldo Giovanelli, no gol, teve atuações seguras em todo o campeonato. A solidez defensiva e a aplicação tática foram as grandes armas do título.
A conquista de 1990 teve um peso histórico imenso: foi o primeiro Campeonato Brasileiro do Corinthians, quebrando mais um tabu nacional. A vitória contra um rival poderoso como o São Paulo aumentou ainda mais o sabor da conquista. Com raça, humildade e um futebol eficaz, o Timão colocou seu nome de vez entre os campeões nacionais e selou um novo capítulo de sua grandeza.
3. Corinthians 1×0 Ponte Preta – Final do Paulistão de 1977

O dia 13 de outubro de 1977 foi um dos mais emocionantes da história do Corinthians. No Estádio do Morumbi, o clube enfrentou a Ponte Preta no terceiro jogo da final do Campeonato Paulista e venceu por 1 a 0, encerrando um jejum de 23 anos sem títulos. Era mais do que uma taça, era uma redenção coletiva de milhões de torcedores que carregavam nas costas a angústia do tempo. O Corinthians, comandado por Oswaldo Brandão, entrou em campo com fome de história.
A Ponte, que tinha um dos times mais fortes do estado, fez um jogo duro. O Corinthians criou chances, mas só aos 13 minutos do segundo tempo é que veio o gol. Após confusão na área e duas finalizações bloqueadas, a bola sobrou limpa para Basílio, o “Pé-de-Anjo”, que estufou as redes. O estádio explodiu. Lágrimas de alegria escorreram nos rostos de torcedores, jogadores e jornalistas. A tensão acumulada por décadas evaporou num único chute.
O time campeão contava com Tobias; Zé Maria, Moisés, Ademir e Wladimir; Ruço, Basílio e Luciano; Vaguinho, Geraldão e Palhinha. Nomes como Wladimir e Zé Maria se eternizaram não só pelo futebol, mas pelo simbolismo daquela conquista. E Basílio virou sinônimo de santo para a Fiel.
O título de 1977 foi mais do que estadual, teve valor emocional, espiritual e simbólico, ele liberou um grito que há décadas estava engasgado na garganta. E provou que, por mais longo que seja o tempo da espera, o Corinthians foi recompensado por nunca deixar de lutar.
2. Corinthians 1×0 Chelsea – Final do Mundial de Clubes de 2012

Menos de seis meses após conquistar a América, o Corinthians alcançou o topo do mundo ao vencer o Chelsea por 1 a 0, no dia 16 de dezembro de 2012, na final do Mundial de Clubes da FIFA. O palco foi o Estádio de Yokohama, no Japão, o mesmo onde o São Paulo havia vencido em 2005. O Chelsea, campeão europeu, era favorito absoluto, com estrelas como Hazard, Mata, David Luiz e Fernando Torres. Mas o Corinthians tinha algo que os ingleses não tinham: unidade, foco, raça e o apoio de uma das torcidas mais fiéis do planeta.
O gol do título saiu aos 23 minutos do segundo tempo. Em jogada iniciada por Paulinho e Danilo, o meia chutou, a bola desviou na zaga e sobrou para Paolo Guerrero, que cabeceou com categoria. Era o suficiente. O Corinthians fechou-se com maestria e suportou a pressão até o apito final. O time de Tite foi a campo com: Cássio; Alessandro, Chicão, Paulo André e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Jorge Henrique, Danilo e Emerson; Guerrero.
O goleiro Cássio foi, mais uma vez, o grande nome da partida, com defesas impressionantes frente ao ataque inglês. Foi eleito o melhor jogador do torneio. Ralf e Paulinho controlaram o meio-campo com autoridade, e a dupla de zaga, Paulo André e Chicão, foi praticamente intransponível. Guerrero, com faro de gol apurado, selou sua imagem de herói com o gol mais importante da carreira.
A vitória fez o Corinthians aparecer para o cenário global e encerrou 2012 como o maior ano da história do clube. O feito foi ainda mais marcante por ser contra um adversário europeu em ótima fase. Para a Fiel, não foi apenas o segundo título mundial, foi o fim de qualquer dúvida sobre o Timão ser uma potência mundial.
1- Corinthians 2×0 Boca Juniors – Final da Libertadores de 2012

A maior vitória da história do Corinthians aconteceu em 4 de julho de 2012, no Pacaembu, diante do temido Boca Juniors, pela final da Copa Libertadores da América. Era a primeira vez que o clube paulista disputava a decisão do torneio continental, carregando o peso de uma obsessão histórica da torcida e da instituição. O empate por 1 a 1 no jogo de ida, na Bombonera, já havia sido um sinal da força daquele time comandado por Tite. Mas foi na volta que o Corinthians mostrou seu verdadeiro tamanho.
Com um time extremamente aplicado e eficiente, o Corinthians controlou emocionalmente e taticamente a final. A escalação histórica contou com: Cássio; Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Jorge Henrique, Danilo e Alex; Emerson Sheik. A primeira explosão veio aos 8 do segundo tempo, com jogada genial de Danilo e finalização precisa de Emerson. Aos 27, o próprio Sheik interceptou uma saída de bola errada de Schiavi, arrancou sozinho e selou o 2 a 0 definitivo.
A campanha foi marcada por solidez: o Corinthians terminou invicto, superando adversários fortíssimos como Vasco, Santos e o próprio Boca. Cássio foi um dos grandes nomes do torneio, fazendo grandes defesas ao longo do mata-mata, como o milagre frente a Diego Souza. Paulinho, Ralf e Danilo formaram um meio-campo técnico e bem sólido, e Emerson se tornou herói ao marcar os dois gols mais importantes da história do clube.
Com a vitória, o Corinthians não apenas quebrou um dos maiores tabus de sua trajetória, mas também se juntou aos gigantes sul-americanos. A conquista coroou uma geração, eternizou um estilo e redefiniu o patamar do clube no futebol mundial. Para milhões de corinthianos, foi a noite em que o sonho virou realidade.
(Imagem de capa: Reprodução Corinthians)