Sempre acostumado a brigar pelas primeiras posições em La Liga desde o começo da temporada, o Atlético de Madrid inicia 2025/26 em alerta, numa posição a qual não está nem um pouco à vontade para respirar durante a pausa do campeonato para a Data Fifa. Próximo da zona de rebaixamento, com dois pontos somados em nove que disputou, os rojiblancos não fazem um início tão irregular assim desde 2009/10, quando esteve no Z-3 sem nenhuma vitória nas três primeiras rodadas, com duas derrotas e um empate.
O cenário deste ciclo, apesar de incômodo, é inverso. Com três jogos, o Atleti está em 16º lugar, com 2 pontos, acumulando dois empates e uma derrota, justamente na estreia fora de casa contra o Espanyol na Catalunha. O revés logo de cara influenciou negativamente na sequência dos madrilenos contra Elche e Alavés, com quem o time de Diego Simeone arrancou o placar de 1×1, mas não apresentou bom desempenho, levantando dúvidas sobre o que realmente a equipe almeja para o futuro.
Tendo realizado grandes investimentos para a nova temporada, visando derrubar o estigma de ser sempre o time do “quase”, o Atlético de Madrid traz neste texto quatro pontos a trabalhar durante a pausa do Campeonato Espanhol, onde se encontra em total estado de atenção por um começo irregular. Tais pontos podem ser determinantes sobretudo para a continuidade de Simeone no clube, onde está há 14 anos e tem grande respaldo da direção e da torcida.
Quatro pontos a serem trabalhados pelo Atlético de Madrid na Data Fifa
1 – A coletividade do elenco
Reformulado por inteiro, o novo Atleti ainda não encontrou um estilo de jogo que possa engatilhar bom desempenho e resultado, onde a coletividade deveria ditar os rumos. O time não sabe se foca numa pressão alta, se avança tendo a bola, ou se recua na espera de ganhar um contra-ataque para dar o bote.
Controlando a bola durante boa parte dos três jogos pelo Espanhol, avançando ao patrimônio adversário por várias vezes, a equipe de Simeone não soube se aproveitar dessa imposição, e alternou o domínio da partida com a fragilidade, bem explorada por seus rivais. Com sete novidades entre os atletas (sem contar o meia-atacante Carlos Martín), a quantidade de nomes aproveitados pelo técnico foi caindo de uma rodada para outra, e gerou uma baixa, o ponta Álex Baena, principal contratação do clube nesta janela, que se lesionou na estreia.
2 – Falta de força e sorte
Nos três primeiros jogos de La Liga, mesmo sem ter feito atuações brilhantes, o Atlético tinha ao seu lado o favoritismo. Entretanto, o favoritismo deu lugar a fatores como a falta de força e de sorte, pois ao abrir o placar na estreia contra o Espanyol, a trave impediu que Julián Alvarez conseguisse marcar 2 a 0 para o time de Madri.
No duelo seguinte, foi a vez de um erro do ataque rojiblanco ser bem aproveitado pelo Elche, num contra-ataque que resultou no gol de empate dos visitantes ainda no primeiro tempo. Nesse mesmo jogo, o Atleti acabou desperdiçando mais três boas jogadas que impediram uma possível vitória, e dependeu de Oblak para garantir a igualdade, evidenciando a falta de força da ofensiva madrilena contra um modesto adversário.
3 – Sintonia entre os setores e jogadores que ainda não se adaptaram
Assim como na partida contra o Elche, quando o Atlético de Madrid saiu na frente com um gol de Alexander Sørloth, Giuliano Simeone colocou os colchoneros à frente do Alavés na primeira etapa, mas acabou surpreendido por um empate dos rivais em pouco tempo. Seguindo o mesmo roteiro, um ataque mal aproveitado, Carlos Vicente fez 1 a 1 de pênalti, evidenciando a falta de sintonia entre a defesa e o setor ofensivo de um Atleti teoricamente forte, mas ainda precário na prática.
Ao contratar jogadores altos nesta janela, como Sørloth, Hancko, Ruggeri e Cardoso, esperava-se que os estreantes rapidamente se adaptassem ao modelo de Cholo, mas no momento, eles ainda não empolgaram conforme as expectativas do clube. Além de jogadores altos, outra contratação que vem levantando dúvidas sobre seu desempenho recente é o ex-Botafogo Thiago Almada, que raramente é visto com a bola, e oscilou entre boas e más atuações no começo da Liga Espanhola.
4 – Estilo de Cholo sob risco
Das sete contratações do Atleti para esta temporada, três já garantiram espaço no time inicial de Diego Simeone contra Espanyol, Elche e Alavés: Hancko, Cardoso e Almada. O primeiro tornou-se uma peça importante da lateral esquerda e deixou Ruggeri no banco, após o italiano não ter se destacado na estreia, e ter entrado nos jogos seguintes com bola rolando.
No atual momento, o estilo de jogo de Simeone, apesar de consolidado pelo tempo, ainda se mostra vulnerável, com esta série de mudanças de atletas e trocas para descobrir o grupo ideal que fará do Atlético competitivo. A janela que se encerra nesta segunda é determinante para o clube madrileno, e a Data Fifa de setembro também, quando as próximas duas semanas serão de testes e treinamentos em busca do “onze inicial perfeito”, que terá contra o Villarreal no dia 13 uma chance de embalar e espantar a crise deste começo de jornada.
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