A goleada sofrida pelo Santos diante do Vasco por 6 a 0, no Morumbi, não foi apenas uma das maiores derrotas do clube na história do Brasileirão, foi o retrato mais cruel do que se tornou o Santos em 2025: um time sem comando, desequilibrado, sem identidade, com claros problemas técnicos e, o pior, sem perspectiva clara de avanço.
A demissão de Cléber Xavier, oficializada apenas após o vexame, chegou com atraso e expôs o que a torcida já sabia: a diretoria simplesmente tem sérios problemas para enxergar a realidade. O Santos jogou mal em quase todas as partidas com o treinador e era claro que o trabalho não devia ter sido prolongado.
O que se viu hoje foi uma enxurrada de especulações sobre quem será o novo técnico. Mas não há um fio condutor. Os nomes cogitados na imprensa são tão díspares em estilo, currículo e filosofia que fica evidente: o Santos está atirando para todos os lados, sem qualquer critério técnico ou visão de futuro. A gestão tá longe de ter um norte.

Santos pensa em treinadores com estilos bem diferentes
Tite, por exemplo, é um nome forte, com currículo respeitável, mas representa justamente o estilo de jogo atual, que claramente não está dando certo. Tê-lo como opção soa como uma mudança mentirosa, já que manteria toda a comissão com ele e não traria um fato novo e nem novas ideias. A chance de uma transformação seria muito baixa.
Jorge Sampaoli, por sua vez, é uma figura conhecida da torcida e com uma ideia de jogo que já surtiu efeito positivo na Vila Belmiro. Mas traz consigo um risco enorme: seu estilo exige uma ruptura completa no modelo de jogo, tempo para treinar e um elenco moldado à sua filosofia. Seria uma aposta que para dar certo precisaria dar plenos poderes ao treinador, inclusive em relação a contratações, dispensas e Neymar.
Luis Zubeldía, após o fracasso no São Paulo, não chegaria com moral para liderar uma reformulação urgente no ambiente interno. Seu estilo intenso representaria a quebra de paradigma que o elenco precisa, porém, ele está longe de ter o apoio da torcida e de trazer garantias de um trabalho sólido.
Assim como Zubeldía, Juan Pablo Vojvoda também é um argentino com uma experiência no Brasil. Entretanto, é visto por todos como competente e com ideias interessantes, mas seu estilo é muito particular e no Santos ele não teria peças para implementar as ideias que fizeram sucesso no Fortaleza. Fora isso, ainda não se sabe se ele terá o peso necessário para conduzir uma pressão como essa em um time grande do Brasil.
A lista inclui ainda Mauricio Pellegrino, técnico do Lanús, que jamais trabalhou no Brasil e que, sinceramente, não faz sentido algum nesse momento. Jogá-lo no meio de um caos institucional e técnico seria cruel para ele e inconsequente por parte do clube. O cenário pede alguém com casca, com entendimento do contexto, e não mais uma aposta estrangeira feita às pressas.
A diretoria está perdida
O que se vê, portanto, não é apenas indecisão. É a total ausência de convicção da diretoria em relação ao que deseja para o time. A gestão de Marcelo Teixeira, que retornou ao clube com o discurso da reconstrução, parece hoje refém de uma estrutura ultrapassada e de métodos antiquados. As promessas de profissionalismo deram lugar ao improviso permanente, e o que resta ao torcedor é a angústia de ver um clube histórico se apequenar por más gestões em sequência.
Marcelo Teixeira, assim como a maioria dos presidentes de clube, é muito vaidoso. Ele precisa entender que da forma que o clube está indo, o caminho é o segundo rebaixamento de sua história, algo que faria um estrago tremendo até na vida pessoal do mandatário santista. As decisões em relação ao futebol precisam ser pensadas por alguém que seja do ramo e esteja atualizado, renovar contratos como o de João Schmidt e Tomás Rincón e a manutenção do zagueiro Gil, mostram a visão de futebol ultrapassada da diretoria. Todos sabem que o setor mais carente do time é a zaga e o time decidiu não contratar ninguém. E por aí vai.
Esses são apenas pequenos exemplos que demonstram a falta de visão de quem comanda o clube. Marcelo Teixeira vive num mundo de ilusão tão grande, que na primeira rodada do Brasileirão deu uma entrevista dizendo que era inconcebível o Santos perder do Vasco por 2 a 1 em São Januário. O mundo real apresentado neste domingo foi cruel.
A busca por treinadores sem um perfil definido é mais um problema totalmente esperado. O escolhido pode dar certo, mas da forma como as coisas estão sendo conduzidas, o sucesso será fruto do acaso, já que a diretoria santista parece totalmente desconectada da realidade.
Neymar também é parte do problema e precisa ser um líder
Além da diretoria completamente perdida, que pensa futebol como há décadas atrás, o Santos tem um ídolo que precisa ser muito mais do que vem sendo.

Neymar voltou para o Santos, trouxe mídia, contratos, visibilidade, mas faltou trazer o seu futebol. O craque decidiu alguns jogos, tem bons lampejos, mas não potencializa os companheiros ao redor, tampouco é o líder que um atleta experiente vindo da Europa deveria ser.
O choro de Neymar após a derrota para o Vasco demonstrou um desespero absurdo de alguém que queria que desse certo um projeto construído de maneira totalmente errada. O mesmo desespero e ansiedade que ele apresentou no gol de mão/expulsão contra o Botafogo ou nos diversos cartões por reclamação.
Depois do vexame do Morumbi, Neymar falou que os jogadores precisam repensar se querem mesmo estar no Santos, mas ele precisa mais do que todos, pois dessa vez foi a maior goleada sofrida por ele em campo, da próxima pode ser o primeiro rebaixamento da história dele.
O camisa 10 do Santos tem que ter postura de quem já envergou essa camisa e ser um líder que cobra, mas também que agrega e dá exemplos, além de atuar muito mais para o time do que vem jogando.
O futuro é uma incógnita agonizante
O segundo turno do Brasileirão acabou de começar e o Santos segue perigosamente perto da zona de rebaixamento. O que está em jogo agora vai muito além de resultados. Está em jogo a alma do clube. A instituição Santos Futebol Clube está sendo dilacerada por decisões tomadas sem projeto, sem lógica e, sobretudo, de forma bem irresponsável.
O torcedor santista é apaixonado, exigente e historicamente acostumado a ver um futebol bem jogado. Ele não vai aceitar passivamente mais um ano de vexames, de vergonha e de amadorismo disfarçado de “reestruturação”, principalmente se culminar no segundo rebaixamento da história do clube e em apenas três anos. É hora de parar de buscar soluções mágicas. O momento é de construir um caminho, escolher uma direção e sustentá-la com convicção, não com oportunismo.
Se a diretoria continuar esperando soluções sem critério e, principalmente, não entender suas claras limitações, o destino é certo: mais vexames, mais demissões e, fatalmente, mais uma queda. E aí, não haverá nome de peso que salve o clube de um futuro ainda mais sombrio.
Marcelo Teixeira e Alexandre Mattos, a cobrança vai ficar cada vez mais forte, portanto, é hora de juntar os cacos, reconhecer os erros e acertar na escolha do treinador. Esse é o primeiro passo para a reconstrução, que deve ser bem mais profunda do que isso. Neymar, o Santos precisa do jogador que você foi e do líder que nunca demonstrou ser, nos surpreenda. A bola está com vocês. E, infelizmente, o destino do clube brasileiro mais famoso do mundo, também.
(Imagem de capa: Reinaldo Campos/AGIF)