A atuação da Seleção Brasileira voltou a ser alvo de críticas e, mais uma vez, boa parte delas direcionada a Viní Jr. O atacante do Real Madrid teve nova performance abaixo do esperado, reforçando um cenário que já se tornou recorrente: o abismo entre o jogador decisivo no clube e o rendimento ainda irregular com a Amarelinha.
Ainda assim, Carlo Ancelotti mantém o discurso de confiança. E é justamente aí que surge a dúvida: até que ponto essa insistência é convicção ou teimosia?
A irregularidade de Vini é evidente. Em termos de desempenho recente, faltam argumentos que sustentem sua permanência como titular absoluto, além da crença do treinador. Na derrota para a França, por 2 a 1, o mais novo camisa 10 foi o único nome do setor ofensivo a permanecer em campo durante toda a partida — um indicativo claro da confiança de Ancelotti.
A leitura do técnico parece simples: Vinícius precisa de sequência e respaldo para se afirmar como protagonista na seleção. A questão é se esse processo, na prática, está ajudando ou atrasando esse desenvolvimento.
A teimosia de Carletto…

Não há, hoje, nenhum jogador no elenco do Brasil que Carlo Ancelotti conheça tão bem quanto Vinícius. Entre as temporadas 2021/22 e 2024/25, no Real Madrid, técnico e jogador construíram uma relação de confiança que resultou em conquistas expressivas: duas UEFA Champions League, duas La Liga e dois Mundiais de Clubes, além de outros títulos relevantes.
Mais do que números, há contexto. Foi sob o comando de Ancelotti que Vinícius deixou de ser promessa irregular para se tornar protagonista — inclusive com gols decisivos em finais. Um cenário bem diferente daquele início de trajetória no clube espanhol, marcado por críticas, desconfiança e episódios de racismo, muitas vezes velados.
O retorno de Ancelotti ao Real Madrid, em 2021, foi determinante nesse processo. O treinador devolveu confiança ao brasileiro, incentivou um jogo mais solto e ajudou a reconstruir sua relação com Karim Benzema, com quem havia enfrentado atritos internos. A partir dali, formou-se uma das duplas ofensivas mais letais do futebol europeu recente — e ambos atingiram o auge técnico quase em paralelo.
A gestão de “Carletto” não apenas potencializou Vinícius, mas também elevou Benzema ao posto de melhor do mundo naquele ciclo. Esse histórico ajuda a explicar a insistência do treinador.
Por isso, o comportamento de Ancelotti na seleção não é aleatório — ele está ancorado em um processo que já funcionou antes. A questão é entender se esse mesmo caminho pode ser replicado em um contexto completamente diferente como o da Seleção.
Há uma saída para Vini Jr e passa pela revisão do 4-2-4

Carlo Ancelotti enxerga a Seleção Brasileira dentro de um 4-2-4, mas, no cenário atual, o modelo tem se mostrado pouco produtivo. Existe uma tentativa clara de transformar Vini r no grande protagonista da equipe — seja pela entrega da camisa 10 ou até pela braçadeira de capitão em determinados momentos, como no jogo contra a França. O problema é que, posicionado aberto pela esquerda, o atacante não é potencializado e acaba distante das suas principais virtudes.
Se esse é o plano, a pergunta é inevitável: por que não estruturar o time em função do melhor jogador do mundo em 2024?
No Real Madrid, Ancelotti já enfrentou um dilema parecido. A saída de Karim Benzema, em 2023/24, parecia deixar o ataque carente. A solução, no entanto, foi uma reconfiguração tática inteligente. Com a chegada de Jude Bellingham e a consolidação de Vinicius Jr. e Rodrygo, o treinador montou um 4-3-1-2, com o inglês flutuando como meia livre e os brasileiros mais centralizados, próximos do gol.
O resultado foi um time mais vertical, mais imprevisível e, sobretudo, mais eficiente — campeão da Champions League com essa estrutura. Foi mais uma demonstração da capacidade de adaptação de Ancelotti, que reforçou seu status como um dos maiores da história da competição.
Esse caminho pode servir de referência para a Seleção. Manter a ideia base, mas ajustar as peças. Uma possível alternativa seria reposicionar Vinicius mais próximo da área, com Matheus Cunha ocupando o lado esquerdo — função que já desempenha com frequência no Manchester United —, João Pedro como dupla de ataque e Luiz Henrique (ou Endrick) aberto pelo outro lado. Assim, o time ganharia profundidade, amplitude e, principalmente, lógica.
Contra a França, Vinicius chegou a atuar mais centralizado, mas sem um encaixe coletivo claro. Nem ele, nem seus companheiros de ataque conseguiram se encontrar. O problema não foi apenas individual, foi estrutural.
No fim das contas, talvez a solução não esteja em mudar o sistema, mas em reorganizar as funções. Porque, do jeito que está, ninguém rende e o principal talento da equipe segue sendo mal aproveitado.
Quando a Seleção volta a campo?
A Seleção Brasileira volta a campo na terça-feira (31), às 21h (horário de Brasília), para enfrentar a Croácia, no Camping World Stadium, em Orlando, nos Estados Unidos.
Mais do que o resultado, a expectativa gira em torno da resposta em campo, tanto coletiva quanto individual. E, claro, com os holofotes novamente voltados para Vinícius Júnior, que segue no centro do debate sobre desempenho e protagonismo na equipe.
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