Futebol

Cruzeiro: Série 5 maiores vitórias da história

O protagonista do capítulo de hoje da nossa série é o Cruzeiro. O clube de Belo Horizonte tem uma história linda de vitórias e conquistas e aqui estão cinco jogos que estão até hoje no subconsciente dos torcedores da Raposa.

Tem clássico, jogos nacionais e internacionais e até goleada em cima do Santos de Pelé. Confira mais um passeio pela história. Dessa vez, pela história do Cabuloso.

5. Cruzeiro 2×1 São Paulo – Final da Copa do Brasil de 2000

Geovanni foi o herói da conquista do Cruzeiro sobre o São Paulo na Copa do Brasil de 2000
Geovanni foi o herói da conquista do Cruzeiro sobre o São Paulo na Copa do Brasil de 2000 (Imagem: Paulo Filgueiras / EM D.A Press)

Na final da Copa do Brasil de 2000, o Cruzeiro enfrentou o São Paulo em dois duelos equilibrados. Após empate sem gols no Morumbi, a decisão ficou para o Mineirão. Em um estádio completamente lotado, o time mineiro buscava seu terceiro título da competição e encontrou a glória com uma virada espetacular por 2 a 1.

O São Paulo saiu na frente com gol de Marcelinho Paraíba, calando a torcida celeste, já no segundo tempo. Mas a reação veio de forma espetacular: Fábio Júnior empatou e, aos 44 minutos, Geovanni marcou um gol de falta que garantiu a virada e o título para o Cruzeiro. Foi um jogo de intensidade, entrega e superação.

O técnico Marco Aurélio montou uma equipe equilibrada, com nomes como Sorín, Ricardinho, Fábio Júnior e Geovanni, que viveu uma noite inspirada. A defesa resistiu à pressão tricolor na etapa final, e a conquista veio com merecimento absoluto.

Esse título foi histórico não apenas pelo adversário vencido, mas por consolidar o Cruzeiro como o maior campeão da Copa do Brasil naquele momento, com três títulos. A vitória sobre o São Paulo também reafirmou o protagonismo do clube em torneios eliminatórios.

4. Cruzeiro 6×1 Atlético-MG – Campeonato Brasileiro de 2011

Fabrício comemora um dos gols do Cruzeiro na goleada de 6 a 1 sobre o Atlético Mineiro
Fabrício comemora um dos gols do Cruzeiro na goleada de 6 a 1 sobre o Atlético Mineiro (Imagem: EC Cruzeiro)

Na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2011, o Cruzeiro vivia um dos momentos mais críticos de sua história recente. Corria sério risco de rebaixamento e precisava vencer o Atlético-MG, seu maior rival, para permanecer na Série A. A partida, realizada na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, no dia 4 de dezembro, tinha todos os elementos de um drama, mas virou um espetáculo.

Logo no primeiro tempo, Roger, Leandro Guerreiro, Anselmo Ramon e Fabrício marcaram, fazendo a festa da torcida celeste. Quando todos pensavam que o time tiraria o pé, Wellington Paulista e Everton ainda fizeram mais dois, enquanto Réver descontou para o Galo, totalizando um humilhante 6 a 1 para o Cruzeiro.

A partida entrou para a história não apenas pelo placar elástico, mas pelo contexto. Com a permanência na elite assegurada, o torcedor celeste extravasou uma temporada de angústia. A goleada sobre o rival direto tornou o alívio ainda mais saboroso, e o jogo passou a ser tratado como “a maior vitória da década” por muitos torcedores.

Mesmo sem título em disputa, o jogo ganhou status de clássico eterno. Virou música de torcida, bandeira e provocação. A vitória simbolizou a resistência cruzeirense em um dos momentos mais turbulentos e é lembrada até hoje como um dos maiores massacres sobre o rival.

3. Cruzeiro 2×1 Palmeiras – Final da Copa do Brasil de 1996

Jogadores comemoram título da Copa do Brasil pelo Cruzeiro em pleno Parque Antárctica
Jogadores comemoram título da Copa do Brasil pelo Cruzeiro em pleno Parque Antárctica (Imagem: Jorge Gontijo/EM/D.A Press)

A final da Copa do Brasil de 1996 colocou frente a frente duas potências do futebol nacional: Cruzeiro e Palmeiras. Após empate em 1 a 1 no jogo de ida no Mineirão, o clube celeste viajou até o Palestra Itália, em São Paulo, para enfrentar um dos times mais temidos da época, com craques como Cafú, Rivaldo e Djalminha. Diante de mais de 30 mil palmeirenses, o Cruzeiro escreveu mais um capítulo inesquecível de sua história.

O Palmeiras abriu o placar logo com 5 minutos, criando um cenário de drama para o Cruzeiro. Porém, ainda no primeiro tempo, Roberto Gaúcho empatou. A partir daí, foi um bombardeio palmeirense, mas, já na reta final da etapa complementar, Marcelo Ramos fez o segundo gol da Raposa, fazendo a alegria dos cruzeirenses em todo Brasil.

Apesar dos artilheiros, Dida foi o herói da noite. O goleiro cruzeirense fez defesas espetaculares, incluindo uma sequência de intervenções que impediram a virada palmeirense. A consistência tática da equipe também foi decisiva para suportar a pressão e aproveitar as oportunidades com eficiência cirúrgica.

A vitória garantiu ao Cruzeiro sua segunda Copa do Brasil, além da vaga direta na Libertadores do ano seguinte. Foi também um símbolo do espírito copeiro da equipe na década de 90, com participações memoráveis em competições de mata-mata. O jogo contra o Palmeiras entrou para o imaginário do torcedor como uma das maiores vitórias fora de casa da história do clube.

2. Cruzeiro 6×2 Santos – Final da Taça Brasil de 1966 (1º jogo)

Um dos gols do Cruzeiro sobre o Santos na vitória de 6 a 2 na decisão da Taça Brasil de 1966
Um dos gols do Cruzeiro sobre o Santos na vitória de 6 a 2 na decisão da Taça Brasil de 1966 (Imagem: Arquivo Estado de Minas)

No jogo de ida da final da Taça Brasil de 1966, o Cruzeiro protagonizou uma das maiores atuações da história do futebol brasileiro. Enfrentando o poderoso Santos de Pelé no Mineirão, em 30 de novembro, a equipe celeste aplicou uma goleada de 6 a 2 que chocou o país. Foi uma exibição de gala comandada por um trio que marcaria época: Tostão, Dirceu Lopes e Piazza. O público de mais de 70 mil pessoas viu o Cruzeiro atropelar o time que dominava o cenário nacional.

Dirceu Lopes foi o destaque absoluto da noite com três gols e participação direta em outros lances. Além dele, Tostão também deu show, marcando mais dois. A marcação de Piazza sobre Pelé também foi fundamental, o camisa 10 do Santos foi neutralizado com uma precisão raramente vista. O restante do elenco, com nomes como Natal, que anotou o outro gol, e Evaldo, que também teve uma atuação impecável.

A vitória histórica teve um significado além do placar elástico. Representou o surgimento de um novo polo do futebol brasileiro fora do eixo Rio-São Paulo. O Santos vinha de anos de hegemonia e contava com uma base da seleção brasileira bicampeã mundial. O Cruzeiro, até então pouco conhecido fora de Minas, colocava-se no cenário nacional de maneira irreversível.

Dias depois, o Cruzeiro ainda venceria o Santos por 3 a 2 no Pacaembu, sacramentando o título nacional. Com esse feito, o clube passou a ser respeitado em todo o Brasil, abrindo caminho para sua primeira participação na Libertadores e lançando as bases da geração vitoriosa que dominaria a década seguinte.

1. Cruzeiro 3×2 River Plate – Final da Libertadores de 1976

Jogadores do Cruzeiro comemoram um dos gols da vitória diante River Plate na final da Libertadores de 1976
Jogadores do Cruzeiro comemoram um dos gols da vitória diante River Plate na final da Libertadores de 1976 (Imagem: Acervo Cruzeiro)

Na decisão da Taça Libertadores de 1976, o Cruzeiro enfrentou o tradicional River Plate, da Argentina. Após vencer por 4 a 1 no Mineirão e perder por 2 a 1 no Monumental de Núñez, a disputa foi para um terceiro e decisivo confronto em campo neutro: o Estádio Nacional de Santiago, no Chile, no dia 30 de julho. Era a primeira final continental da história do clube, em um cenário tenso, pressionado e histórico.

A partida foi marcada pelo equilíbrio técnico e tensão. Nelinho abriu o placar no primeiro tempo. Eduardo ampliou na etapa complementar e parecia que o jogo ficaria mais tranquilo, só que em cinco minutos o River Plate empatou com Más e Urquiza.

O duelo ficou ainda mais tenso e imprevisível. E a imprevisibilidade existiu até no gol da vitória do Cruzeiro. Faltando dois minutos, a Raposa teve uma falta muito boa para Nelinho bater. O lateral se posicionou para a bola, mas Joãozinho, de forma irresponsável, bateu a infração antes e acabou marcando o gol para delírio da torcida e dos jogadores.

A conquista foi carregada de emoção. O elenco ainda estava abalado pela morte trágica do atacante Roberto Batata, ocorrida poucos meses antes em acidente de carro. A taça, por isso, teve um simbolismo ainda maior. O técnico Zezé Moreira conseguiu extrair o máximo de um elenco maduro e técnico, com destaque para Piazza, Nelinho, Jairzinho, Palhinha e o próprio Joãozinho.

O título foi um marco no futebol brasileiro: o Cruzeiro tornou-se o segundo clube brasileiro a conquistar a Libertadores, depois do Santos de Pelé. Mais do que isso, foi a primeira equipe fora do eixo Rio-SP a levantar a taça sul-americana, solidificando a imagem da Raposa como potência continental.

(Imagem de capa: Divulgação / cruzeiro.com.br)