Na noite de terça-feira (12), o Cruzeiro venceu o Goiás por 1 a 0, no Mineirão, e garantiu vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil. Após o empate por 2 a 2 no jogo de ida, em Goiânia, o Cabuloso confirmou a classificação diante da torcida mineira. Porém, apesar do resultado positivo, a sensação deixada pela equipe foi de um time que ainda encontra dificuldades para transformar superioridade em tranquilidade dentro das partidas.
O Cruzeiro foi melhor praticamente durante os 90 minutos. Desde o começo da partida, o time comandado por Artur Jorge assumiu o controle das ações, empurrando o Goiás para trás e criando as principais oportunidades do confronto. A equipe terminou o duelo com 18 finalizações contra apenas oito do adversário.
O grande problema é que o Cruzeiro voltou a esbarrar em uma questão que já apareceu em outros momentos recentes da temporada: falta mais criatividade e até mesmo brilho individual para transformar volume ofensivo em um placar confortável.
Com Tadeu, do Goiás, sendo disparadamente o principal nome da partida, o Cruzeiro teve dificuldades para encontrar uma forma de superar o goleiro adversário.
Por exemplo, ainda no primeiro tempo, Tadeu salvou um chute perigoso de Kaiki Bruno com uma defesa de reflexo. Logo na sequência, após cobrança de escanteio, Fabrício Bruno apareceu para cabecear, mas o goleiro do Goiás voltou a salvar a equipe visitante com mais uma intervenção difícil.
Neste cenário de pressão constante, o Cruzeiro finalmente conseguiu abrir o placar aos 32 minutos. Porém, o gol não saiu em jogada trabalhada ou em uma grande construção ofensiva. Após revisão do VAR, a arbitragem marcou pênalti em lance no qual a bola bateu no braço de Ruan após cabeceio de Fabrício Bruno. Na cobrança, Kaio Jorge converteu e colocou o Cabuloso em vantagem.
Cruzeiro correu riscos por não matar a partida
O gol premiou a equipe que mais buscava o resultado. Porém, ao mesmo tempo, também deixou evidente um problema: apesar do domínio, o Cruzeiro teve dificuldades para transformar sua superioridade em chances realmente decisivas. O time circulava a bola, ocupava o campo ofensivo e finalizava bastante, mas, muitas vezes, parecia excessivamente “burocrático”.
E talvez seja justamente este o ponto principal da atuação cruzeirense. O Cruzeiro controlou o jogo, mas, em diversos momentos, faltou aceleração e uma dose de improviso para sufocar o Goiás de vez. Em outras palavras, o jogo apresentou um domínio muito baseado em volume e organização, mas sem a contundência necessária para matar o confronto.
O cenário ficou ainda mais curioso na reta final da partida. Já nos minutos decisivos, Tadeu sofreu uma lesão e precisou deixar o gramado. Como o Goiás já havia realizado as cinco substituições, o volante Filipe Machado precisou assumir a posição de goleiro nos instantes finais do duelo.
Porém, mesmo enfrentando um adversário com um jogador de linha no gol, o Cruzeiro praticamente não tentou ampliar a vantagem. Ao invés de pressionar em busca do segundo gol, a equipe preferiu administrar o resultado, prender a bola no campo ofensivo e gastar tempo próximo à bandeira de escanteio.
A postura acabou aumentando ainda mais a tensão no Mineirão. Afinal, mesmo sem goleiro de origem, o Goiás quase puniu o Cruzeiro nos acréscimos. Aos 50 minutos, Esli García acertou uma bola na trave, assustando completamente a torcida mineira.
O lance simbolizou perfeitamente o sofrimento desnecessário vivido pelo Cruzeiro durante a classificação. Embora tenha sido superior praticamente o tempo inteiro, o time não conseguiu transformar o domínio em tranquilidade. E isso passa justamente pela dificuldade da equipe em acelerar o jogo e encontrar soluções mais criativas para definir partidas.
Cruzeiro segue em evolução com Artur Jorge, mas precisa de mais
O trabalho de Artur Jorge segue demonstrando evolução. O Cruzeiro atual parece mais organizado e competitivo do que a equipe vista no começo da temporada sob o comando de Tite. Existe uma ideia de jogo mais clara, além de sinais positivos dentro de campo.
Porém, ao mesmo tempo, o confronto contra o Goiás também reforçou que ainda existem barreiras importantes para o Cabuloso superar. O Cruzeiro já demonstra capacidade para controlar partidas, mas ainda precisa encontrar um futebol mais dinâmico e criativo para transformar domínio em vitórias mais convincentes.
O Cruzeiro de Artur Jorge dá sinais de que pode jogar futebol em um nível mais alto. No entanto, enquanto continuar encontrando dificuldades para “matar” jogos, o clube seguirá convivendo com sofrimento desnecessário e também com dúvidas por parte da torcida, principalmente após o começo extremamente decepcionante de temporada vivido sob o comando de Tite.
Créditos da foto de capa: Gustavo Aleixo/Cruzeiro.