Quando se fala sobre os jovens talentos da seleção espanhola, o nome mais lembrado costuma ser Lamine Yamal. Aos 18 anos, o atacante do Barcelona chama atenção por sua capacidade de decidir partidas e pela maturidade incomum para a idade. No entanto, a goleada da Espanha por 4 a 0 sobre a Arábia Saudita mostrou que existe outro fenômeno igualmente importante para o presente e para o futuro da Roja: Pau Cubarsí.
Aos 19 anos, o zagueiro do Barcelona protagonizou uma atuação que vai muito além dos números tradicionais de defesa. Ele não marcou gols, não deu assistências e não apareceu diretamente nas estatísticas ofensivas mais populares. Mesmo assim, foi um dos principais responsáveis pela mudança de desempenho da equipe em relação à estreia diante de Cabo Verde.
Se no primeiro jogo a Espanha sofreu com uma circulação de bola lenta e previsível, contra os sauditas a equipe encontrou muito mais fluidez. E boa parte disso começou nos pés de Cubarsí.
A saída de bola que transformou o jogo da Espanha

Uma das maiores qualidades do futebol espanhol ao longo das últimas décadas sempre foi a capacidade de controlar o jogo através da posse de bola. Para isso funcionar, a construção das jogadas precisa começar de maneira eficiente desde o setor defensivo.
Foi exatamente aí que Cubarsí brilhou.
Os números divulgados pela FIFA ajudam a explicar a dimensão de sua atuação. O jovem defensor completou 97 dos 98 passes que tentou durante a partida. Isso representa impressionantes 99% de precisão.
O dado já seria excelente para qualquer jogador de meio-campo. Para um zagueiro que participou ativamente da construção ofensiva durante os 90 minutos, o número se torna ainda mais relevante.
Mas o aspecto mais impressionante não está apenas na precisão dos passes.
Cubarsí não se limitou a trocar passes laterais para manter a posse. Sua função foi muito mais agressiva. Ele tentou 24 passes que superaram linhas de marcação adversárias e completou todos eles.
Foram 24 acertos em 24 tentativas.
Esse tipo de passe é fundamental
porque acelera a progressão da equipe e permite encontrar jogadores em posições mais perigosas. Quando um zagueiro consegue quebrar linhas de forma consistente, ele reduz a necessidade de longas trocas de passes e facilita a criação de oportunidades.
Foi exatamente isso que aconteceu.
A Espanha conseguiu se instalar constantemente no campo ofensivo porque Cubarsí encontrava espaços que muitos jogadores não conseguem enxergar. Seus passes permitiam que nomes como Pedri, Dani Olmo e Lamine Yamal recebessem a bola já em condições favoráveis para atacar a defesa saudita.
Muito mais do que um simples zagueiro
Outro aspecto que chama atenção na atuação de Cubarsí é a quantidade de responsabilidades que ele assumiu durante a partida.
Entre todos os jogadores da Espanha, apenas Rodri tentou mais passes que o jovem defensor. Isso mostra que sua participação não foi ocasional. Ele esteve envolvido praticamente em todas as fases da construção ofensiva.
Em muitos momentos, parecia ser o verdadeiro organizador da equipe.
A influência do zagueiro ajuda a entender por que Luis de la Fuente tem apostado cada vez mais nele como peça indispensável da seleção. Em um futebol onde as equipes pressionam cada vez mais alto, contar com um defensor capaz de iniciar jogadas com qualidade se tornou uma vantagem competitiva enorme.
Os números mostram isso com clareza.
Enquanto muitos zagueiros concentram suas ações em afastamentos e disputas físicas, Cubarsí participou diretamente da criação do jogo. Sua capacidade técnica permite que a Espanha mantenha seu estilo tradicional de posse e controle sem perder velocidade na circulação da bola.
A comparação com alguns dos grandes defensores construtores do futebol começa a surgir naturalmente.
Eficiência defensiva completa uma atuação de elite
Se o desempenho com a bola impressionou, a atuação sem ela também merece destaque.
Frequentemente, jovens zagueiros que se destacam na construção ofensiva apresentam dificuldades defensivas. Não foi o caso de Cubarsí.
Durante a partida, ele registrou três desarmes, três interceptações e duas recuperações de bola sob pressão. Além disso, interrompeu oito posses de bola da Arábia Saudita.
São números que demonstram atenção defensiva constante mesmo em uma partida de amplo domínio espanhol.
A atuação física também chamou atenção.
Cubarsí percorreu 10,7 quilômetros durante os 90 minutos e atingiu uma velocidade máxima de 32 km/h. Para um jogador de sua posição, esses dados reforçam sua capacidade de atuar em uma linha defensiva avançada, característica essencial para equipes que pressionam o adversário no campo de ataque.
O conjunto dos números mostra um atleta extremamente completo.
Ele foi preciso nos passes, agressivo na quebra de linhas, participativo na construção ofensiva, eficiente na recuperação da posse e sólido defensivamente.
Por isso, embora os holofotes continuem naturalmente voltados para Lamine Yamal, a vitória sobre a Arábia Saudita deixou uma mensagem importante. A nova geração da Espanha não possui apenas um fenômeno.
Pau Cubarsí está mostrando que pode ser tão importante para o futuro da seleção quanto qualquer outro talento surgido nos últimos anos. E se mantiver esse nível de desempenho ao longo da Copa do Mundo, seu nome passará a ocupar um espaço cada vez maior entre os protagonistas da Espanha.
(Foto de capa: Florencia Tan Jun/Getty Images)