Cuiabá
Futebol Brasileirão Série B

Cuiabá reclama de calotes: futebol brasileiro está sujeito a isso?

Nesta quarta-feira (26), Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, fez duras críticas à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), órgão criado pela CBF para intermediar conflitos entre federações e clubes. Com valores pendentes a receber de Corinthians, Santos e Atlético-MG, o dirigente afirmou que o sistema atual favorece a inadimplência e facilita o descumprimento de acordos financeiros.

A CNRD foi estabelecida em 2015 pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com o propósito de agilizar a resolução de disputas no futebol brasileiro, evitando a necessidade de processos judiciais. No entanto, o Cuiabá se sente prejudicado pelo funcionamento do órgão, especialmente após a implementação de planos coletivos de parcelamento de débitos para clubes devedores, que muitas vezes ignoram juros e flexibilizam o cumprimento dos contratos.

Dívidas de clubes com o Cuiabá

O Cuiabá pode deixar de receber aproximadamente R$ 34 milhões devidos por Corinthians, Santos e Atlético-MG. O Corinthians, por exemplo, contratou o volante Raniele por três milhões de euros, divididos em quatro prestações, mas os atrasos elevaram a dívida para cerca de R$ 19 milhões. No total, o clube paulista deve R$ 55 milhões na CNRD e propôs um parcelamento em dez anos, sem juros, apenas com correção da inflação. Essa proposta resultaria em um prejuízo de aproximadamente R$ 2,28 milhões por ano para o Cuiabá, apenas em juros não cobrados.

O Santos também está em débito com a equipe mato-grossense. Desde 30 de janeiro, o clube não quitou a última parcela de um milhão de euros pela compra do zagueiro Joaquim, realizada em fevereiro de 2023. Devido ao atraso, uma multa de 30% foi aplicada, elevando a dívida para 1,3 milhão de euros. Além disso, o Cuiabá manteve 30% dos direitos econômicos do atleta, que foi revendido ao futebol mexicano. Apesar de ter recebido a segunda parcela dessa venda no último dia 11, o Santos ainda não repassou o valor ao Cuiabá. Mesmo enfrentando dificuldades financeiras, o clube conseguiu um acordo coletivo na CNRD para o pagamento de 17 processos, sem a incidência de juros.

Já o Atlético-MG adquiriu o atacante Deyverson por R$ 4,5 milhões, a serem pagos em quatro parcelas. O Galo quitou a primeira prestação de R$ 500 mil, mas não efetuou o pagamento da segunda, que venceu em 15 de setembro do ano passado. Diante do não cumprimento do compromisso, o Cuiabá acionou a CNRD para cobrar a dívida.

Insatisfação do Cuiabá com a CNRD

O presidente Cristiano Dresch reforçou seu descontentamento com a atuação da CNRD, argumentando que o órgão, ao permitir acordos que flexibilizam os pagamentos e isentam os clubes de juros, está incentivando a inadimplência no futebol brasileiro. Segundo ele, o sistema atual beneficia equipes que continuam ativas no mercado da bola sem honrar seus compromissos financeiros.

Dessa forma, o Cuiabá segue buscando medidas legais para garantir o recebimento dos valores devidos por Corinthians, Santos e Atlético-MG, recorrendo à CNRD para cobrar os montantes pendentes referentes às transferências de Raniele, Joaquim e Deyverson.

Como o Cuiabá busca recuperar suas dívidas?

Além disso, o Cuiabá enfrenta desafios financeiros internos. Em setembro de 2024, o clube teve R$ 18.560,23 bloqueados judicialmente devido a uma dívida com o Mixto, referente à divisão de renda de um jogo do Campeonato Mato-grossense de 2023. O Cuiabá recorreu da decisão, mas o Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve o bloqueio dos valores.

Em termos de gestão financeira, o Cuiabá tem se destacado por sua eficiência. Em 2022, o clube apresentou uma dívida quase nula, mantendo-se estável na primeira divisão do futebol brasileiro, apesar das limitações orçamentárias.

Recentemente, a diretoria do Cuiabá reforçou seu departamento de futebol com a contratação de Farnei Coelho como gerente de mercado, visando aprimorar a gestão e potencialmente melhorar a saúde financeira do clube.

Essas ações demonstram o esforço do Cuiabá em recuperar valores devidos por outros clubes e manter uma gestão financeira responsável, mesmo diante de desafios internos e externos.

(Foto: AssCom Dourado)