A passagem de Roberto De Zerbi pelo Olympique de Marseille chegou ao fim de maneira repentina em fevereiro de 2026, encerrando um ciclo de um ano e meio à frente do comando técnico do tradicional clube francês. O anúncio oficial foi feito nesta quarta-feira (11), confirmando a decisão tomada em comum acordo entre o treinador italiano e a diretoria, após semanas de crescente instabilidade esportiva e tensão interna. A saída ocorre em um momento sensível da temporada, com a equipe fora da zona de classificação direta para a UEFA Champions League e acumulando resultados irregulares na Ligue 1.
O estopim para o desfecho foi a contundente derrota por 5 a 0 diante do PSG, no último fim de semana pela Ligue 1, no Parc des Princes. O clássico, além de ampliar a diferença para o maior rival na tabela de classificação, escancarou fragilidades que vinham sendo mascaradas por atuações pontuais. O Olympique de Marseille demonstrou desorganização defensiva, pouca capacidade de reação e ausência de padrão tático consistente, fatores que intensificaram as críticas internas e externas ao trabalho do treinador.
De Zerbi assumiu o comando do Velodrome em 2024, credenciado por um trabalho elogiado no Brighton, da Inglaterra. Na Premier League, destacou-se por implementar um modelo ofensivo baseado em posse de bola qualificada, construção desde a defesa e intensa movimentação entre linhas, extraindo alto rendimento de um elenco considerado inferior financeiramente aos gigantes ingleses. A expectativa no sul da França era de que essa filosofia pudesse reduzir a hegemonia doméstica do PSG e recolocar o Marseille no centro das disputas nacionais e continentais.
Em sua primeira temporada, os sinais foram animadores para o Olympique de Marseille, sob o comando do técnico Roberto De Zerbi. O clube terminou a Ligue 1 na segunda colocação, garantindo vaga direta na Champions League e reacendendo o entusiasmo da torcida. A diretoria reforçou publicamente a confiança no projeto, apostando na continuidade como caminho para consolidar um novo ciclo competitivo. Contudo, a campanha 2025/26 mostrou-se mais turbulenta do que o esperado.
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Além da goleada no Le Classique para o PSG na Ligue 1, o Olympique de Marseille sofreu eliminações dolorosas na UEFA Champions League. Derrotas por três gols de diferença para adversários como o Club Brugge e um desempenho insuficiente na fase de liga culminaram em uma saída precoce da competição europeia, onde perdeu a vaga nos playoffs para o Benfica. A frustração continental somou-se às oscilações domésticas, alimentando a percepção de que o time não evoluía conforme o planejamento inicial.
No momento da saída de De Zerbi, o Marseille ocupava a quarta posição na Ligue 1 — sua pior colocação desde a chegada do italiano. Embora ainda estivesse na disputa por vaga na próxima Champions, a irregularidade passou a ser o traço dominante da equipe. Sequências de boas atuações eram frequentemente interrompidas por partidas apáticas ou vulneráveis defensivamente, minando a confiança do ambiente.Taticamente, o treinador manteve fidelidade a seus princípios, mas promoveu constantes variações de formação ao longo da temporada.
Alternâncias entre linhas de três e quatro defensores, ajustes na saída de bola e mudanças frequentes nas funções ofensivas criaram uma sensação de instabilidade para o Olympique de Marseille nos últimos jogos com De Zerbi. A ausência de um desenho consolidado acabou dificultando a assimilação plena das ideias, especialmente em momentos de maior pressão competitiva. Internamente, relatos apontam que o relacionamento entre o técnico e parte do elenco se desgastou progressivamente.
Treinamentos intensos, exigência tática rigorosa e críticas públicas após derrotas teriam impactado a atmosfera do vestiário. Embora a diretoria tenha sustentado o discurso de apoio ao projeto, o acúmulo de resultados abaixo das expectativas e a pressão externa tornaram a permanência insustentável. Em comunicado oficial, o Olympique de Marseille agradeceu a De Zerbi pelo “comprometimento, profissionalismo e dedicação” ao longo do período no clube. O texto ressaltou que, após reuniões envolvendo proprietário, presidente e diretor esportivo, concluiu-se que uma mudança no comando técnico seria necessária para enfrentar os desafios imediatos da temporada.
A saída do treinador italiano no comando do Olympique de Marseille simboliza mais do que uma resposta emocional à derrota no Le Classique. Trata-se da soma de fatores que incluem desempenho irregular, eliminações traumáticas, divergências internas e desalinhamento entre proposta tática e resultados práticos. Para um clube com tradição continental e ambição de protagonismo, a decisão representa uma tentativa de reorientação estratégica antes do encerramento da temporada.

Após a saída de Roberto De Zerbi, qual será a resposta do Olympique de Marseille na Ligue 1 na disputa por uma vaga na Champions League?
A troca no comando técnico inaugura um momento decisivo para o Marseille na reta final da Ligue 1. Ainda inserido na briga por uma vaga na próxima Champions League, o clube precisa reagir rapidamente para não comprometer o planejamento esportivo construído nos últimos anos. Mais do que uma simples substituição de treinador, trata-se de redefinir prioridades em meio à pressão por resultados imediatos.
O primeiro impacto costuma ser emocional. Em cenários de desgaste entre comissão técnica e elenco, a mudança pode gerar sensação de alívio e renovação. Jogadores que vinham atuando sob forte cobrança tática tendem a se sentir mais livres, o que pode resultar em aumento de intensidade e simplificação das ações dentro de campo. Historicamente, esse efeito imediato muitas vezes se traduz em melhora pontual de desempenho.
O Marseille necessita precisamente dessa consistência inicial. Apesar das oscilações, o elenco mantém qualidade técnica suficiente para competir nas primeiras posições. Um comando interino ou um novo treinador com perfil mais pragmático provavelmente priorizará organização defensiva, compactação entre linhas e transições rápidas, reduzindo riscos excessivos na saída de bola — característica marcante da era De Zerbi.
Na Ligue 1, a margem para erros é curta. PSG, Monaco e Lille mantêm regularidade, tornando cada rodada determinante. Diante desse cenário, o Marseille pode optar por um modelo menos elaborado e mais orientado ao resultado, mesmo que isso implique abrir mão da identidade baseada em posse prolongada e construção paciente.
A gestão das lideranças do elenco também será crucial. Jogadores experientes assumem papel central na manutenção do equilíbrio interno, funcionando como elo entre grupo e nova comissão técnica. A capacidade de reorganizar o ambiente e restaurar a confiança coletiva pode influenciar diretamente o rendimento nas partidas decisivas.
Taticamente, a tendência é de maior prudência. Sob De Zerbi, o time frequentemente assumia riscos elevados na circulação de bola, o que, embora proporcionasse controle territorial, deixava espaços vulneráveis em caso de perda. Uma abordagem mais equilibrada pode oferecer solidez defensiva — aspecto determinante na disputa acirrada por vagas europeias.
O fator casa também pode exercer influência significativa. O Velodrome historicamente impulsiona o time em momentos críticos. A mudança de comando pode reacender o apoio das arquibancadas, transformando o ambiente em elemento motivador na reta final.
Entretanto, mudanças no decorrer da temporada carregam riscos evidentes. O tempo reduzido para treinos e ajustes limita a implementação de novas ideias. Caso os resultados não apareçam rapidamente, a pressão externa pode intensificar-se, criando novo ciclo de instabilidade.
O Marseille entra, portanto, em fase de pragmatismo absoluto. A reação nas próximas rodadas determinará se a saída de De Zerbi funcionará como ponto de inflexão positivo ou como agravamento de um processo já delicado.

Será que o Marseille vai manter a competitividade até o fim da temporada após a saída de De Zerbi?
A ausência de Roberto De Zerbi coloca o Olympique de Marseille diante de um teste imediato de maturidade esportiva. Em plena reta decisiva da temporada, o clube precisa demonstrar capacidade de adaptação rápida para manter-se competitivo na luta por vaga continental. A questão central é se a equipe conseguirá sustentar desempenho consistente sem o treinador que moldou sua identidade tática por 18 meses.
A resposta passa, antes de tudo, pela força do elenco. O grupo conta com atletas experientes e habituados a contextos de alta pressão. Em situações de transição, muitas equipes encontram motivação adicional para provar resiliência, transformando a mudança em estímulo competitivo.
Do ponto de vista estratégico, a tendência é simplificação. Sem a rigidez conceitual anterior, o time pode adotar postura mais equilibrada, priorizando segurança defensiva e eficiência nas finalizações. Em disputas decididas ponto a ponto, pragmatismo costuma ser aliado valioso.
Contudo, o risco de desorganização momentânea é real. Ajustes precipitados, insegurança coletiva e concorrência direta intensa podem dificultar a estabilização do rendimento. Sobreviver na temporada dependerá menos de sofisticação tática e mais de disciplina, comprometimento e capacidade de resposta imediata.
O Marseille encontra-se, assim, em encruzilhada decisiva. Se transformar a mudança em renovação de energia, poderá consolidar-se entre os primeiros colocados e garantir presença na próxima Champions League. Caso contrário, a saída de De Zerbi poderá marcar não apenas o fim de um ciclo técnico, mas o início de um período de incertezas esportivas.
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