Roberto De Zerbi assume um Tottenham à beira do colapso, com apenas sete jogos restantes e a ameaça real de um rebaixamento que não acontece desde 1977. Não é exagero: o clube londrino está jogando a temporada e talvez o próprio futuro em uma última cartada.
A saída de Igor Tudor, que era visto como “bombeiro”, acabou sendo mais gasolina no incêndio. Um ponto em cinco jogos, desempenho fraco e um time cada vez mais perdido em campo. Resultado? Spurs agora estão apenas um ponto acima da zona de rebaixamento.
E aí entra De Zerbi. Nome badalado, estilo ofensivo, ideias modernas… mas com uma grande questão no ar: será que ele chegou tarde demais?
Estilo bonito… mas funciona sob pressão?
Se tem uma coisa que define De Zerbi, é identidade. Seus times jogam com posse de bola, passes curtos e muita coragem, às vezes até coragem demais. O problema é que esse tipo de jogo não costuma dar resultado imediato.
Quando assumiu o Brighton no meio da temporada 2022, o italiano demorou para engrenar: foram cinco jogos sem vencer no início. Em outros trabalhos, o começo foi ainda mais complicado. No Palermo, por exemplo, durou menos de três meses. No Benevento, começou com nove jogos sem vitória.
Agora imagina repetir esse roteiro no Tottenham… Spoiler: não dá. Com sete rodadas restantes, o clube não tem tempo para adaptação. Não existe “processo”. É resultado na veia.
Segundo projeções da Opta, algo em torno de oito pontos nesses jogos pode ser suficiente para escapar do rebaixamento. Curiosamente (ou assustadoramente), esse é justamente o melhor desempenho de De Zerbi em inícios de trabalhos no meio da temporada.
Ou seja: vai ser no limite.
Entre o curto prazo e o sonho de longo prazo
Apesar da situação urgente, o Tottenham já pensa lá na frente. O clube ofereceu um contrato de cinco anos para De Zerbi, deixando claro que vê o italiano como peça de reconstrução.
Mas aí entra outro detalhe curioso: a carreira dele não costuma ser longa nos clubes. Seu trabalho mais duradouro foi no Sassuolo, onde ficou três temporadas. Fora isso, raramente passa de dois anos e em metade dos seus trabalhos não chegou nem a 30 jogos.
E convenhamos: o Tottenham também não é exatamente conhecido por paciência com treinadores. Desde a saída de Mauricio Pochettino, a dança das cadeiras virou rotina.
Ou seja, o casamento pode até começar com planos de longo prazo… mas todo mundo sabe que, no futebol, isso depende muito dos primeiros resultados.
Gênio tático… e personalidade forte
Dentro de campo, De Zerbi é altamente respeitado.
Treinadores da elite europeia já apontaram o italiano como uma das mentes mais inovadoras do futebol atual. Seu modelo de jogo, com construção desde a defesa e controle de espaço, chegou até a incomodar Pep Guardiola em alguns momentos.
Não é pouca coisa. Mas nem tudo são flores. Fora de campo, o italiano também carrega fama de ser… digamos, intenso. Muito intenso.
Na passagem pelo Marseille, houve episódios de tensão com jogadores, críticas públicas ao elenco e até relatos de conflitos internos mais sérios. Em alguns momentos, parecia mais alguém colocando fogo no vestiário do que apagando. E isso levanta um alerta importante.
O Tottenham já é um time emocionalmente abalado. Jogadores pressionados, torcida impaciente e um ambiente pesado. Talvez o que o clube mais precisasse agora fosse justamente o oposto: calma.
E a torcida? Compra a ideia de De Zerbi?
Curiosamente, sim. Mesmo com os riscos, muitos torcedores veem De Zerbi como uma luz no fim do túnel. Afinal, o time precisa de algo novo e rápido.
Além disso, existe aquela sensação de “e se?”. Muita gente queria o italiano desde a temporada passada. Agora, ele chega… mas no pior cenário possível.
Se der certo, vira história de redenção. Se der errado, vai ficar aquela impressão de que chegou tarde demais.
A matemática é simples: sete jogos, sete finais. O Tottenham não pode se dar ao luxo de testar ideias, errar e corrigir depois. Cada ponto pode definir o futuro do clube.
E ainda tem concorrência direta. Se rivais como o West Ham embalarem uma sequência positiva, a situação pode sair do controle rapidamente.
Última cartada
A chegada de De Zerbi é, sem dúvida, empolgante. É um treinador que propõe, que arrisca e que pode mudar o patamar do time a longo prazo. Mas o futebol nem sempre respeita roteiro.
No momento, o Tottenham não precisa de revolução. Precisa de sobrevivência. E essa é a grande dúvida: será que um técnico que pensa no futuro é a melhor escolha para um time que precisa desesperadamente vencer no presente?
Porque, no fim das contas, não tem muito mistério. Ou De Zerbi salva o Tottenham… Ou essa aposta vira mais um capítulo caótico na história recente dos Spurs.
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