Neste domingo (2), tivemos a grande decisão da Supercopa do Brasil. O jogo foi realizado no Pará, no estádio Mangueirão. O campeão brasileiro, Botafogo, enfrentou seu principal rival e campeão da Copa do Brasil, Flamengo. Sendo a primeira grande decisão para ambos os times, a expectativa das torcidas estava alta para essa grande final. Com um placar surpreendente, o rubro-negro carioca venceu o time da Estrela Solitária por 3 a 1, com gols de Bruno Henrique e Luiz Araújo.
A derrota, com gosto amargo, irrita a torcida alvinegra carioca, mas não é algo que surpreende os torcedores. Neste texto, explicarei e contextualizarei por que essa derrota não pegou ninguém desprevenido.
O que aconteceu com o Botafogo campeão da América?
Essa pergunta é fácil e rápida de responder. Logo após a conquista do Brasileiro, o futuro do treinador Artur Jorge tornou-se incerto. O técnico e sua comissão queriam uma valorização pós-conquista e uma extensão de contrato. No entanto, o empresário americano e dono do Botafogo, John Textor, afirmou que só conversaria com o treinador após a disputa do Intercontinental de Clubes. A conversa nunca ocorreu e, dias depois do fim da temporada, Artur Jorge foi apresentado como novo técnico do Al Rayyan.
Além da saída do treinador, também houve as partidas de Luiz Henrique e Thiago Almada. Ambos já estavam “certos” de que jogariam apenas uma temporada no Botafogo. Suas ausências foram sentidas, e arrisco dizer que substituí-los é ainda mais complexo do que substituir o técnico português.
Desde a saída de Artur Jorge, o Botafogo buscou alguns nomes para ocuparem o cargo, tratando tudo com sigilo e cuidado. No entanto, nenhum técnico foi contratado, e o time teve que começar a temporada sob o comando de Carlos Leiria, técnico do Sub-20.
O brilho eterno de um time sem lembranças
Parafraseando o jornalista Lédio Carmona, o Botafogo de Leiria, para vencer o Flamengo, teria que “jogar de memória”. Isso evidencia o quanto o treinador do Sub-20 não estava preparado para assumir o time principal. O clube carioca enfrentou seu primeiro desafio do ano tendo que se apoiar no entrosamento do passado, tentando relembrar a potência que foi meses atrás. Como era esperado, não conseguiu. Aquele time campeão tornou-se apenas uma eterna lembrança.
John Textor afirmou à mídia brasileira que a temporada do Botafogo só começará em abril, desconsiderando as finais da Supercopa do Brasil e da Recopa Sul-Americana.
A demora na contratação de um novo treinador impacta diretamente a pré-temporada da equipe. Apesar da base do elenco estar de volta, foi noticiado que o Botafogo ainda não havia realizado um treino tático sob o comando de Leiria.
Com alguns nomes especulados, Textor ainda não tomou uma decisão, e o alvinegro teve que enfrentar o Flamengo sem treinador. O resultado foi uma vitória fácil do rival.
Desmanche no banco de reservas
O Botafogo de 2024 aprendeu com os erros de 2023: só se ganham campeonatos com um banco de reservas sólido. O elenco contava com jogadores importantíssimos, como Tiquinho Soares, Eduardo, Óscar Romero, Tchê Tchê, Danilo Barbosa e Marçal.
A ideia transmitida à torcida era de que o banco de reservas sempre seria uma arma desse novo Botafogo. Porém, a temporada de 2025 começou, e todos esses jogadores foram vendidos ou não tiveram seus contratos renovados. Tiquinho foi para o Santos, Eduardo para o Cruzeiro, Marçal para o Fluminense e Tchê Tchê para o Vasco.
Sem reposição, o banco, que uma vez contava com ótimos jogadores, agora é formado por garotos.
A falta de contratações
A falta de reforços preocupa o torcedor. Com tantas saídas, o esperado era que o clube fizesse contratações para fortalecer o elenco.
Com exceção de Arthur, ponta que estava no Zenit, o Botafogo teve algumas especulações, mas nenhuma negociação concreta confirmada pelo clube. Algumas dessas especulações não animaram a torcida, como o ex-Vasco Rwan Cruz, o nome mais recente ventilado. Jogadores como Bittelo, Marlon Gomes, Jair e David Ricardo foram mencionados na mídia, mas até agora nenhuma contratação foi oficializada.
O Botafogo vai melhorar?
A esperança é que sim. O torcedor acredita — e com razão — na gestão de John Textor. No entanto, a falta de contratações e a ausência de um técnico irritam uma torcida que, até pouco tempo atrás, estava de bem com a vida. O botafoguense é um sujeito de sorte, mas a sorte não será suficiente para manter a torcida feliz.
O time é inferior ao do ano passado não apenas pela derrota na Supercopa, mas pelos erros cometidos neste início de ano. A ausência de um treinador, a falta de reforços e a falta de comunicação com a torcida flertam com aquilo que o botafoguense mais teme reviver: o amadorismo.