João Fonseca perdeu para Ben Shelton nas oitavas de final do Masters 1000 de Montreal. Em um jogo ruim do brasileiro, o saque fez a diferença e não conseguiu se sustentar, mesmo após quebrar o adversário no começo de cada set. No entanto, como acontece após cada derrota do carioca, o assunto tem dominado as redes sociais.
Diversas opiniões e, pior, afirmações sobre o tenista surgiram, transformando a derrota no fim do mundo. Não é. Encontram culpa no calendário, ou na equipe, ou em situações inventadas em suas próprias cabeças quando a resposta é só uma: Fonseca jogou mal e isso vai acontecer outras vezes.
Com apenas 19 anos, há um fator que ainda atrapalha João: a falta de experiência. O caminho não é fácil e cada derrota também pode se tornar um aprendizado. Não há qualquer motivo para transformar isso em uma tempestade todas as vezes.

João Fonseca perdeu, agora segue em frente
O tênis é um esporte individual muito duro para qualquer atleta profissional. Se você perder, você está fora e não há chances de voltar para disputar o título. É muito diferente do maior esporte do Brasil, o futebol. É claro, mata-mata existe e tem esse mesmo peso, só que se trata de um esporte coletivo.
Sem contar que, mesmo perdendo, por exemplo, uma partida nas oitavas da Libertadores, o time já volta para disputar o Brasileirão. Há uma continuação naquilo e ainda pode brigar para ser campeão em outro torneio. Tênis funciona um pouco diferente. As derrotas são sempre no estilo mata-mata, mas com muito mais competições durante o ano.
Para torcedores, isso também significa uma frustração maior, já que podem ver seu tenista favorito sem chances de conquistar o troféu daquela semana. É quase como se o atleta perdesse na Libertadores ou na Copa do Brasil todas as semanas. Isso poderia explicar as reações exageradas para as derrotas de João Fonseca.
Após cada derrota, a conversa que se vê nas redes sociais é a mesma: “precisa trocar de técnico/time”; “não tá jogando nada há muito tempo”; “tem que jogar mais torneios”; “não pode ter uma parada tão longa”; “nunca vai estar entre os melhores se seguir assim”. É quase como colocar o mesmo CD para tocar toda vez que o brasileiro perde.
João perdeu; agora vai seguir em frente. Nesta quinta-feira (13), já começa a disputa no Masters 1000 de Cincinnati e, para alinhar as expectativas dos iludidos, Fonseca está bem longe de ser um favorito.

O saque realmente é uma preocupação
As reações e as reclamações são bem exageradas, como todas as vezes, mas há sim uma preocupação pelo que vimos em Montreal. João Fonseca não encontrou o seu primeiro saque em nenhuma partida que teve. Na ATP, o serviço é o principal fundamento e, sem ele, qualquer duelo fica mais complicado.
Não se sabe o que aconteceu, já que, em Roland Garros, por exemplo, o brasileiro estava com um bom saque. Quando foi jogar na grama, a qualidade começou a baixar e, no Canadá, simplesmente perdeu de vez. Há várias hipóteses para esse assunto, mas apenas o próprio tenista e sua equipe sabem a real razão.
É possível que seja apenas porque ficou parado desde Wimbledon e ainda não encontrou um ritmo bom, o que pode melhorar em Cincinnati. Mas também pode ser que a lesão na coluna, que afetou o primeiro semestre inteiro, seja mais grave do que deram a entender. E, por conta disso, promoveram algumas mudanças no serviço.
Isso preocupa mais, pois João costumava ter saques muito rápidos, passando de 220 km/h de forma fácil. Em Montreal, essa velocidade não foi vista e, na verdade, teve uma grande dificuldade em sacar acima de 200 km/h. Seja qual for o motivo para isso, é o que precisa ser corrigido com pressa.
A disputa em Cincinnati será uma oportunidade para observar se João Fonseca está com real problema no serviço ou foi apenas algo momentâneo.
Foto: Minas Panagiotakis/Getty Images via AFP



