Robelis Despaigne
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Robelis Despaigne tenta recomeço no MMA contra Junior Cigano após passagem frustrante pelo UFC

Robelis Despaigne terá neste sábado talvez a luta mais importante de sua carreira desde a saída do UFC. O cubano enfrentará Junior dos Santos no primeiro evento da MVP MMA, organização criada por Jake Paul, em uma tentativa clara de reconstruir a trajetória que parecia extremamente promissora poucos anos atrás.

A luta carrega peso importante para os dois lados. Para Cigano, representa mais uma oportunidade de seguir relevante no cenário internacional após deixar o UFC. Já para Despaigne, o combate funciona praticamente como um teste definitivo para saber se ele realmente conseguiu evoluir a principal deficiência que destruiu seu início de trajetória no MMA de elite: o jogo de chão.

Poucos lutadores viveram uma mudança tão brusca de percepção quanto o cubano.

Quando chegou ao MMA profissional, Despaigne rapidamente virou uma das maiores curiosidades entre os pesos-pesados. Dono de currículo importante no taekwondo, incluindo medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012, ele chamava atenção principalmente pelo porte físico incomum para um striker tão explosivo.

O início no MMA aumentou ainda mais o hype.

Despaigne venceu suas quatro primeiras lutas profissionais por nocaute ainda no primeiro round, muitas delas de maneira extremamente violenta. O impacto visual dos nocautes rapidamente transformou o cubano em uma sensação nas redes sociais e no circuito internacional.

O UFC acelerou imediatamente sua contratação.

Na estreia pela organização, em 2024, Despaigne derrotou Josh Parisian em apenas 18 segundos, resultado que lhe rendeu bônus de Performance da Noite no valor de 50 mil dólares.

Naquele momento, parecia surgir um novo nome explosivo para a categoria dos pesos-pesados.

Mas a ascensão acabou sendo interrompida muito rapidamente.

Grappling expôs principal fraqueza de Despaigne

Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC via Getty Images

As derrotas para Waldo Cortes-Acosta e Austin Lane mudaram completamente a percepção ao redor do cubano.

Nos dois confrontos, Despaigne encontrou exatamente o tipo de adversário que costuma representar enorme perigo para strikers vindos de modalidades como taekwondo ou kickboxing: lutadores fisicamente fortes, capazes de controlar distância curta e levar o combate para o grappling.

O problema não foi apenas perder.

O cubano foi amplamente dominado no wrestling, sofreu para defender quedas e teve enorme dificuldade para escapar de situações de controle no chão. A limitação ficou tão evidente que o UFC optou por encerrar rapidamente sua passagem pela organização.

Esse tipo de cenário não é raro no MMA moderno.

Historicamente, muitos atletas oriundos de esportes de trocação sofrem enorme adaptação quando enfrentam grapplers completos no mais alto nível. E na divisão dos pesados isso se torna ainda mais evidente, porque o controle físico no clinch e no solo costuma ser extremamente desgastante.

Mesmo assim, Despaigne garante que utilizou os últimos dois anos justamente para trabalhar essa deficiência.

Após deixar o UFC, o cubano passou a atuar no Karate Combat, evento focado principalmente em trocação. Lá, voltou a conseguir nocautes impressionantes e recuperou parte da confiança perdida.

Mas existe um detalhe importante: mesmo sem precisar utilizar wrestling no Karate Combat, Despaigne afirma que nunca deixou de treinar MMA completo durante esse período.

Segundo ele, a ideia de retornar ao esporte sempre esteve presente.

Junior Cigano pode representar teste perfeito

Foto: Esther Lin

O duelo contra Junior dos Santos talvez seja justamente o cenário ideal para medir o quanto Despaigne realmente evoluiu.

Cigano construiu praticamente toda sua carreira baseado no boxe e na trocação em pé. Ex-campeão peso-pesado do UFC, o brasileiro ficou conhecido principalmente pela velocidade das mãos, movimentação e poder de nocaute.

Mas Despaigne acredita que o veterano pode surpreender taticamente.

O cubano afirmou que espera uma estratégia baseada em controle de grade, quedas e grappling, justamente explorando a maior fragilidade apresentada por ele anteriormente no UFC.

Essa possibilidade faz bastante sentido estrategicamente.

Mesmo sendo reconhecido historicamente como striker, Cigano possui experiência enorme no MMA e provavelmente entende que trocar golpes limpos com Despaigne durante toda a luta representa risco muito alto. O cubano continua sendo extremamente perigoso na longa distância, principalmente utilizando chutes e explosão física herdados do taekwondo olímpico.

Além disso, o brasileiro possui dez derrotas na carreira e já sofreu muitos nocautes nos últimos anos, algo que naturalmente aumenta a cautela em trocas francas de golpes.

Por isso, a luta pode acabar funcionando como verdadeiro “teste de evolução” para Despaigne.

Se conseguir defender quedas, sobreviver no grappling e manter a luta em pé por longos períodos, o cubano pode recuperar rapidamente parte do prestígio perdido após sua saída do UFC.

Existe ainda outro fator importante: o tamanho da exposição.

O evento da MVP MMA será transmitido pela Netflix, algo que aumenta significativamente a visibilidade do card. O próprio Despaigne destacou isso como um dos motivos para considerar a oportunidade tão importante.

Participar do primeiro evento de MMA da plataforma coloca o cubano novamente em grande vitrine internacional.

E justamente por isso o combate contra Junior Cigano talvez represente muito mais do que apenas uma luta. Para Despaigne, pode ser a chance de provar que o fenômeno explosivo visto no início de carreira ainda existe, mas agora tentando retornar ao MMA como um atleta muito mais completo.

(Foto de capa: Getty Imagens)

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Kaique