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Robelis Despaigne volta ao UFC com novo jogo de chão e confiança renovada

Robelis Despaigne está pronto para iniciar uma segunda passagem pelo UFC com uma missão clara: provar que não é apenas um atleta perigoso na trocação. O cubano ficou conhecido pela velocidade, pela força dos golpes e pela capacidade de encerrar lutas rapidamente, mas sua primeira experiência na organização também revelou uma deficiência importante. Quando os adversários conseguiram levá-lo para o chão, Despaigne encontrou dificuldades para reagir.

Agora, antes de enfrentar Tai Tuivasa no UFC 331, o peso pesado afirma que o período longe do UFC serviu para corrigir justamente esse problema. A passagem pelo Karate Combat, a conquista do cinturão dos pesos pesados e o retorno ao MMA ajudaram o lutador a ganhar confiança e a trabalhar aspectos técnicos que antes não faziam parte de seu jogo.

Despaigne chega ao confronto com cartel de seis vitórias e duas derrotas. Apesar dos resultados negativos, ele ainda é considerado um atleta perigoso por causa de seu poder de nocaute e de sua experiência no taekwondo. O desafio será mostrar que sua evolução fora do UFC foi suficiente para transformar suas antigas limitações em novas ferramentas.

A primeira passagem pelo UFC expôs suas limitações

Robelis Despaigne

Antes de estrear no UFC, Despaigne havia vencido suas quatro lutas profissionais com apenas 5 minutos e 13 segundos somados dentro do cage. O número mostra como o cubano construiu sua reputação. Ele não precisava de longos combates para vencer. Sua velocidade, seu alcance e a potência dos ataques faziam com que os adversários tivessem pouco tempo para encontrar uma resposta.

Na estreia, em 2024, Despaigne confirmou as expectativas ao derrotar Josh Parisian em apenas 18 segundos. A atuação foi rápida e agressiva, com o cubano usando sua explosão para encerrar a luta antes que Parisian pudesse estabelecer uma estratégia.

O cenário mudou nos combates seguintes. Contra Waldo Cortes Acosta e Austen Lane, Despaigne foi colocado em situações nas quais não conseguia utilizar sua principal arma, a trocação. Os dois adversários exploraram a luta agarrada, levaram o cubano para o chão e mostraram que ele ainda precisava evoluir na defesa de quedas, no controle de posição e na capacidade de levantar.

Essas derrotas foram importantes porque revelaram que Despaigne dependia muito de manter a luta em pé. Seu desempenho ofensivo era perigoso quando tinha espaço para atacar, mas diminuía consideravelmente quando precisava trabalhar no chão. No UFC, onde os pesos pesados podem decidir uma luta com um único golpe, essa vulnerabilidade pode ser ainda mais perigosa.

Depois da segunda derrota, a organização decidiu dispensá-lo. Em vez de tratar esse período como o fim de sua trajetória, Despaigne aproveitou a oportunidade para competir em outro esporte de combate e buscar novas experiências.

O título no Karate Combat e a vitória sobre Junior dos Santos

Robelis Despaigne
Foto: Getty Imagens

Fora do UFC, Despaigne encontrou no Karate Combat uma oportunidade para continuar competindo e aprimorar sua preparação. Ele conquistou o cinturão dos pesos pesados da organização, resultado que ajudou a recuperar sua confiança depois dos problemas enfrentados no MMA.

A experiência também permitiu que o cubano continuasse desenvolvendo sua movimentação e sua capacidade de atacar em pé. O Karate Combat possui regras e dinâmica diferentes do MMA, mas exige controle de distância, velocidade e precisão. Esses elementos sempre fizeram parte do estilo de Despaigne e ajudaram a manter suas principais características ativas durante o período longe do UFC.

Em maio, ele retornou ao MMA em um evento da MVP e enfrentou Junior dos Santos. O adversário era um nome conhecido do esporte, com experiência em grandes eventos e histórico de lutas importantes. Mesmo assim, Despaigne não precisou de muito tempo para mostrar seu poder.

O cubano venceu por nocaute no primeiro round, retomando sua carreira no MMA com uma atuação dominante. A vitória teve valor simbólico e esportivo. Além de derrotar um adversário experiente, Despaigne mostrou que continuava sendo capaz de aproveitar sua principal qualidade: a potência dos golpes.

O resultado também serviu para convencer o UFC a recontratá-lo. A organização enxergou novamente o potencial de um peso pesado que pode oferecer lutas rápidas e momentos decisivos. No entanto, a nova passagem não será avaliada apenas pela capacidade de nocautear. A grande pergunta é se Despaigne realmente corrigiu os problemas apresentados contra Cortes Acosta e Austen Lane.

Ele afirma que sim. Segundo o próprio lutador, o período fora do UFC trouxe aproximadamente um ano de experiência e permitiu que ele trabalhasse com mais atenção o jogo de chão. A mudança pode ser decisiva contra Tai Tuivasa, que também é conhecido pelo poder de nocaute, mas costuma aceitar combates abertos e trocas intensas.

O confronto coloca dois pesos pesados agressivos frente a frente. Tuivasa tem experiência no UFC e sabe suportar pressão, enquanto Despaigne chega com confiança renovada e uma preparação diferente. Se o cubano conseguir manter a luta em pé, terá condições de explorar sua velocidade e seu alcance. Caso seja levado para o chão, precisará mostrar que a evolução anunciada realmente aconteceu.

A segunda passagem pelo UFC começa, portanto, com uma questão central. Despaigne ainda será apenas um especialista em nocautes rápidos ou poderá se tornar um lutador mais completo? A resposta começará a aparecer no UFC 331, quando ele enfrentará um adversário que também entende o peso de um golpe e que não costuma oferecer muito espaço para recuperação.

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Kaique