O Atlético de Madrid derrotou o Botafogo por 1 a 0 na última segunda-feira (23), na rodada final da fase de grupos da Copa do Mundo de Clubes, com um gol de Antoine Griezmann nos minutos finais. No entanto, para avançar às oitavas de final do torneio da FIFA, os colchoneros precisavam de uma vitória por dois gols de diferença, o que não aconteceu e acabaram sendo eliminados. O time espanhol terminou com os mesmos pontos do clube carioca, mas foi superado no saldo de gols.
Além disso, o Atlético teve o pior saldo no confronto direto entre as três equipes do Grupo B. Como Diego Simeone havia alertado após a derrota por 4 a 0 para o PSG na estreia, esse critério foi crucial para definir os classificados. Sua declaração ganhou destaque nas redes, pela postura respeitosa e pelo reconhecimento do estilo do clube brasileiro. Para o Botafogo, a vaga representa mais do que um avanço esportivo: o clube garantiu R$ 41 milhões e segue com chances de avançar no torneio.
A eliminação do Atlético surpreendeu a imprensa europeia. O time de Simeone venceu duas das três partidas, inclusive contra o Botafogo – um dos destaques da competição –, mas a goleada sofrida contra o PSG comprometeu sua campanha. O 4 a 0 no jogo de estreia expôs falhas defensivas que não foram resolvidas posteriormente. Contra o Botafogo, o time espanhol tomou iniciativa desde o início, ciente de que só uma vitória expressiva garantiria a classificação. Já o time carioca entrou em campo com vantagem: poderia perder por até dois gols e mesmo assim avançar. Por isso, o duelo parecia uma eliminatória disfarçada de fase de grupos.
A participação do Atlético no torneio acaba de forma simbólica: uma equipe competitiva, que reagiu após um início ruim, mas não conseguiu contornar as regras do formato. A eliminação destaca para os grandes clubes a importância dos critérios de desempate e da consistência desde a primeira rodada em competições curtas.

Diego Simeone ainda justifica o maior salário do mundo como técnico do Atlético de Madrid?
No comando do Atlético desde 2011, Simeone é uma das figuras mais marcantes do futebol europeu na última década. Com títulos como duas edições da La Liga (2013/14 e 2020/21), duas Ligas Europa (2012 e 2018) e duas finais de Champions League (2014 e 2016), o argentino se tornou ídolo no clube. Mas, com o aumento da competitividade, surge a pergunta: Simeone continua valendo o maior salário entre os técnicos?
Dados recentes indicam que “El Cholo” recebe cerca de 34 milhões de euros por temporada, entre salário e bônus – valor acima de treinadores como Pep Guardiola, Jürgen Klopp e Carlo Ancelotti. A diretoria justifica esse montante com a importância histórica de Simeone no crescimento do Atlético em todas as frentes: esportiva, estrutural e financeira. Sob o comando de Simeone, o time passou a disputar a Champions League regularmente, algo impensável antes de 2011. A competitividade frente ao duopólio Real Madrid–Barcelona também transformou o Atlético num protagonista na Espanha e na Europa.
Por outro lado, cresce a pressão. Eliminações precoces em competições continentais e oscilações na La Liga aumentam as críticas sobre o custo-benefício do projeto. Em 2024/25, por exemplo, o time foi eliminado nas quartas de Champions pelo Borussia Dortmund e não disputou o título nacional, reforçando o debate sobre uma possível estagnação. Mesmo assim, o legado de Simeone vai além dos resultados. Sua liderança definiu a identidade moderna do Atlético, pautada em disciplina tática, intensidade defensiva e resiliência — características que lhe deram sabor único sob sua gestão.
Aos 54 anos e com contrato até 2027, Simeone segue sendo referência no projeto colchonero. A resposta sobre merecer o maior salário talvez dependa da perspectiva: alguns argumentam que os resultados recentes não justificam o investimento; outros veem-no como insubstituível para a alma do clube. De qualquer forma, enquanto o Atlético acreditar que Simeone é peça-chave, o alto salário continuará sendo avaliado como válido.

Como Diego Simeone pretende transformar o Atlético de Madrid nas próximas temporadas
Mesmo após mais de dez anos no comando do Atlético de Madrid, Simeone demonstra que não está acomodado. Reconhecendo que seu modelo tradicional perde força, o técnico já planeja mudanças estruturais e táticas para as próximas temporadas, sem abrir mão da identidade forjada desde 2011:
O treinador vem gradualmente substituindo o pragmatismo do 4-4-2 compacto por esquemas mais versáteis e ofensivos, como 3-5-2 e 4-3-3. O objetivo é dar mais controle de bola ao Atlético e permitir que seja quem dite o ritmo do jogo.
Allém disso, com atletas veteranos em destaque, Simeone pediu à diretoria a renovação do grupo. Azpilicueta e Witsel devem ceder espaço a jovens como Pablo Barrios e Arthur Vermeeren, aumentando força física e criatividade para a janela de verão de 2025.
A eliminação para o arquirrival Real Madrid nas oitavas de Champions 2024/25 levou Simeone a alertar: “Temos que aprender a jogar para vencer, não apenas para sobreviver.” A meta agora é impor-se nos confrontos de alto risco.
Com orçamento inferior ao dos gigantes europeus, o Atlético de Madrid aposta em sua formação. Sublinhando jovens como Javier Currás, Adrián Niño e Marco Moreno, Simeone quer criar atletas adaptados à filosofia do clube, poupando gastos com contratações.
Em parceria com a diretoria, o técnico do Atlético de Madrid busca contratações pontuais, como um centroavante de peso e um lateral direito ofensivo. Nomes como Jonathan David estão sendo analisados para fortalecer o ataque.
Com contrato até 2027, Simeone aposta numa reformulação gradual para manter o Atlético na elite europeia. O desafio é alinhar tradição e inovação — missão que o “novo Simeone” parece determinado a cumprir, mantendo-se fiel à sua essência.
(Foto: Getty Images)