Futebol Brasileirão

Diniz faz Vasco jogar bem e escancara péssimo trabalho de Carille

A vitória por 3 a 0 do Vasco sobre o Fortaleza, neste sábado (17), não foi apenas um alívio para o torcedor vascaíno em meio a um início conturbado no Campeonato Brasileiro. Foi também uma afirmação do poder transformador de Fernando Diniz como treinador, e, ao mesmo tempo, uma exposição clara das falhas do trabalho anterior de Fábio Carille. Com praticamente as mesmas peças, o time mostrou outra cara, outra postura, outra alma.

Em apenas uma semana de trabalho efetivo, Diniz já conseguiu reorganizar a equipe, dar identidade ao jogo e devolver ao Vasco uma ideia de futebol que parecia perdida. O resultado foi uma atuação superior, com volume, posse, movimentação e, principalmente, coragem. O Vasco não se escondeu, não jogou por uma bola, não foi amassado. Enfrentou um adversário difícil, bem treinado por Vojvoda, e foi melhor.

O contraste: do medo ao protagonismo

A diferença mais gritante entre o Vasco de Diniz e o Vasco de Carille está na forma como a equipe se porta em campo. Sob o comando do antigo treinador, o time era excessivamente reativo, tímido na criação e frágil defensivamente. As linhas baixas, a falta de triangulações e a ausência de um plano ofensivo claro faziam com que o Vasco parecesse menor do que é, especialmente em casa.

Com Diniz, o roteiro mudou. O time tem a bola, propõe o jogo e ocupa o campo adversário com mais agressividade. Contra o Fortaleza, isso ficou evidente desde os primeiros minutos. O Vasco adiantou sua marcação, impôs ritmo e controlou o jogo por mais tempo. O primeiro gol, marcado por Vegetti, nasceu de uma jogada construída com paciência e aproximação — algo raro nas partidas anteriores.

Mais do que isso: o Vasco voltou a jogar de forma coletiva. Jogadores antes apagados passaram a participar mais do jogo. Hugo Moura, criticado sob o comando de Carille, teve uma atuação segura, bem posicionado como primeiro volante. Coutinho, por sua vez, mostrou mais liberdade para flutuar e organizar o jogo, sem a rigidez tática que o limitava.

Com as mesmas peças, um novo Vasco com Diniz

É importante reforçar: Diniz ainda não fez grandes mudanças no elenco. A base que entrou em campo neste sábado é praticamente a mesma que jogava com Carille. A diferença está na forma de jogar. Com toques curtos, movimentação intensa e confiança para atacar, o Vasco começou a mostrar uma identidade.

Essa mudança de postura também se reflete na defesa. Ao contrário do que muitos supõem sobre os times de Diniz, que costumam ser associados a fragilidade defensiva, o Vasco foi sólido. Sofreu poucas finalizações e neutralizou bem as ações do Fortaleza, que é conhecido por ser um time perigoso em transições rápidas.

Léo Jardim, que antes parecia inseguro, teve atuação tranquila. A linha de defesa, bem postada, sofreu menos do que nas rodadas anteriores. Isso é reflexo da organização coletiva, da compactação das linhas e do controle da posse de bola.

Outro ponto fundamental da vitória foi o aspecto psicológico. Sob o comando de Diniz, os jogadores pareciam mais confiantes. O Vasco que entrou em campo no sábado não era um time acuado, pressionado pela sequência negativa. Era um grupo disposto a mudar sua história, liderado por um técnico que acredita no jogo jogado, na construção ofensiva e na inteligência coletiva.

Diniz não tem fórmulas prontas, mas tem método. Trabalha a confiança dos atletas, estimula o protagonismo e exige movimentação constante. Isso muda a forma como os jogadores interpretam o jogo — e, contra o Fortaleza, essa diferença foi nítida.

O desafio da continuidade

É claro que ainda é cedo para conclusões definitivas. Trata-se de apenas um jogo, uma semana de trabalho e muitos ajustes ainda serão necessários. Mas o impacto inicial do novo treinador é inegável. Fernando Diniz deu ao Vasco, em poucos dias, o que Carille não conseguiu entregar em meses: competitividade, organização e, acima de tudo, esperança.

O desafio agora será manter esse padrão e consolidar a ideia de jogo. O Brasileirão é longo, o elenco ainda tem carências e a oscilação é natural em um processo de transição. Mas o Vasco parece ter encontrado um caminho — e isso, por si só, já é uma enorme vitória.

No final, a estreia de Diniz em São Januário foi mais do que positiva: foi simbólica. Mostrou que, com ideias claras e trabalho bem direcionado, é possível transformar um time sem trocar peças, apenas reorganizando o pensamento de jogo. O Vasco reencontrou seu torcedor, seu estilo e, quem sabe, sua temporada. Agora, resta saber até onde essa nova versão poderá ir.

(Foto: Thiago Ribeiro/AGIF)