Brandt acertou um lindo chute para dar o primeiro presente do Dortmund, no dia do aniversário do clube. Foto: Imago
Futebol Bundesliga

Dortmund controla a tensão, vence o Gladbach e segue firme na caça ao Bayern de Munique

Na abertura da 15ª rodada da Bundesliga, o Dortmund venceu o Gladbach, por 2 a 0, nesta sexta-feira (15). Os gols da vitória do BVB no Signal Iduna Park foram marcados por Julian Brandt e Maximilian Beier. O resultado presenteou o clube aurinegro, que comemorou 116 anos no dia, e castigou os Potros que chegaram a segunda derrota consecutiva. Veja como foi a partida:

Dortmund impõe ritmo no início, mas Gladbach dá calor nos minutos finais

Julian Brandt sai para comemorar o gol marcado. Foto: Foto: Marc Niemeyer / kolbert-press / IMAGO
Julian Brandt sai para comemorar o gol marcado. Foto: Foto: Marc Niemeyer / kolbert-press / IMAGO

 

Repletas de mudanças, as duas equipes precisaram lidar com ausências relevantes. No Borussia Dortmund, os problemas se concentraram no setor defensivo, desfalcado por Bensebaini e Anton. Já o Borussia Mönchengladbach não contou com Castrop e Honorat. Em meio aos ajustes e novidades, quem se adaptou melhor nos minutos iniciais foram os mandantes, que abriram o placar logo aos 10 minutos, com Julian Brandt.

Sem um homem de referência na bola aérea, o Dortmund encontrou pelo chão o caminho mais eficiente para o gol. Antes de chegar aos pés do camisa 10, a bola circulou por quatro jogadores aurinegros em uma construção paciente, finalizada com um belo lançamento de Süle para Brandt. Pelo lado dos Potros, a falha foi evidente: a linha defensiva não percebeu o ataque ao espaço nas costas e pagou caro pela desatenção.

Após o gol, os aurinegros assumiram completamente o controle da partida. A equipe trocava passes com fluidez, impunha ritmo e obrigava o Gladbach a gastar energia excessiva para recuperar a posse. Em determinado momento, a superioridade foi tamanha que o tempo médio para retomada da bola pelos visitantes chegou a ser mais que o dobro do registrado pelo Dortmund.

A equipe comandada por Niko Kovač mostrou uma proposta que combinava intensidade física, velocidade e circulação de bola mais rápida e qualificada. Do outro lado, Eugen Polanski ajustou o posicionamento e orientou seus jogadores a subir as linhas, pressionando a saída aurinegra. A partir daí, a dinâmica do jogo começou a mudar na metade final do primeiro tempo.

Reyna e Neuhaus passaram a contribuir de forma mais efetiva na indução ao erro, enquanto Engelhardt ganhou protagonismo nas retomadas. Com isso, o Gladbach cresceu na partida e passou a levar perigo não apenas pelos armadores — especialmente os camisas 13 e 10 —, mas também nas infiltrações de Rocco Reitz pelo lado direito. Ainda assim, faltou precisão: os visitantes finalizaram três vezes, sem acertar o alvo.

Do lado do Dortmund, a eficiência foi decisiva. Em quatro finalizações, duas foram no alvo e uma terminou em gol. Um aproveitamento alto, que refletiu a superioridade nos minutos iniciais e justificou o placar parcial para quem começou a partida impondo seu jogo.

Jogo fica mais tenso do que técnico, e Dortmund controla o caos para confirmar a vitória

Karim Adeyemi e Yannik Engelhardt disputam espaço. Foto: Uwe Kraft
Karim Adeyemi e Yannik Engelhardt disputam espaço. Foto: Uwe Kraft

 

A segunda etapa começou com uma chance perigosa do Gladbach. Os Potros mantiveram o comportamento agressivo e vertical do fim do primeiro tempo, criando a oportunidade com Reitz logo nos minutos iniciais. A zaga do Dortmund, atenta, conseguiu afastar o perigo, mas o lance serviu de alerta: qualquer brecha poderia ser fatal.

Bem diferente da etapa inicial, o segundo tempo entregou mais tensão do que volume ofensivo. Apesar de um gol anulado de Guirassy, a quantidade de faltas rapidamente igualou a do primeiro tempo em menos de 25 minutos. Os cartões amarelos começaram a aparecer — Emre Can e Schlotterbeck foram advertidos — como reflexo de um jogo mais brigado, com nervos à flor da pele.

Discussões, reclamações e interrupções constantes passaram a ditar o ritmo, gerando até situações pontuais de perigo. Um exemplo foi a chance de Adeyemi, que quase marcou ao interceptar um passe de Diks na saída de bola. Na sequência, o alemão e o indonésio se estranharam, mas, para a sorte de Aurinegros e Potros, a arbitragem optou por não punir nenhum dos dois.

Esse cenário de conflito acabou sendo mais prejudicial ao Gladbach. O ímpeto inicial foi freado, o aspecto psicológico pesou e os erros técnicos começaram a se acumular. Após a chance de Reitz no começo da etapa, os visitantes praticamente não conseguiram mais progredir com qualidade.

Nesse contexto, Niko Kovač foi preciso na leitura do jogo. As entradas de Beier, Sabitzer e Chukwuemeka tiveram como objetivo esfriar os ânimos, cadenciar a posse e recolocar o Dortmund nos trilhos. A equipe voltou a ter controle territorial e emocional da partida.

A resposta de Eugen Polanski veio, mas não na medida ideal. Ainda assim, indicava a necessidade de mais presença ofensiva. O treinador lançou Ranos na vaga de Reyna, que teve atuação apagada, assim como Tabaković. O centroavante passou grande parte do jogo isolado, pouco municiado e sem conseguir finalizar em mais de 75 minutos em campo.

Nos minutos finais, o desespero tomou conta do Gladbach. Mohya, Stöger e Machino foram acionados para aumentar o poder de fogo, e o impacto foi imediato. Assim que o jovem de 16 anos — o mais jovem a atuar com a camisa dos Potros — entrou, criou-se uma boa oportunidade, neutralizada por grande intervenção de Kobel. A tentativa de Polanski era sustentar uma dupla de ataque do japonês com Tabaković, contudo, o bósnio seguiu pouco participativo.

Mesmo com o placar magro, o Dortmund controlou os minutos finais sem grandes sustos e fez a vitória parecer inevitável. O resultado poderia ter sido mais amplo: Beier desperdiçou uma chance clara, defendida por Nicolas, que mostrou por que é o goleiro com mais defesas na Bundesliga. Para alívio do camisa 14 do BVB, o erro não custou caro e teve outra chance de se consagrar. Desta vez, bola no fundo da rede e os três pontos foram garantidos para os aniversariantes desta sexta-feira.

Próximos compromissos de Dortmund e Gladbach

Os times só voltam a campo após a pausa da Bundesliga, em razão do inverno intenso de fim de ano. Com 32 pontos conquistados, o Borussia Dortmund assumiu temporariamente a vice-liderança do torneio e torce para um tropeço do RB Leipzig diante do Leverkusen. O próximo compromisso do BVB é contra o Eintracht Frankfurt, fora de casa, no dia 9 de janeiro, às 16h30 (horário de Brasília).

O Gladbach perde a segunda seguida consecutiva após a sequência positiva na Bundesliga. A equipe de Eugen Polanski perdeu a oportunidade de subir três colocações e corre risco de ser ultrapassado por até quatro times na tabela (Werder Bremen, Wolfsburg, Hamburgo e Augsburg). Os Potros voltam a campo no dia 11 de janeiro, às 11h30 (horário de Brasília) para medir forças contra o Augsburg, em casa.

Ficha técnica da partida

Local: Signal Iduna Park, Dortmund (ALE)
Data: Sexta feira, 19 de dezembro de 2025
Hora: 16h30 (horário de Brasília)
Competição: 15ª rodada do Campeonato Alemão

Árbitro: Sven Jablonski (ALE)

Cartões amarelos:

Dortmund: Emre Can; Nico Schlotterbeck
Gladbach: Luca Netz

Gol(s):

Dortmund: Julian Brandt, 10’/1°T; Maximilian Beier, 45’+7’/2°T

Dortmund: Kobel; Sule, Can e Schlotterbeck; Ryerson (Yan Couto) Gross (Sabitzer), Nmecha e Svensson; Adeyemi (Beier) e Brandt (Chukwuemeka); Guirassy (Fabio Silva). Técnico: Niko Kovac.

Gladbach: Nicolas; Sander (Machino), Elvedi e Diks; Scally, Reitz, Engelhardt (Mohya) e Netz; Reyna (Ranos) e Neuhaus (Stöger); Tabakovic. Técnico: Eugen Polanski.

Créditos da foto de capa: IMAGO