Invicto desde que chegou ao UFC e com o cinturão dos médios em mãos, Dricus Du Plessis construiu uma carreira que contraria expectativas e desarma preconceitos. Dono de um estilo que frequentemente é rotulado como “desajeitado” ou “sem técnica”, o sul-africano não apenas venceu grandes nomes como Israel Adesanya e Sean Strickland, como também manteve uma invencibilidade que o levou ao topo da divisão.
Agora, no que é considerado o maior desafio de sua carreira, Du Plessis se prepara para enfrentar Khamzat Chimaev, um dos lutadores mais temidos e promovidos do UFC, em um combate que pode redefinir a hierarquia da categoria, e que promete responder a uma pergunta que paira sobre o sul-africano desde que começou sua ascensão meteórica: ele é “real” o bastante para dominar um nome como Chimaev?
O início da jornada
Du Plessis estreou no UFC em outubro de 2020, com um nocaute sobre Markus Perez, e desde então vem colecionando vitórias de peso. Antes de chegar ao cinturão, já havia derrotado nomes como Brad Tavares, Derek Brunson e Robert Whittaker, sempre com performances que misturavam agressividade, força física e uma resistência notável. A vitória sobre Whittaker, inclusive, foi a que abriu as portas para a disputa de cinturão.
Contra Israel Adesanya, muitos esperavam que Du Plessis fosse dominado pela técnica refinada do nigeriano. No entanto, embora tenha sofrido por três rounds na luta em pé, ele garantiu uma grande vitória no quarto round com um mata-leão, mantendo o título. Contra Strickland, ele calou os críticos que acharam que ele havia perdido a primeira luta entre os dois, vencendo com autoridade.
O próprio Darren Till, ex-lutador do UFC, foi um dos que verbalizou o que muitos pensavam:
“Ele é tão ruim que é bom. Tudo o que ele faz está errado, mas ele vence lutas,” afirmou.
Essa frase virou um resumo do paradoxo chamado Dricus Du Plessis. Com movimentações atípicas, que às vezes parecem descoordenadas, e trocação com mecânica pouco ortodoxa, ele quebra padrões que geralmente definem o que se espera de um campeão. Contudo, sua efetividade não pode ser negada. Seja por nocaute ou por finalização, ele encontra formas de vencer — mesmo quando parece estar em desvantagem técnica.
A luta contra Chimaev: o confronto mais duro
Se até aqui Du Plessis conseguiu calar críticos e surpreender o mundo, o próximo passo representa um nível ainda mais elevado. Khamzat Chimaev, invicto com 14 vitórias no cartel, é visto como o maior fenômeno da nova geração do UFC. Com seu estilo de wrestling sufocante, pressão constante e explosão física, ele é apontado por muitos como o lutador mais perigoso da categoria.
Chimaev, no entanto, não parece impressionado com o currículo do sul-africano. Em entrevistas recentes, chegou a menosprezá-lo, chamando Du Plessis de uma “versão piorada de mim mesmo” e dizendo que seria “uma luta fácil”.
Mas do outro lado, Du Plessis segue fiel ao que o trouxe até aqui: resiliência e fé no próprio estilo.
Técnica ou caos? A força de Du Plessis está na imprevisibilidade
O que torna Du Plessis tão perigoso é justamente o que o torna difícil de categorizar. Seu jogo é uma mistura de força bruta, grappling explosivo, pressão constante e uma mentalidade competitiva que se recusa a ceder. Ele não luta bonito — ele luta eficazmente.
Contra Strickland, soube usar o clinch para neutralizar a distância. Contra Whittaker, pressionou desde o início e impôs o ritmo. Contra Adesanya, soube resistir a uma tempestade de golpes e virar o jogo com precisão e força nos momentos certos. Ele é, acima de tudo, adaptável.
Mesmo com Chimaev sendo favorito nas casas de aposta, qualquer um que acompanhe o histórico de Du Plessis sabe: não se pode descartar um lutador que já frustrou tantas previsões. Ele já mostrou ter poder de nocaute, bom jiu-jitsu e, talvez mais importante, uma mentalidade inquebrantável.
Chimaev certamente representa um teste brutal — tanto técnico quanto físico. Mas Du Plessis está acostumado a isso. E se há algo que ele mostrou até agora, é que em lutas onde a maioria duvida dele, ele encontra uma forma de vencer. Uma coisa é certa: ninguém pode mais ignorar o sul-africano que venceu tudo “do jeito dele” — e pode continuar surpreendendo o mundo.
(Foto: Divulgação/UFC)