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Dybala perto do adeus na Roma? Confira o possível destino do argentino

A continuidade de Paulo Dybala na Roma volta ao centro das discussões. Ídolo recente da torcida giallorossa e principal nome técnico do elenco, o argentino atravessa um momento determinante de sua trajetória no clube italiano. De acordo com informações divulgadas pelo Calciomercato.com, a possibilidade de despedida não foi descartada — apenas postergada — e o cenário mais provável aponta para uma saída ao término da temporada europeia, em junho, antes da Copa do Mundo de 2026, que será disputada no Canadá, nos Estados Unidos e no México.

Apesar de ter contrato vigente até junho de 2026, até o momento não houve qualquer avanço concreto em conversas sobre renovação. O principal obstáculo está na questão financeira. Dybala recebe aproximadamente 8 milhões de euros por ano, cifra considerada elevada pela atual gestão da Roma, que vem adotando uma política mais austera de controle orçamentário. Mesmo com o jogador demonstrando disposição para negociar uma redução salarial, o clube não deu sequência às tratativas, o que amplia a percepção de distanciamento entre as partes.

Dentro de campo, o contexto também pesa contra a permanência. A temporada da “Joya” voltou a ser marcada por problemas físicos e por números abaixo do esperado para um atleta do seu nível. Embora siga sendo decisivo quando está em boas condições, a falta de regularidade em sua presença gera dúvidas internas sobre a viabilidade de mantê-lo como peça central do projeto esportivo a médio prazo. O estafe técnico reconhece sua importância, mas a avaliação final tem sido guiada mais pela sustentabilidade econômica do que pelo talento incontestável do camisa 21.

É nesse ambiente de incertezas que o Boca Juniors surge com força renovada. O clube argentino desponta como principal candidato a contar com Dybala a partir de junho, especialmente se a saída ocorrer sem custos de transferência. O vínculo emocional com o Boca, aliado à possibilidade de encerrar a carreira no futebol argentino, pesa na reflexão do jogador. Segundo a imprensa italiana, o clube de Buenos Aires acompanha a situação de perto e enxerga a oportunidade como estratégica para reforçar o elenco com um nome de impacto continental.

Ainda assim, o futuro de Dybala para a próxima temporada segue indefinido. O atacante avalia se permanece na Europa, onde ainda desperta interesse, ou se opta por retornar ao país natal, iniciando um capítulo simbólico da carreira após uma trajetória vitoriosa no futebol italiano com as camisas de Palermo e Juventus. Para a Roma, a indefinição representa um dilema claro: insistir em um jogador decisivo, porém oneroso e fisicamente instável, ou abrir espaço para uma reformulação alinhada às novas diretrizes financeiras do clube.

O fato é que, salvo uma reviravolta nas próximas semanas, a relação entre Dybala e a Roma parece caminhar para seus últimos meses. Junho surge como ponto de inflexão, e o Boca Juniors aparece hoje como o destino mais provável para a “Joya” dar sequência à sua história no futebol. Enquanto isso, o meia argentino mantém o foco total nos Giallorossi, com o próximo compromisso marcado para a próxima segunda-feira (9), às 16h45 (horário de Brasília), contra o Cagliari, pela 24ª rodada da Serie A 2025/26, no Estádio Olímpico.

Foto: AFP/Getty Images

Por que Dybala vem perdendo espaço na Roma com Gasperini

A redução do protagonismo de Paulo Dybala na Roma sob o comando de Gian Piero Gasperini é resultado de uma combinação de fatores táticos, físicos e estratégicos. Mesmo reconhecido como o jogador mais talentoso do elenco, a “Joya” passou a encontrar dificuldades para se encaixar no modelo exigente do treinador italiano.

O primeiro aspecto diz respeito à questão tática. Gasperini construiu sua carreira com base em sistemas de alta intensidade, geralmente utilizando uma linha de três zagueiros, alas agressivos e atacantes que pressionam constantemente a saída de bola adversária. Trata-se de um modelo que exige vigor físico, recomposição defensiva e participação contínua sem a posse. Dybala, por suas características, é um jogador mais associativo, criativo e cerebral, que rende melhor com liberdade para flutuar entre as linhas do que cumprindo funções rígidas de marcação.

Outro fator determinante é a condição física. Nas últimas temporadas, o argentino conviveu com lesões musculares e dificuldades de sequência, o que compromete sua adaptação a um futebol de alta rotação como o de Gasperini. O treinador prioriza atletas capazes de sustentar intensidade máxima durante os 90 minutos, algo que, neste estágio da carreira, Dybala nem sempre consegue entregar de forma consistente.

Há ainda a questão da hierarquia e do projeto esportivo. Gasperini costuma valorizar jogadores que se moldam integralmente à sua ideia coletiva, mesmo que isso implique reduzir o papel de nomes mais midiáticos. Na Roma, o técnico busca construir uma equipe mais equilibrada e menos dependente de um único talento individual. Nesse contexto, Dybala deixa de ser o centro do jogo e passa a ser utilizado de maneira mais situacional, de acordo com o adversário e o plano tático.

O fator financeiro também entra nessa equação. Detentor de um dos maiores salários do elenco, Dybala representa um perfil que a atual gestão tenta reavaliar. A diminuição do protagonismo em campo dialoga diretamente com a estagnação das negociações por renovação, reforçando a percepção de que o clube já projeta um futuro com menor impacto orçamentário.

Assim, a perda de espaço de Dybala não se explica por uma queda técnica isolada, mas pela incompatibilidade entre um jogador de talento refinado e um modelo de jogo extremamente físico e coletivo. Com Gasperini, a Roma prioriza intensidade, repetição e disciplina tática — virtudes que nem sempre potencializam o melhor futebol do argentino.

Foto: Getty Images

Dybala ainda pode disputar a Copa do Mundo de 2026 e o interesse do Boca pode ter influência de Leandro Paredes

A presença de Paulo Dybala na Copa do Mundo de 2026 segue como uma incógnita, mas está longe de ser descartada. Aos 32 anos na época do torneio, o argentino vive um momento decisivo da carreira, no qual as escolhas esportivas terão impacto direto sobre suas chances de permanecer no radar da seleção comandada por Lionel Scaloni. Nesse contexto, o possível interesse do Boca Juniors surge não apenas como um movimento emocional, mas também como uma articulação que pode envolver a influência de Leandro Paredes.

Dybala continua sendo reconhecido como um jogador de enorme talento, mas sua trajetória recente foi marcada por lesões e perda de protagonismo nos clubes europeus. Na Roma, a irregularidade física e as mudanças no comando técnico comprometeram sua continuidade, fator determinante em uma seleção altamente competitiva como a argentina. Scaloni, embora valorize a experiência, tem priorizado atletas com ritmo elevado, regularidade e funções bem definidas dentro do sistema coletivo.

Ainda assim, a Copa de 2026 permanece no horizonte. Caso Dybala encontre um ambiente onde seja protagonista, com minutos constantes e impacto direto nas partidas, ele pode voltar a ser opção, sobretudo como alternativa criativa para jogos mais fechados. A seleção argentina não depende mais exclusivamente de estrelas individuais, mas segue aberta a jogadores capazes de decidir em momentos específicos.

É nesse cenário que o Boca Juniors aparece como possibilidade concreta. O clube de Buenos Aires busca um nome de peso para liderar um novo ciclo e vê em Dybala não apenas qualidade técnica, mas também identificação com o futebol argentino. A influência de Leandro Paredes, amigo pessoal do atacante e figura respeitada tanto na seleção quanto no Boca, é apontada como um elemento relevante. Paredes já manifestou publicamente o desejo de retornar ao clube e pode funcionar como elo entre o projeto esportivo xeneize e a “Joya”.

Uma eventual transferência para o Boca, no entanto, envolve riscos e oportunidades. Por um lado, Dybala teria protagonismo, apoio da torcida e menor desgaste físico em relação ao calendário europeu. Por outro, atuaria fora do principal centro competitivo do futebol mundial, o que historicamente dificulta convocações para grandes torneios, salvo exceções pontuais.

Dessa forma, o futuro de Dybala passa por uma decisão estratégica: permanecer na Europa em busca de alto nível competitivo ou retornar à Argentina para assumir o papel de líder e referência. A participação na Copa de 2026 dependerá menos do nome e mais do contexto esportivo que ele escolher abraçar nos próximos meses.

(Foto: AFP/Getty Images)