Atlético-MG. dominguez
Futebol Brasileirão Copa do Brasil Copa Sul-Americana

Eduardo Domínguez tem salvação no Atlético Mineiro?

A fase de Eduardo Domínguez no Atlético Mineiro já passou do ponto de preocupação e entrou direto no território da crise e não é só pelo “olhômetro”, não. Quando você coloca os números na mesa, a situação fica ainda mais pesada.

O Galo vem de uma sequência irregular na temporada, com aproveitamento abaixo dos 50% nos últimos jogos, algo totalmente fora do padrão de um clube que entrou no ano mirando brigar na parte de cima do Brasileirão e competir forte nas copas. E não para por aí: ofensivamente, o time caiu bastante de produção, especialmente devido a queda de rendimento de Hulk.

Defensivamente, a situação também não ajuda. O Galo tem sofrido gols com frequência alta, em boa parte dos últimos jogos, foi vazado pelo menos uma vez, e em alguns casos, como contra o Flamengo, de forma até constrangedora. O 4 a 0 sofrido na Arena MRV não foi um acidente isolado, mas o reflexo de um sistema que vem dando espaços demais.

E aí entra o ponto mais preocupante: o desempenho em casa.

Arena MRV segura Domínguez até onde dá

Se tem algo que ainda impede o cenário de ser completamente desesperador, é o desempenho dentro de casa, ainda que longe de ser o ideal. A Arena MRV segue como um dos poucos pontos em que o Atlético Mineiro de Eduardo Domínguez consegue, de vez em quando, dar algum sinal de competitividade.

Claro, isso não apaga atuações preocupantes, como a goleada sofrida para o Flamengo. Pelo contrário: aquele 4 a 0 escancarou limitações graves do time, principalmente pela forma como aconteceu, com 3 a 0 ainda no primeiro tempo e um domínio absoluto do adversário.

Mas, mesmo com esse tipo de tropeço pesado, jogar em casa ainda representa um cenário menos caótico do que fora dela, por isso, a pressão aumentou sobre o argentino, porque a se coisa começar a desandar em Minas Gerais, não terá nada para segurá-lo. O Galo, em seus domínios, consegue ao menos equilibrar mais as ações em alguns momentos, pressionar um pouco mais e competir melhor, algo que simplesmente desaparece em outras situações.

E isso aparece nos números: apesar da irregularidade, o aproveitamento como mandante ainda é superior ao desempenho geral recente da equipe. Não é algo que sustente campanha de topo, nem de longe, mas serve como um pequeno alívio dentro de um contexto bastante negativo. O problema é que esse “respiro” está longe de ser suficiente.

Porque, no futebol, depender apenas do fator casa para sobreviver costuma ser um caminho curto. E, no caso do Atlético Mineiro de Eduardo Domínguez, a Arena MRV hoje funciona mais como um ponto de contenção de danos do que como uma verdadeira solução.

Um elenco caro, desempenho barato

Se tem algo que pesa ainda mais contra Domínguez é o custo do elenco. O Atlético Mineiro não é um time limitado financeiramente. Pelo contrário: investiu, trouxe reforços e montou um grupo que, no papel, deveria render muito mais. Só que, na prática, o desempenho está longe disso, não é possível ver a força de vontade do Estudiantes de Eduardo Domínguez no Galo atual.

A falta de protagonismo ofensivo é gritante. A queda de rendimento de Hulk simplesmente comprovou a realidade, ainda mais depois do atleta ter forçado a sua saída da temporada começar, enquanto Jorge Sampaoli estava no comando. Até então, nenhum jogador conseguiu assumir a responsabilidade de decidir jogos com regularidade. E isso aparece nos números: poucos gols distribuídos, baixa média de finalizações perigosas e pouca eficiência no último terço.

Além disso, o time de Domínguez também apresenta dificuldade na construção com posse de bola muitas vezes estéril e pouca objetividade. Ou seja, roda, roda, roda… e não machuca.

FOTO: Pedro Souza/Atlético-MG