Elliot Anderson Inglaterra
Futebol Premier League

Como Elliot Anderson chegou à seleção inglesa e virou reforço recorde do Manchester City

A contratação de Elliot Anderson por 116 milhões de libras coloca o meio-campista em um novo patamar no futebol inglês. Aos 23 anos, o jogador deixa o Nottingham Forest para se tornar a maior contratação da história do Manchester City, que aposta em um dos nomes de confiança de Thomas Tuchel na seleção inglesa.

O valor do acordo chama ainda mais atenção pelo caminho percorrido pelo atleta em pouco tempo. Em julho de 2024, Anderson foi negociado pelo Newcastle United por 35 milhões de libras, em uma transferência influenciada pelos problemas do clube com as regras de lucro e sustentabilidade da Premier League. Agora, dois anos depois, o jogador vale mais de três vezes o montante pago pelo Forest.

Anderson não deixou o Newcastle por falta de espaço. O meio-campista já acumulava 55 partidas pela equipe principal e era considerado um jogador importante para o futuro. Porém, diante do risco de uma punição financeira e até mesmo da perda de pontos, os Magpies decidiram aceitar uma venda que Eddie Howe nunca escondeu ter sido contra a sua vontade.

Pressão financeira mudou trajetória de Anderson no Newcastle

Elliot Anderson construiu praticamente toda a sua formação no Newcastle United. Torcedor dos Magpies e nascido na região, o jogador passou pela academia do clube antes de estrear profissionalmente em janeiro de 2021, durante uma derrota para o Arsenal pela Copa da Inglaterra.

Mesmo ainda jovem, o meio-campista começou a receber oportunidades e chegou às 55 partidas em todas as competições. No entanto, sua continuidade no elenco acabou sendo afetada por uma questão que não estava relacionada ao desempenho apresentado dentro de campo. Naquele momento, o Newcastle temia ultrapassar os limites das regras de lucro e sustentabilidade. O cenário poderia provocar uma punição com perda de pontos, principalmente após anos de desequilíbrio nas negociações realizadas pelo clube.

Diante da necessidade de ajustar as contas, a diretoria aceitou vender Anderson ao Nottingham Forest por 35 milhões de libras. Eddie Howe classificou o negócio como a transferência mais difícil de sua carreira, reforçando o quanto a saída aconteceu por pressão financeira.

O crescimento posterior do jogador tornou a situação ainda mais incômoda para os Magpies. Com a camisa do Nottingham Forest, Anderson ganhou maior protagonismo e apresentou números importantes na última temporada da Premier League. O meio-campista terminou o campeonato com 3.300 ações com a bola, 306 recuperações de posse, 297 duelos vencidos e 80 faltas sofridas. Em todas essas estatísticas, o atleta apareceu na primeira posição da competição.

Ao mesmo tempo, Anderson também conquistou espaço na seleção inglesa. Embora tenha representado a Escócia nas categorias de base e chegado a ser convocado para dois compromissos da equipe principal em setembro de 2023, o jogador deixou aquela lista por lesão e posteriormente escolheu defender a Inglaterra. Sua estreia aconteceu contra Andorra, em setembro de 2025. Depois disso, o atleta ganhou a confiança de Thomas Tuchel e se tornou uma peça central da equipe durante a Copa do Mundo. O treinador chegou a definir Anderson como um jogador completo, destacando a variedade apresentada pelo meio-campista.

Mesmo enquanto as conversas com o Manchester City avançavam, Anderson permaneceu concentrado na disputa do Mundial. Inicialmente, algumas fontes chegaram a apontar que a negociação poderia atingir 130 milhões de libras, superando os 125 milhões pagos pelo Liverpool para contratar Alexander Isak. Porém, o pacote acertado ficou em 116 milhões.

Ainda assim, o valor é suficiente para transformar Anderson na contratação mais cara da história do City. A transferência também aumenta o peso da decisão tomada pelo Newcastle em 2024, embora o contexto financeiro daquele momento tenha deixado poucas alternativas para o clube.

Talento de Anderson já chamava atenção desde a escola

Muito antes de chegar à seleção inglesa e movimentar 116 milhões de libras, Anderson já era tratado como um jogador diferente por quem acompanhava seus primeiros passos. O atleta começou a jogar ao lado dos irmãos mais velhos, Louie e Wil, nos campos de Tyneside.

Na Valley Gardens Middle School, o futuro meio-campista era descrito como um aluno quieto, dedicado e que não causava problemas. Seus pais, Iain e Helen, faziam questão de que os estudos não fossem deixados de lado, enquanto as aulas eram organizadas de acordo com o tempo que o filho passava na academia do Newcastle.

O talento era tão evidente que alguns professores chegaram a discutir a possibilidade de apostar que Anderson defenderia a seleção inglesa no futuro. A aposta não foi realizada, mas a previsão acabou se confirmando muitos anos depois.

O jovem também apresentava facilidade em outras modalidades, como atletismo, críquete e corrida cross-country. Porém, era no futebol que conseguia se destacar ainda mais. Mesmo sem estar entre os maiores jogadores de sua idade fisicamente, Anderson conseguia competir e ser a principal peça de sua equipe.

Um dos primeiros momentos marcantes aconteceu em 2014. Como capitão da Valley Gardens, o jogador marcou os três gols da vitória por 3 a 0 que deu à escola o título da etapa inglesa da Danone Nations Cup, uma competição mundial de categorias de base.

Anderson também passou pelo Wallsend Boys’ Club, onde nomes como Alan Shearer, Peter Beardsley e Michael Carrick desenvolveram suas habilidades. Depois, já ligado ao Newcastle, o meio-campista teve no empréstimo ao Bristol Rovers uma etapa importante de sua carreira profissional.

Em 2022, Glenn Whelan, que trabalhava como jogador e auxiliar técnico do Bristol Rovers, percebeu rapidamente a confiança apresentada pelo jovem. Em depoimento à BBC Sport, o ex-jogador da seleção irlandesa afirmou que Anderson buscava a bola mesmo sob pressão, não se escondia nos treinamentos e demonstrava interesse em realizar atividades extras para evoluir.

Uma partida contra o Sutton United, em fevereiro daquele ano, teve grande peso em sua passagem pelo clube. O Bristol Rovers estava perdendo no intervalo quando Anderson entrou em campo, sofreu um pênalti e ajudou a equipe a buscar o empate. Segundo Whelan, o jogador passou a atuar praticamente todos os minutos após aquele confronto.

O empréstimo terminou com um dos dias mais importantes da história do Bristol Rovers. Na última rodada da temporada, a equipe precisava superar o resultado do Northampton ou vencer por uma diferença de cinco gols a mais que a do concorrente para conquistar o acesso à League One.

O Bristol Rovers venceu por 7 a 0, entrou no grupo dos três primeiros pela primeira vez durante toda a campanha e confirmou a promoção. Anderson marcou o último gol da goleada, a cinco minutos do fim, encerrando sua passagem pelo clube diante de uma torcida em festa. Agora, o jogador iniciará a próxima temporada no Manchester City sob o comando de Enzo Maresca. Enquanto Anderson assume um novo desafio na carreira, o Newcastle vê um atleta formado em sua academia alcançar o maior valor de sua trajetória justamente depois de uma venda aceita para evitar problemas financeiros.

Créditos da foto de capa: Rich Storry/Getty Images.