Endrick Lyon
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Endrick no Lyon agita briga por vaga de “9” na Seleção Brasileira para Copa

Endrick finalmente está conseguindo mostrar, na Europa, todo o potencial que sempre o acompanhou desde as categorias de base. Tudo indica que o que faltava para seu crescimento era uma mudança de ares e ela tem acontecido da melhor forma possível na França, agora com a camisa do Lyon.

No último fim de semana, o atacante guardou um hat-trick na cabeça do Metz, na vitória por 5 a 2, e mandou um recado claro para Carlo Ancelotti: “eu estou aqui”. O treinador italiano, que hoje se vê diante de uma verdadeira dor de cabeça positiva para a posição de camisa 9 da Seleção Brasileira, ganhou mais um nome forte na disputa.

Ancelotti volta a se deparar com Endrick em um cenário bem diferente daquele vivido no Real Madrid. Na Espanha, o jovem mal conseguia sequência, especialmente após a chegada de Kylian Mbappé, que naturalmente reduziu ainda mais o espaço. No Lyon, porém, com minutos em campo e protagonismo à disposição, Endrick decidiu agarrar a oportunidade como se fosse a última e talvez esse seja o ponto central da questão.

Essa sede por espaço, por provar que tem nível para brilhar no futebol europeu, já foi suficiente para quebrar uma marca absurda de ninguém menos que Ronaldo Fenômeno. Portanto, que se cuidem aqueles que sonham com uma vaga no ataque da Seleção Brasileira na Copa do Mundo. Endrick voltou para a conversa, e não é apenas para participar.

Endrick supera Ronaldo e empilha números de peso

Os números ajudam a explicar por que o nome de Endrick passou a circular com força nas discussões sobre a Copa do Mundo. Em apenas três partidas oficiais pelo Lyon, o atacante brasileiro soma cinco participações diretas em gols: quatro gols marcados e uma assistência. Um impacto imediato e nada comum para um jogador de 19 anos, recém-chegado a um novo país e a um novo campeonato.

A estreia já colocou os pingos nos “is”. Contra o Lille, pelos 16avos de final da Copa da França, Endrick precisou de apenas 25 minutos em campo para balançar as redes. Na partida seguinte, diante do Brest, foi além do gol: deu assistência para Abner, participou ativamente das jogadas ofensivas e foi uma ameaça constante atuando aberto pelo lado direito.

O auge veio no terceiro compromisso, contra o Metz, no estádio Saint-Symphorien, quando simplesmente dominou o jogo e assinou o primeiro hat-trick da carreira.

Com o triplete, Endrick entrou para a história do clube. Aos 19 anos e 188 dias, tornou-se o jogador mais jovem a marcar três gols em uma partida pelo Lyon, superando o antigo recorde de Bernard Lacombe, que havia alcançado a marca com 19 anos e 192 dias. Um detalhe simbólico: Karim Benzema, ídolo do clube e referência declarada do brasileiro, aparece apenas na quarta posição, já que marcou seu primeiro hat-trick profissional com 19 anos e 270 dias.

Um feito histórico que reforça a candidatura à Copa

O impacto de Endrick vai além do recorte do Lyon. O hat-trick também o colocou em um grupo extremamente seleto do futebol francês. Apenas oito jogadores foram mais jovens do que ele ao marcar três gols em uma única partida na França: Ménez (17 anos e 360 dias), Mbappé (18 e 53), Roussey (18 e 239), Stopyra (18 e 277), Dembélé (18 e 296), Lech (19 e 40) e Paille (19 e 58). Dados que ajudam a dimensionar o tamanho do feito.

Mas o dado mais simbólico para a Seleção Brasileira vem da comparação histórica. Endrick se tornou o brasileiro mais jovem a marcar um hat-trick no futebol europeu, superando Ronaldo Nazário, que havia alcançado essa marca em 1997, com 21 anos, defendendo a Inter de Milão. Em termos de narrativa, é impossível ignorar o peso desse recorde.

A repercussão na imprensa francesa foi imediata. O jornal L’Équipe deu nota 9 ao atacante e classificou sua atuação como “brilhante”, destacando que jogadores desse nível “não precisam de tempo de adaptação”. A RMC Sport o descreveu como “deslumbrante”, enquanto o Le Progrès, principal diário da região do Ródano, definiu sua exibição como um “partido magistral”.

Esses números ajudam a explicar por que Endrick entrou de vez na corrida pela Copa do Mundo, disputando espaço com nomes como Richarlison, Matheus Cunha, João Pedro, Igor Jesus e Igor Thiago. Em um cenário tão equilibrado, estatísticas, impacto imediato e feitos históricos deixam de ser curiosidades e passam a ser argumentos concretos.

Uma disputa aberta no ataque da Seleção

A corrida por uma vaga na Copa está longe de ser simples e Endrick sabe disso. A concorrência é pesada e diversa em características. Richarlison, por exemplo, segue sendo um nome de confiança, especialmente pelo histórico em Copas e pela entrega tática. Mesmo em fases irregulares nos clubes, seu desempenho com a camisa da Seleção costuma pesar a favor. Além disso, há o fator Ancelotti: trata-se de um jogador de sua confiança, o que conta pontos.

Matheus Cunha oferece mobilidade, intensidade e versatilidade, podendo atuar como referência ou flutuando pelo ataque, um perfil que dialoga bem com o futebol mais posicional. João Pedro, em ascensão constante, chama atenção pela inteligência tática e pela capacidade de adaptação. Mesmo sem números absurdos, tem conseguido se manter relevante no mais alto nível europeu, agora no Chelsea.

Igor Jesus e Igor Thiago aparecem como alternativas mais físicas, com presença de área, força e jogo aéreo, características valiosas em partidas mais truncadas, quando é preciso alguém que segure a bola, faça o pivô e arraste a marcação.

Pedro, do Flamengo, também pode entrar na conversa, mas ainda precisa dar alguns passos importantes, especialmente na recuperação física. No momento, larga atrás dos concorrentes.

Nesse cenário, Endrick surge como o atacante mais jovem do grupo, mas também como um dos mais imprevisíveis. Ele não é apenas um finalizador. Participa da construção, busca jogo pelos lados e possui uma aceleração capaz de quebrar linhas com facilidade. Oferece algo diferente e talvez seja exatamente isso que o coloque tão forte na disputa.

É difícil falar dessa corrida e não pensar nele. Às vezes, parece que Endrick tem algo a mais: poder de decisão, personalidade, entrega e aquela aura que não aparece nas estatísticas. Em alta, com números e minutos em campo, Endrick precisa estar na lista.

Foto: Getty Images