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Entenda por que Alexander-Arnold ainda busca seu espaço no Real Madrid

A chegada de Trent Alexander-Arnold ao Real Madrid criou uma expectativa enorme. O lateral inglês chegou ao clube depois de construir uma carreira de destaque no Liverpool, principalmente pela capacidade de participar da construção das jogadas, encontrar passes longos e contribuir ofensivamente.

No entanto, sua adaptação ao futebol espanhol não tem sido simples. A disputa pela titularidade na lateral direita está aberta, e Denzel Dumfries começou a temporada levando vantagem. Além disso, uma experiência recente de José Mourinho colocou Alexander-Arnold em uma função bastante diferente daquela em que ele se destacou durante praticamente toda a carreira.

Na vitória por 2 a 1 sobre a Inter, o inglês foi utilizado no meio campo ao lado de Valverde. A escolha aconteceu por uma necessidade do elenco, já que Arda Guler, Eduardo Camavinga e Bernardo Silva estavam suspensos.

A ideia fazia sentido inicialmente. Alexander-Arnold possui excelente qualidade no passe e poderia ajudar o Real Madrid a controlar a posse de bola e criar oportunidades. O problema foi que a partida exigiu muito mais do aspecto defensivo do que da construção ofensiva.

O resultado acabou mostrando uma questão importante para Mourinho: Alexander-Arnold pode até atuar no meio campo em determinadas situações, mas suas principais características continuam aparecendo quando ele parte da lateral direita.

Os números mostram os limites do experimento

Real Madrid, Trent Alexander-Arnold

A estatística mais interessante da atuação de Alexander-Arnold é justamente a diferença entre sua contribuição com a bola e seu desempenho sem ela.

O inglês permaneceu 79 minutos em campo e acertou 20 dos 24 passes que tentou, alcançando 83% de aproveitamento. Também criou duas chances e foi responsável por uma grande oportunidade criada. Esses números mostram que sua qualidade técnica continuou presente mesmo jogando em uma posição diferente.

Por outro lado, os números defensivos foram muito mais discretos.

Alexander-Arnold não registrou nenhum desarme, teve apenas duas recuperações de bola e venceu somente um dos dois duelos disputados. Além disso, acertou apenas um dos quatro cruzamentos e não conseguiu completar nenhum dos três lançamentos longos que tentou.

Isso é importante porque a função de um jogador em um duplo pivô exige uma leitura defensiva muito maior. O meio campista precisa saber quando pressionar, quando acompanhar uma movimentação e principalmente como proteger o espaço à frente dos zagueiros.

Foi exatamente nesse aspecto que Alexander-Arnold apresentou dificuldades.

O gol da Inter aos 77 minutos foi um exemplo claro. Lautaro Martínez conseguiu atacar o espaço e Alexander-Arnold não acompanhou a movimentação do argentino da maneira necessária. Lautaro participou da construção da jogada que terminou no gol de Carlos Augusto.

Dois minutos depois, Mourinho decidiu substituí-lo por Aurélien Tchouaméni.

Isso não significa que Alexander-Arnold tenha feito uma partida completamente ruim. Pelo contrário. Mourinho fez questão de elogiar seu esforço e afirmou que o jogador cumpriu bem aquilo que havia sido pedido do ponto de vista tático.

A avaliação do treinador, também deixou uma mensagem bastante clara. Para Mourinho, Alexander-Arnold possui características físicas e táticas mais adequadas para atuar como lateral.

A disputa com Dumfries pode definir o futuro do inglês

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Foto: David S. Bustamante (Klagenfurt)

O grande desafio de Alexander-Arnold agora não é provar que consegue jogar no meio campo. É conquistar espaço na posição em que pode oferecer seu melhor futebol.

Denzel Dumfries começou a temporada como titular da lateral direita e atualmente está à frente do inglês na disputa. O holandês oferece um perfil mais defensivo, enquanto Alexander-Arnold possui uma capacidade ofensiva muito maior.

Essa diferença pode ser justamente a oportunidade do inglês.

Alexander-Arnold precisa transformar suas oportunidades em números. Assistências, chances criadas, participação em gols e qualidade na construção das jogadas podem ser fundamentais para convencer Mourinho de que sua presença no time titular aumenta o potencial ofensivo do Real Madrid.

Na partida contra a Inter, por exemplo, ele criou duas chances e uma grande oportunidade. Em uma delas, Kylian Mbappé teve uma excelente oportunidade durante um contra ataque, mas não conseguiu finalizar a jogada.

Ou seja, mesmo em uma posição que não favorece suas características, Alexander-Arnold conseguiu mostrar parte de seu potencial criativo.

O problema é que o Real Madrid precisa encontrar um equilíbrio. Se o jogador estiver na lateral direita, sua liberdade para participar da construção pode ser uma arma importante, mas a equipe também precisa compensar os espaços deixados por ele.

Esse é provavelmente o principal ponto que Mourinho terá de trabalhar.

A capacidade de Alexander-Arnold para criar jogadas não está em discussão. O que está sendo analisado é como utilizar essa qualidade sem comprometer a estrutura defensiva da equipe.

Aos 27 anos, o inglês ainda tem experiência suficiente para adaptar alguns aspectos de seu jogo. Entretanto, isso não significa que precise abandonar suas características naturais para conquistar espaço.

O cenário mais provável é que Alexander-Arnold continue brigando com Dumfries pela titularidade e tenha algumas oportunidades durante a temporada. Para mudar essa disputa, porém, ele precisará aproveitar cada chance.

O experimento no meio campo mostrou que Mourinho pode recorrer ao inglês em situações emergenciais, mas também reforçou a ideia de que sua melhor versão provavelmente aparecerá pela direita.

Agora, o desafio é transformar essa conclusão em desempenho dentro de campo. Uma sequência de boas atuações, participação em gols e maior segurança defensiva pode fazer Alexander-Arnold ganhar espaço no time.

O Real Madrid contratou o inglês justamente pela capacidade de fazer algo diferente. Se Mourinho conseguir encaixar essa qualidade no sistema sem perder equilíbrio defensivo, Alexander-Arnold poderá finalmente começar a mostrar por que foi considerado um dos laterais mais talentosos de sua geração.

(Foto de capa: Getty Images)

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Kaique