A FIFA viveu uma das semanas mais turbulentas dos últimos anos. Em um intervalo de apenas quatro dias, a entidade apresentou e depois retirou um projeto que pretendia transformar a gestão comercial de suas competições, mas que acabou provocando forte reação de confederações e dirigentes do futebol internacional.
Na terça-feira, o presidente Gianni Infantino anunciou a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), iniciativa que tinha como objetivo concentrar em uma empresa subsidiária toda a operação comercial e organizacional dos principais torneios da entidade. Poucos dias depois, na sexta-feira, o projeto foi oficialmente retirado.
Segundo o texto original, a proposta contava com mais de 200 apoios anunciados inicialmente. No entanto, diante da possibilidade de sofrer uma derrota política e enfrentar uma divisão ainda maior dentro da própria organização, a FIFA optou por abandonar o plano antes que ele fosse levado adiante.
Projeto previa entrada de investidores privados
A FIFA Forward Enterprise pretendia reunir a gestão comercial e operacional das competições organizadas pela entidade em uma nova empresa.
O projeto estimava essa estrutura em cerca de 20 bilhões de dólares e previa a venda de até 20% de sua participação para investidores privados. A intenção não era inédita no futebol. Segundo o texto original, La Liga já realizou uma operação semelhante ao firmar parceria com a CVC, enquanto a UEFA criou a UC3 em conjunto com os clubes europeus.
O principal ponto de discussão não era a presença de investidores privados, mas sim os ativos que seriam colocados sob essa nova estrutura. Entre eles estava a exploração comercial da Copa do Mundo, considerada o principal patrimônio da FIFA, o que levantou questionamentos sobre transparência, fiscalização e governança.
Falta de transparência gerou críticas
De acordo com o texto original, a principal crítica ao projeto foi a forma como ele foi conduzido internamente.
A proposta teria sido apresentada sem um processo amplo de consulta às federações e sem a documentação considerada necessária para uma decisão desse porte. Além disso, o projeto ainda não havia passado pelos órgãos internos responsáveis pela avaliação desse tipo de iniciativa.
Essa situação gerou questionamentos sobre a própria governança da FIFA. Afinal, a entidade exige padrões de integridade e boas práticas administrativas das suas 211 federações filiadas, mas passou a ser cobrada por não seguir os mesmos princípios em uma decisão considerada estratégica.
UEFA liderou movimento contra a proposta
A reação das principais entidades do futebol internacional aconteceu rapidamente.
A UEFA reuniu suas 55 federações afiliadas e informou que nenhuma seleção europeia participaria das competições organizadas pela FIFA enquanto o projeto permanecesse em vigor.
O posicionamento europeu recebeu apoio da Concacaf, que representa 41 associações nacionais, além da Confederação Asiática de Futebol. Segundo o texto original, a pressão também veio de dentro da própria FIFA, com a renúncia de Carlos Cordeiro, assessor sênior de Gianni Infantino, além de críticas feitas pelo diretor de operações da entidade, Kevin Lamour.
Retirada do projeto não encerra crise
Diante da forte resistência, a FIFA decidiu retirar oficialmente a proposta.
Segundo a entidade, o projeto foi abandonado porque gerava divisões incompatíveis com o objetivo de unir o futebol mundial. Ainda assim, o texto destaca que a decisão não responde como uma iniciativa desse tamanho conseguiu avançar sem que os mecanismos internos de controle impedissem seu desenvolvimento.
A Copa do Mundo também aparece como um dos fatores que contribuíram para aumentar a tensão nos últimos meses. Debates envolvendo preços de ingressos, calendário, formato do espetáculo, interrupções nas partidas e o chamado “caso Balogun” reforçaram a percepção de uma FIFA cada vez mais poderosa comercialmente e menos aberta a mecanismos de fiscalização.
Disputa por poder segue nos bastidores
Embora a UEFA tenha liderado a oposição ao projeto, o texto original ressalta que a entidade europeia também possui interesses próprios.
No passado, a UEFA já mobilizou clubes e federações contra a criação da Superliga Europeia, ao mesmo tempo em que defendia suas competições, receitas e posição de influência no futebol internacional.
Por trás da disputa está uma questão considerada central: quem terá o controle do futebol mundial nos próximos anos. Enquanto a FIFA concentra o poder político por meio dos votos das federações nacionais, a UEFA continua reunindo boa parte do valor esportivo e comercial das principais competições.
O texto também aponta que as eleições presidenciais da FIFA, previstas para 2027, ajudam a explicar o momento vivido pela entidade. Segundo a análise, a FIFA Forward Enterprise poderia ampliar os recursos financeiros destinados às federações responsáveis por votar no próximo presidente, fortalecendo a base de apoio de Gianni Infantino.
Mesmo mantendo importantes aliados dentro da organização, o dirigente suíço teria perdido parte da imagem de invulnerabilidade construída nos últimos anos. Assim, os quatro dias que culminaram na retirada do projeto podem representar apenas o início de uma disputa política muito maior pelos rumos da FIFA e pela liderança do futebol mundial.
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