O Arsenal começou a temporada 2026/27 demonstrando novamente que será um dos principais candidatos aos grandes títulos. A equipe de Mikel Arteta mantém a base que conquistou resultados importantes nos últimos anos, apresenta um funcionamento coletivo consolidado e conta com jogadores vivendo momentos de grande nível individual. Entre eles, Martin Odegaard tem chamado atenção por uma mudança importante em seu posicionamento dentro de campo.
Conhecido nos últimos anos por exercer uma função cada vez mais próxima à de um meio-campista completo, Odegaard passou a aparecer com maior frequência nas zonas ofensivas. O norueguês está invadindo mais a área adversária, realizando mais movimentações sem a bola e, como consequência, voltando a participar diretamente dos gols.
Os números deste início de temporada deixam clara essa mudança. Odegaard já marcou três gols em quatro partidas considerando todas as competições, depois de ter balançado as redes apenas uma vez em 36 jogos durante toda a temporada passada.
Odegaard volta a atacar a área com frequência

A principal mudança no jogo de Odegaard está em suas movimentações ofensivas. Durante seus primeiros anos no Arsenal, o norueguês era frequentemente utilizado como um camisa 10, responsável por criar jogadas próximo à área adversária. Com o desenvolvimento da equipe e de seu próprio jogo, ele passou a atuar cada vez mais distante do gol.
Odegaard se transformou em um meio-campista mais completo. Ele passou a recuar para participar da construção das jogadas, ajudar na circulação da bola e organizar o funcionamento coletivo da equipe. Essa evolução fez dele um jogador fundamental para Arteta, mas também reduziu sua presença em zonas de finalização.
A atual temporada, entretanto, mostra uma mudança.
Nos jogos da Premier League, Odegaard está realizando uma média de 3,2 corridas de alta intensidade por 90 minutos para dentro da área adversária enquanto o Arsenal está com a posse de bola. Na temporada passada, esse número era de apenas 1,4.
O aumento é significativo, especialmente porque representa mais do que o dobro da média anterior.
Outra estatística reforça a mudança. Em apenas três jogos da Premier League nesta temporada, Odegaard já realizou sete movimentações sem a bola para se transformar em uma opção de cruzamento para seus companheiros. Durante toda a temporada passada, ele realizou esse tipo de movimentação apenas dez vezes.
Sua média por 90 minutos saltou de 0,65 para 2,8, um crescimento superior a quatro vezes.
Essa nova postura tem resultado diretamente em gols. Um dos melhores exemplos aconteceu na vitória sobre o Chelsea. Em uma jogada iniciada pela esquerda, Christos Tzolis avançou em direção à área e tentou encontrar Kai Havertz. O passe, porém, acabou ficando um pouco atrás do atacante alemão.
Havertz percebeu que Odegaard vinha chegando de trás e, em uma decisão inteligente, deixou a bola passar. O capitão do Arsenal dominou com apenas um toque e encobriu Emiliano Martínez para marcar o gol que colocou sua equipe em vantagem.
A jogada foi semelhante a outra situação vivida semanas antes, na Community Shield contra o Manchester City. Naquela ocasião, Odegaard também apareceu vindo de trás para aproveitar uma jogada construída por Tzolis.
São situações que mostram uma tendência clara: o Arsenal está incentivando seu principal meio-campista a atacar mais a área.
A recuperação física pode devolver Odegaard ao seu melhor nível

A mudança ofensiva também está diretamente relacionada à condição física do jogador. Os últimos dois anos foram difíceis para Odegaard, especialmente por causa de problemas recorrentes no joelho.
Na temporada 2025/26, ele disputou apenas 1.371 dos 3.420 minutos possíveis na Premier League. Isso representa pouco mais de 40% do tempo total disponível durante a competição.
Mesmo retornando para a reta final da temporada e participando de jogos importantes, Odegaard esteve distante do protagonismo que havia construído desde sua chegada definitiva ao Arsenal, em 2021.
A diferença fica ainda mais evidente quando comparados os números de partidas como titular. Em suas três primeiras temporadas completas pelo clube, Odegaard começou 32, 37 e 35 dos 38 possíveis jogos da Premier League.
Nos últimos dois anos, esses números caíram para 26 e, posteriormente, apenas 16 partidas como titular.
Por isso, permanecer saudável será um dos principais desafios do norueguês nesta temporada.
A boa notícia para o Arsenal é que o início indica que o jogador recuperou não apenas sua condição física, mas também sua confiança. Odegaard parece ter se beneficiado da sequência de jogos disputada durante a Copa do Mundo, competição em que ajudou a Noruega a alcançar as quartas de final.
O meio-campista terminou o torneio com quatro assistências. Apenas Michael Olise, com sete, registrou um número maior.
Agora, de volta ao Arsenal, Odegaard tem a oportunidade de transformar essa boa fase em uma temporada de recuperação definitiva.
Se continuar aparecendo próximo ao gol com a frequência atual, o norueguês poderá desafiar sua melhor marca individual pelo clube. Na temporada 2022/23, ele marcou 15 gols em todas as competições, seu maior número desde que chegou a Londres.
Nesta temporada, suas movimentações indicam que existe uma possibilidade real de voltar a se aproximar desses números.
Um Arsenal mais forte depende de um grande Odegaard

O bom momento de Odegaard acontece em uma fase importante para o Arsenal. A equipe parece ter encontrado um funcionamento coletivo extremamente eficiente e se beneficiou da manutenção de boa parte de seu elenco durante o verão.
Arteta conhece profundamente as características de seus jogadores, e a equipe demonstra uma continuidade que nem sempre é encontrada em clubes que realizam grandes mudanças no elenco.
Dentro desse sistema, Odegaard continua sendo uma das peças mais importantes.
O norueguês não contribui apenas com gols e assistências. Sua inteligência tática, posicionamento e capacidade de organizar a pressão fazem com que Arteta continue o considerando uma peça fundamental para o funcionamento do meio-campo.
A concorrência, no entanto, aumentou. Eberechi Eze ganhou espaço enquanto Odegaard esteve ausente durante a última temporada e representa uma alternativa importante para a posição.
Ainda assim, Arteta parece preferir Odegaard no centro do campo pela influência que o capitão exerce em diferentes momentos do jogo.
Os números ofensivos deste início de Premier League também reforçam sua importância. Odegaard é um dos únicos dois jogadores da competição, ao lado de Morgan Rogers, do Chelsea, com pelo menos 1,0 em gols esperados e 1,0 em assistências esperadas.
O dado demonstra sua capacidade de contribuir tanto para a criação quanto para a finalização.
Além disso, apenas sete jogadores participaram de mais sequências de jogadas em campo aberto que terminaram em finalização do que Odegaard, que soma 20 participações. Ele também lidera a Premier League em sequências nas quais participou da construção da jogada e terminou a mesma ação com uma finalização.
A relação entre a boa fase do Arsenal e a presença de Odegaard no time dificilmente pode ser considerada coincidência. Desde que se tornou um dos principais jogadores do clube, o norueguês acompanhou toda a evolução da equipe até se transformar em um candidato constante ao título inglês.
Agora, saudável e com uma função mais ofensiva, Odegaard pode estar pronto para atingir novamente seu melhor nível.
E se o Arsenal continuar funcionando coletivamente como demonstrou neste início de temporada, enquanto seu capitão voltar a marcar gols com regularidade, a equipe de Mikel Arteta se tornará uma ameaça ainda maior para o restante da Premier League.
(Foto de capa: Getty Images Sport)



