pedro porro espanha
Copa do Mundo

Uma equipe especial vence grandes individualidades: como a Espanha envolveu a França rumo à final da Copa do Mundo

A Espanha deu uma verdadeira aula de controle de jogo para garantir sua vaga em apenas sua segunda final de Copa do Mundo, deixando o restante do mundo impressionado com a forma como dominou completamente a França.

A seleção francesa entrou na semifinal como ampla favorita após uma campanha tranquila no torneio. Com jogadores como Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé e Michael Olise, os franceses haviam se consolidado como o ataque mais temido da competição.

No entanto, enquanto muitos se perguntavam como a França poderia ser derrotada, a Espanha lembrou a todos por que é a atual campeã da Europa e acumula agora uma sequência invicta de 37 partidas, igualando um recorde histórico. A equipe venceu por 2 a 0 e garantiu sua classificação para a decisão.

A Espanha cresceu na hora certa

oyarzabal espanha
(Photo by Tullio Puglia – FIFA/FIFA via Getty Images)

Durante boa parte da Copa do Mundo, a Espanha passou relativamente despercebida. A equipe, por exemplo, empatou sem gols com a estreante Cabo Verde na estreia, enquanto sua principal estrela, Lamine Yamal, marcou apenas um gol até aqui.

Mesmo assim, os espanhóis parecem ter alcançado seu melhor momento justamente na reta decisiva da competição. Depois de manter a defesa sem sofrer gols em seis das sete partidas disputadas, chegam à final como favoritos para enfrentar Inglaterra ou Argentina.

Já a França terá de disputar a decisão do terceiro lugar depois de ser neutralizada por uma atuação impecável do meio-campo espanhol e conseguir apenas três finalizações no alvo durante toda a partida.

“O que a Espanha fez com a França foi impressionante. Simplesmente atropelou a seleção francesa”, afirmou o ex-campeão da Premier League Chris Sutton, comentarista da BBC Radio.

Roy Keane também destacou a diferença coletiva entre as equipes.

“Demos muitos elogios à França durante toda a Copa, mas ela foi completamente dominada pela qualidade técnica da Espanha. No geral, os espanhóis venceram tanto fisicamente quanto tecnicamente.”

“A França não jogou como um time. Eram grandes jogadores atuando individualmente. Já a Espanha foi absolutamente brilhante, um prazer de assistir.”

Quando Luis de la Fuente assumiu o comando da seleção espanhola, em dezembro de 2022, muita gente sequer conhecia seu nome.

Acostumada a treinadores de grande projeção desde o título mundial conquistado sob o comando de Vicente del Bosque em 2010, parte da imprensa chegou a chamá-lo ironicamente de “Luis de quem?”.

Na época, ele chegava após comandar as seleções espanholas sub-19, sub-21 e sub-23.

Pouco mais de três anos depois, respondeu às críticas com resultados.

Primeiro conquistou a Liga das Nações em 2023.

Depois venceu a Eurocopa de 2024.

Agora levou a Espanha novamente à final de uma Copa do Mundo.

Caso a Inglaterra elimine a Argentina, a decisão repetirá a final da Eurocopa disputada dois anos atrás.

Números impressionantes da Espanha

Espanha Copa do Mundo
Foto: Seleção Espanhola

A Espanha igualou o recorde da Itália de maior sequência invicta da história entre seleções, com 37 partidas.

Os cinco jogadores europeus com mais partidas somando Copa do Mundo e Eurocopa sem jamais sofrer uma derrota pertencem todos ao elenco espanhol: Aymeric Laporte (22), Mikel Oyarzabal (20), Fabián Ruiz (16), Mikel Merino (14) e Lamine Yamal (14).

Lamine Yamal nunca perdeu uma partida defendendo a seleção principal da Espanha. Além disso, venceu todos os 12 jogos em que começou como titular somando Copa do Mundo e Eurocopa, o melhor aproveitamento entre jogadores europeus nessas competições.

A Espanha tornou-se também a primeira seleção da história das Copas do Mundo a manter seis jogos sem sofrer gols em uma única edição do torneio.

Contra a França, permitiu apenas 0,3 de gols esperados (xG), o menor índice registrado por uma seleção em uma semifinal de Copa desde o Brasil diante da Suécia em 1994.

“Recuperamos o espírito de 2010”

luis de la fuente espanha
Foto: IMAGO

 

A campanha espanhola na Copa começou de maneira discreta.

Na estreia, empatou por 0 a 0 com Cabo Verde.

Nas oitavas de final, precisou de um gol aos 46 minutos do segundo tempo para eliminar Portugal.

Nas quartas, outro gol aos 43 minutos da etapa final garantiu a classificação diante da Bélgica.

Na semifinal, não houve necessidade de drama.

A Espanha abriu 2 a 0 antes da metade do segundo tempo graças ao pênalti convertido por Mikel Oyarzabal e ao belo gol de Pedro Porro.

Curiosamente, essas foram as únicas duas finalizações certas da equipe durante toda a partida.

“Talvez esta não seja a melhor seleção espanhola da história, mas foi a melhor equipe em campo”, analisou o ex-lateral francês Gael Clichy.

“Ela controlou absolutamente todas as fases do jogo.”

Patrick Vieira concordou.

“Coletivamente, a atuação foi fantástica. A Espanha venceu a partida taticamente e anulou completamente Michael Olise.”

Ian Wright resumiu o confronto dizendo que “a estrutura coletiva venceu a individualidade”.

Já o jornalista espanhol Guillem Balagué destacou que o desempenho deveria servir de exemplo para qualquer escola de futebol.

“Eles controlaram absolutamente tudo.”

Após a classificação, Luis de la Fuente afirmou que sua equipe merece estar na final pelo esforço, talento, sacrifício e pela busca constante de evolução.

“Recuperamos o espírito de 2010”, declarou o treinador.

“O caráter deste grupo aparece no fato de que até os jogadores que não atuaram permaneceram treinando depois da partida.”

Segundo ele, todo o planejamento da comissão técnica foi construído para que a equipe chegasse à reta decisiva da Copa no auge da forma física e mental.

Uma atuação coletiva que reforça o favoritismo espanhol

Espanha x Bélgica

A relação próxima entre treinador e elenco ajuda a explicar o atual momento da seleção.

Grande parte dos jogadores foi comandada por De la Fuente ainda nas categorias de base.

Mikel Merino, Rodri, Unai Simón, Dani Olmo e Mikel Oyarzabal cresceram juntos sob seu comando, conquistando títulos nas seleções sub-19 e sub-21 antes de chegarem à equipe principal.

Segundo Guillem Balagué, essa convivência criou uma identidade muito forte dentro do grupo.

“Eles aprenderam desde cedo que juntos são melhores do que individualmente. Isso faz parte do DNA dessa geração.”

Dentro de campo, essa filosofia voltou a aparecer diante da França.

A Espanha manteve seu tradicional controle de posse de bola, mas também impressionou pela intensidade na marcação, pela pressão imediata após perder a bola e pela superioridade do trio formado por Rodri, Fabián Ruiz e Dani Olmo no meio-campo.

Olmo, atuando como um camisa 10 móvel, confundiu constantemente a marcação francesa ao recuar para criar superioridade numérica no setor central.

Já Pedro Porro explorou os espaços deixados pelos laterais franceses e marcou o segundo gol após uma bela troca de passes justamente com Dani Olmo.

Ao final da partida, ficou a sensação de que a Espanha ofereceu muito mais do que uma simples vitória.

Mostrou um futebol coletivo, organizado e extremamente eficiente diante da seleção que possuía o ataque mais elogiado da Copa do Mundo.

Por isso, muitos passaram a enxergar os espanhóis como os principais favoritos ao título.

Se a semifinal serviu como uma declaração de força, a Espanha chega à decisão mostrando que, mais do que grandes talentos individuais, possui hoje uma equipe que atua como um verdadeiro conjunto.

(Foto de capa: Julian Finney – FIFA/FIFA via Getty Images)

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Kaique