A Espanha segue acumulando argumentos para acreditar que pode levantar a taça da Copa do Mundo. Depois de eliminar Portugal por 1 a 0 em um jogo decidido apenas nos acréscimos, a equipe comandada por Luis de la Fuente chegou às quartas de final cercada de confiança, embalada por números impressionantes e com um elenco que parece encontrar soluções para qualquer cenário dentro das quatro linhas.
A vitória sobre os portugueses não significou apenas a despedida de Cristiano Ronaldo das Copas. Ela também reforçou a sensação de que a Fúria vive um dos momentos mais consistentes do futebol mundial. Não por acaso, o treinador espanhol fez questão de listar, após a classificação, os motivos que fazem sua equipe sonhar alto no torneio.
E, convenhamos, quando um time entra em uma Copa sem sofrer gols há seis partidas consecutivas, talvez seja melhor que os adversários realmente fiquem preocupados.
Luis de la Fuente evita escolher adversário e manda recado aos rivais
Logo após a classificação, Luis de la Fuente foi questionado sobre qual adversário preferia enfrentar nas quartas de final: Estados Unidos ou Bélgica.
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A resposta foi diplomática, mas carregada de confiança.
Segundo o treinador, não existe adversário fácil nesta fase da competição. Para ele, qualquer seleção que chegou até esse estágio já provou seu valor e será ainda mais difícil do que aquelas enfrentadas anteriormente.
Mais do que fugir da polêmica, a declaração mostrou o momento vivido pela Espanha. A equipe demonstra enorme respeito pelos rivais, mas também transmite a sensação de que acredita plenamente no próprio futebol.
Essa postura tem acompanhado a seleção desde o início da competição e ajuda a explicar por que tantos analistas colocam os espanhóis entre os favoritos ao título.
Defesa virou a grande marca da seleção espanhola
Se existe um setor que resume a força da Espanha nesta Copa do Mundo, ele está lá atrás.
Com o triunfo sobre Portugal, a equipe alcançou uma marca histórica: tornou-se a primeira seleção a registrar seis partidas consecutivas sem sofrer gols em Copas do Mundo, sequência iniciada ainda na edição de 2022.
O dado impressiona por si só, mas Luis de la Fuente fez questão de dividir os méritos.
Embora o goleiro Unai Simón tenha alcançado 609 minutos consecutivos sem ser vazado, o treinador destacou que o sucesso defensivo vai muito além do camisa 1.
Segundo ele, o sistema funciona porque todos os jogadores participam da marcação.
Há solidariedade, organização, cobertura constante e um comprometimento coletivo que faz com que cada atleta corra pelo companheiro.
Na visão do treinador, essa entrega coletiva explica por que a Espanha consegue controlar os jogos mesmo diante de adversários de alto nível.
Banco de reservas decide mais uma vez
A classificação também serviu para mostrar a profundidade do elenco espanhol.
O gol da vitória nasceu justamente de dois jogadores que começaram a partida no banco de reservas.
Mikel Merino entrou apenas aos 85 minutos. Cinco minutos depois, aproveitou assistência de Ferran Torres, outro atleta acionado durante a segunda etapa, para marcar o gol que colocou a Espanha nas quartas de final.
Para Luis de la Fuente, isso não aconteceu por acaso.
O treinador revelou que vinha administrando cuidadosamente a condição física de Merino, que chegou ao Mundial após enfrentar problemas decorrentes de uma cirurgia no pé durante a temporada pelo Arsenal.
A estratégia era preservar o atacante para momentos decisivos.
O plano funcionou perfeitamente.
“O Merino é um dos melhores jogadores do mundo em sua posição. Além do gol fantástico, quero destacar a importância de todos os reservas. Não apenas hoje, mas durante toda a competição eles têm feito enorme diferença”, afirmou o comandante.
Mikel Merino destaca confiança do treinador
O próprio Merino fez questão de retribuir os elogios recebidos.
Após a classificação, o jogador destacou a relação construída com Luis de la Fuente ao longo da última década e afirmou que sempre recebeu total confiança do treinador.
Segundo o atacante, seu objetivo dentro de campo é justamente responder a essa confiança com dedicação, entrega e desempenho.
A declaração reforça um dos pontos mais valorizados dentro da seleção espanhola: o ambiente interno.
Mesmo jogadores que não iniciam as partidas demonstram estar preparados para entrar e decidir quando forem chamados, algo fundamental em competições curtas como a Copa do Mundo.
Lamine Yamal não marcou, mas encantou novamente
Quem esperava um gol de Lamine Yamal diante de Portugal acabou não vendo a rede balançar.
Mesmo assim, o jovem de apenas 18 anos saiu bastante elogiado pelo treinador.
Antes mesmo da partida entre Portugal e Espanha, muitos torcedores comparavam o talento espanhol a alguns dos maiores nomes da história do futebol, incluindo Cristiano Ronaldo.
Embora ainda esteja no início da carreira, Yamal voltou a ser protagonista ofensivo da Espanha.
Luis de la Fuente classificou a atuação como uma das melhores da trajetória do jovem atacante.
Para o treinador, o jogo foi importante justamente porque colocou Yamal diante de desafios diferentes daqueles que costuma encontrar.
Ainda assim, o ponta conseguiu criar perigo constantemente, desequilibrar no um contra um e gerar preocupação permanente para a defesa portuguesa.
Na avaliação do comandante, esse tipo de experiência acelera ainda mais o amadurecimento do jogador.
Invencibilidade reforça candidatura ao título
Além da campanha sólida na Copa do Mundo, a Espanha chega embalada por uma sequência que impressiona qualquer adversário.
A equipe acumula 35 partidas consecutivas sem derrota, demonstrando regularidade tanto em jogos oficiais quanto nas principais competições internacionais.
Esse retrospecto ajuda a explicar por que Luis de la Fuente trata sua equipe com tanta confiança.
A classificação dramática diante de Portugal também serviu como mais uma demonstração da força mental do grupo.
Mesmo quando o jogo parecia caminhar para a prorrogação, a Espanha manteve a intensidade, acreditou até o último lance e encontrou o gol decisivo nos acréscimos.
Segundo o treinador, justamente esse espírito competitivo diferencia equipes candidatas ao título das demais.
Bélgica será o próximo desafio da Fúria
Agora, a Espanha terá pela frente a Bélgica nas quartas de final da Copa do Mundo.
Será um confronto entre duas seleções acostumadas a ocupar posições de destaque no cenário internacional e que chegam embaladas por campanhas consistentes.
Se mantiver a organização defensiva, o poder de decisão dos reservas e o talento de jogadores como Lamine Yamal, Unai Simón e Mikel Merino, a equipe espanhola tem motivos de sobra para acreditar que pode ir ainda mais longe.
Luis de la Fuente evita qualquer excesso de confiança quando fala publicamente. No entanto, suas declarações deixam claro que o elenco acredita no trabalho realizado e vê a possibilidade de conquistar o segundo título mundial da história da Espanha como algo totalmente possível.
E olhando para o futebol apresentado pela Espanha até aqui, fica difícil dizer que esse otimismo é exagerado. Afinal, eliminar Portugal sem sofrer gols, manter uma longa invencibilidade e encontrar heróis diferentes a cada partida são características que costumam acompanhar equipes campeãs.
Foto: Getty Images
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