Joshua Flamengo
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Estilo de jogo de Joshua, nova joia do Flamengo, lembra grandes promessas do rubro-negro; veja comparações

O Flamengo precisou recorrer a um garoto de 17 anos para evitar um vexame. Diante do Botafogo-PB, em uma partida arrastada pela terceira fase da Copa do Brasil, o Rubro-Negro encontrou o alívio nos pés de Joshua, jovem meia-atacante que fez sua estreia profissional nesta quinta-feira. Com o jogo empatado e um desempenho coletivo muito abaixo das expectativas, coube ao estreante decidir: aos 39 minutos do segundo tempo, ele marcou o gol da vitória por 1 a 0 no Castelão, em São Luís.

Joshua entrou aos 33 minutos da segunda etapa, no lugar de Plata, e precisou de apenas seis minutos para justificar a confiança da comissão técnica. O gol saiu após um rebote de cabeçada defendida pelo goleiro adversário, e foi o suficiente para carimbar a atuação do jovem com selo de decisão, em uma noite que poderia ser lembrada pela apatia do Flamengo, mas ficará marcada pela estreia de uma nova promessa rubro-negra.

Raízes no Ninho: a trajetória até o profissional

Joshua chegou ao Flamengo ainda criança, aos 10 anos. Desde cedo, se destacou nas categorias de base, acumulando gols e usando, com frequência, a simbólica camisa 10. Em sua passagem pelas divisões inferiores do clube, o garoto superou a marca de 100 gols. Só em 2024, pela equipe sub-17, foram 21 gols em 26 jogos e nove assistências. Ele também foi artilheiro da Copa Rio Sub-17, com 12 gols, e integrou o time campeão da Libertadores Sub-20, vencendo o Palmeiras nos pênaltis.

Filipe Luís conhece bem Joshua. Foi sob seu comando, no sub-17, que o garoto conquistou a Copa Rio e demonstrou maturidade tática acima da média. O ex-jogador, que transita com autoridade entre base e profissional, tem papel importante nessa transição precoce.

Embora a partida contra o Botafogo-PB tenha sido a primeira em que Joshua entrou em campo, ele já havia sido relacionado outras quatro vezes. Quando finalmente teve minutos em campo, não decepcionou: além do gol, acertou 100% dos passes (4 de 4), venceu seu único duelo individual e percorreu boa parte do meio de campo. Uma amostra completa, ainda que breve, de um jogador com fome e capacidade de decisão.

Comparações inevitáveis: quem Joshua lembra na história rubro-negra?

O surgimento de uma promessa no Flamengo inevitavelmente levanta comparações. Joshua é um meia-atacante que atua centralizado, mas também pode cair pelos lados. Com mobilidade, leitura de espaço e senso de finalização, ele lembra Lucas Paquetá em sua primeira fase no clube. Paquetá, hoje jogador da Premier League, também surgiu como meia ofensivo com chegada à área, presença física e personalidade.

No entanto, há traços de Renato Augusto no estilo de jogo de Joshua. Especialmente pela forma como carrega a bola, acelera o jogo e toma decisões racionais. Joshua não é exatamente um driblador como Vinícius Júnior ou um meia explosivo como era Reinier em seu começo. Seu jogo se baseia mais na inteligência posicional e no faro de gol, algo que sempre o diferenciou na base.

Ao contrário de outras promessas recentes que chegaram com enorme expectativa, Joshua vem sendo trabalhado com mais cautela. Isso pode ser positivo. Lançado no momento certo, com preparação emocional e física adequada, o jovem evita o peso de uma badalação precoce que atrapalhou tantos outros. Sua estreia é um exemplo de planejamento: cinco convocações, observação de bastidores, minutos controlados e um impacto imediato.

Desafio de permanecer: a briga por espaço em um elenco milionário

O maior desafio de Joshua agora será manter o desempenho e ganhar espaço em um elenco repleto de opções. A posição que ocupa tem nomes consolidados, como Arrascaeta e De La Cruz. Ambos têm características diferentes, o que pode ser uma vantagem para o jovem: enquanto os titulares funcionam mais como armadores e controladores de ritmo, Joshua oferece mais verticalidade e presença ofensiva.

O Flamengo, por sua vez, vive a contradição de ter uma das categorias de base mais vitoriosas do país e, ao mesmo tempo, dar poucas oportunidades reais aos seus talentos. Casos como os de Matheus França e Matheus Gonçalves, que foram vendidos ou emprestados sem sequência, ilustram a dificuldade de transição para o time principal. Joshua pode furar essa barreira, especialmente se mantiver o nível de entrega e for utilizado com inteligência.

Com o clube disputando várias competições em 2025, a expectativa é de que ele ganhe minutos em jogos da Copa do Brasil e eventualmente entre em confrontos do Brasileirão e Libertadores. O talento existe, o histórico também. Agora, é sobre sequência e resistência.

(Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)