Futebol

Confira as estreias de treinadores mais esperadas para a próxima temporada

A temporada do futebol europeu terminou e algumas equipes importantes terão novos treinadores. Real Madrid, Inter de Milão, Bayer Leverkusen, Roma e Atalanta fizeram novas apostas para o futuro a qual disputarão grandes competições.

Analisamos as escolhas dessas equipes para prever o que pode acontecer na próxima temporada com a implementação de novas filosofias de trabalho. Será que esses técnicos farão seus clubes darem um passo a frente ou se mostrarão escolhas equivocadas? As respostas para isso é o que vamos abordar.

Xabi Alonso: um dos treinadores mais promissores do mundo no maior clube da Europa

Xabi Alonso e a expectativa pelo novo treinador Real Madrid
Xabi Alonso e a expectativa pelo novo treinador Real Madrid (Imagem: Chema Moya)

A estreia mais esperada para a próxima temporada é a de Xabi Alonso pelo Real Madrid. O treinador espanhol, na temporada 23/24, dirigindo Bayer Leverkusen, chocou o mundo com uma campanha quase perfeita, sendo derrotado apenas no último compromisso oficial da equipe, justamente na final da Europa League diante da Atalanta.

Na temporada passada, Xabi Alonso não teve o mesmo sucesso anterior, mas mesmo assim fez um grande trabalho. Em termos de título, o espanhol levou a Supercopa da Alemanha, mas foi eliminado da UEFA Champions League pelo Bayern e foi vice dos bávaros na Bundesliga.

Após a consolidação do trabalho e as limitações de elenco do Bayer para enfrentar o rival Bayern, Xabi Alonso resolveu assumir um outro desafio, treinar o Real Madrid, onde terá condições de implementar tudo o que quiser por conta do poderio financeiro dos Merengues, que contrataram um novo técnico para mudar a filosofia de futebol reativo que tinham com Carlo Ancelotti.

Para quem busca uma reformulação de qualidade, Xabi Alonso foi o nome certo para o Real Madrid, pois além de reformular, ele tem capacidade para revolucionar um modelo de jogo que deu indícios de estar ultrapassado na temporada passada. Por conta disso, a diretoria merengue parece ter acertado na mosca.

Xabi Alonso é mais ousado que o seu antecessor, mas gosta de uma defesa organizada e a retenção da posse de bola numa construção de troca de passes até encontrar espaço, atacando em blocos com a presença contundente dos laterais/alas negociando jogadas com os pontas. Esse estilo de jogo, inclusive com a possibilidade de utilização de três zagueiros, deve ser implementado no Real Madrid, mas ninguém deve esperar essa quebra de filosofia da noite para o dia.

A contratação de Alexander-Arnold e a negociação por Álvaro Carreras mostra essa necessidade de alas ofensivos, o interesse por Zubimendi para dar o equilíbrio ao meio-campo e a tentativa por mais um centroavante móvel, mostram que a diretoria merengue está disposta a dar as melhores condições para o projeto Xabi Alonso, que tem absolutamente tudo o que é necessário para marcar época no Real Madrid.

Cristian Chivu: a volta do ídolo, desta vez como comandante

Cristian Chivu é o novo técnico da Inter de Milão
Cristian Chivu é o novo técnico da Inter de Milão (Imagem: Alessandro Sabattini/ getty images)

A temporada da Inter de Milão flertou com um sucesso arrebatador, mas terminou de forma melancólica. A equipe foi eliminada pelo arquirrival Milan em duas copas, terminou como vice-campeão italiano, ficando um ponto atrás do Napoli, e no campeonato mais importante de todos, a UEFA Champions League, perdeu a final para o Paris Saint-Germain de forma acachapante por 5 a 0.

Com a inesperada goleada sofrida, Simone Inzaghi acabou deixando o clube para comandar o Al-Hilal, abrindo espaço para uma nova filosofia nos nerazzurri. Muito se especulou sobre técnicos que vem enchendo os olhos na Europa, mas a escolha foi pelo ex-jogador da equipe, Cristian Chivu.

A contratação de Chivu pela Inter coloca uma incógnita enorme sobre o futuro dos vice-campeões europeus, pois o romeno não possui a experiência necessária para garantir essa equipe na briga pelo topo da Europa.

Cristian Chivu assumiu o Parma na zona de rebaixamento com sete jogos sem vencer, mas logo deu confiança para seus jogadores, implementou um jogo de valorização de posse de bola e impactou rapidamente a equipe. Entretanto, o time perdeu gás na reta final da Serie A e, apesar de ter saído da zona de rebaixamento, terminou aquém das expectativas.

Chivu foi observador técnico da UEFA, jogou na Inter e treinou nas categorias de base da equipe de Milão, sempre idealizando um futebol ofensivo, objetivo e de posse de bola, atuando de forma primordial num 4-3-3, algo que precisará de adaptação para quebrar o estilo de três zagueiros de Inzaghi.

Com baixa experiência e estilo de jogo que precisará de muito trabalho para ser implementado neste elenco da Inter, Cristian Chivu é uma incógnita e dificilmente terá um impacto positivo rapidamente. O torcedor e a diretoria nerazzurri precisarão de paciência para que o trabalho do técnico romeno gere frutos.

Erik ten Tag: uma nova chance de mostrar seu valor

Erik ten Hag tem a chance de dar a volta por cima, agora no comando do Bayer Leverkusen
Erik ten Hag tem a chance de dar a volta por cima, agora no comando do Bayer Leverkusen (Imagem: Getty Images)

O Bayer Leverkusen ressurgiu como uma potência alemã durante a passagem de Xabi Alonso no comando do time. O treinador espanhol implementou um trabalho excepcional no comando da equipe, fazendo uma temporada quase perfeita em 23/24 e também consistente em 24/25.

O sucesso de Xabi Alonso foi tão grande, que o espanhol foi contratado pelo Real Madrid e, para o lugar dele, a diretoria do Bayer Leverkusen apostou em um treinador que divide opiniões, o holandês Erik ten Hag.

Depois de conquistar tudo nacionalmente com o Ajax, ten Hag assumiu o Manchester United como a grande esperança pela retomada dos Red Devils na Inglaterra. Entretanto, após polêmicas, decepções, pontos positivos e dois títulos, o holandês foi demitido pelo gigante inglês.

Erik ten Hag tem gênio forte, mas consegue fazer seus elencos se adaptarem bem aos adversários, formando times competitivos. Com um futebol de boa movimentação, ataque aos espaços e intensidade na marcação ofensiva, o treinador holandês preza pela construção das jogadas de pé em pé desde a defesa, por isso, precisa ter jogadores de fino trato com a bola.

Todas essas características casam muito bem com o elenco do Bayer Leverkusen, que conta com jogadores extremamente talentosos, como Wirtz, Grimaldo e Xhaka, que devem assimilar facilmente o que ten Hag implementar.

A expectativa é de que Erik ten Hag faça um bom trabalho no Bayer Leverkusen, pois ele terá jogadores para atuar do jeito que ele entende futebol e, com uma pressão bem menor do que a sofrida em Manchester, o talentoso holandês deverá retomar o seu patamar no futebol europeu.

Gian Piero Gasperini: após 9 anos na Atalanta, chegou a hora de brilhar em um time maior

Gian Piero Gasperini assume o desafio na Roma
Gian Piero Gasperini assume o desafio na Roma (Imagem: Getty Images)

O maior treinador da história da Atalanta, depois de quase uma década, partiu em busca de um novo desafio e, com isso, colocou muitos holofotes em cima da Roma para a próxima temporada.

Depois do sucesso do lendário Claudio Ranieri, que pegou a Roma em baixa e colocou o time na Europa League de 25/26, a equipe da capital da Itália precisava de um nome que seguisse esse impacto positivo e foi aí que a diretoria dos giallorossi acertou na mosca com Gasperini.

Gian Piero Gasperini revolucionou a Atalanta e fez o pequeno time de Bérgamo ser uma verdadeira pedra no sapato dos grandes clubes italianos. Isso tudo, porque apresentava um futebol compacto, agressivo e rápido, que encontrava espaços nos adversários de letal.

Agora na Roma, com uma capacidade financeira maior, jogadores de grandes recursos técnicos e uma ambição de recolocar os giallorossi no topo da Itália, Gasperini terá todas as condições de realizar um trabalho tão bom quanto o que o consagrou na Atalanta.

Os torcedores da Roma podem esperar as linhas altas, a pressão na saída de bola e ataques em bloco buscando a meta adversária desde o início. Essa vocação ofensiva, com as peças certas, pode revolucionar o jeito de jogar dos giallorossi e recolocar a Roma no topo de um campeonato tão equilibrado como o italiano.

Apesar de todo o talento de Gasperini em apresentar um jogo moderno e vistoso, os espaços defensivos que esse estilo ocasionam pode ser o calcanhar de Aquiles do treinador, que precisa de tempo para dar equilíbrio ao time, algo que em um clube de massa pode não ser tão grande quanto ele gostaria.

Ivan Juric: o discípulo de Gasperini que não consegue ter o mesmo sucesso

Ivan Juric substituirá Gian Piero Gasperini na Atalanta

Ivan Juric substituirá Gian Piero Gasperini na Atalanta (Imagem: X/Atalanta) 

A Atalanta viveu os melhores momentos de sua história de mais de 120 anos nas últimas temporadas. Gian Piero Gasperini mudou a forma que os adversários enxergavam a equipe, jogando um futebol agressivo, moderno, com a participação de todos os jogadores na construção, fazendo a equipe figurar nas primeiras posições da Serie A Tim e conquistar o maior título de sua prateleira, o da Europa League no ano passado.

A era Gasperini durou 9 anos, mas acaba de chegar ao fim, com a Atalanta terminando em terceiro lugar no último campeonato italiano. O maior treinador da história da equipe de Bérgamo, deixou o clube para assumir a Roma na próxima temporada.

Desde então, a lacuna deixada por Gasperini deixou os amantes de futebol europeu curiosos pelo sucessor, que teria um desafio e tanto pela frente, já que substituir um ídolo desta magnitude não é nada fácil. Nomes como Thiago Motta, Marco Silva e Stefano Pioli foram especulados, mas a Atalanta resolveu surpreender, contratando o Ivan Juric, recém rebaixado pelo Southampton na Premier League, clube a qual chegou após ter sido demitido da Roma depois de apenas 12 jogos.

Juric tem como trunfo o fato de ter sido auxiliar de Gasperini na Genoa. O croata tenta implementar o mesmo estilo de jogo do seu mestre, com um futebol agressivo e que busca pressionar e roubar a bola o quanto antes, além de também saber atuar nos contragolpes muitas vezes.

Entretanto, após o sucesso no comando do Torino, Juric nunca mais conseguiu implementar esse estilo intenso nos times por onde passou. O croata parece ter uma ideia de jogo fixa e não tem variações de acordo com os jogadores que comanda. A tentativa de enfrentar times mais fortes de igual para igual gera espaços muito bem aproveitados pelos oponentes.

Na Atalanta, Juric terá um dos melhores elencos que já teve a disposição e deve tentar emular as características de jogo de Gasperini, fazendo a torcida não sentir grande diferença de estilo. Se agir assim, as campanhas da Atalanta não devem sofrer tanta diferença, porém, se perderem jogadores importantes, o croata talvez não seja o melhor nome para a  reconstrução.

(Imagem de capa: Reprodução Real Madrid)