Após eliminar a favorita França, a Espanha está na final da Eurocopa. Repleto de jovens talentos do futebol mundial em seu elenco, misturado com jogadores que estão no seu auge e veteranos com muita experiência, a Fúria teve uma competição beirando a perfeição.
Em poucos momentos a Espanha mostrou alguma fraqueza em seu modo de jogar, que mudou com a chegada de Luis de la Fuente. O novo treinador trocou o “tique-taca” tradicional do futebol espanhol por um estilo mais agressivo de jogar.
A mudança beneficiou a Espanha em todos os pontos, do ataque à defesa, da criação a saída de bola, além do aumento das chances de gols e do surgimento de grandes estrelas.

O caminho até a final
Tudo começou com a atuação da seleção na fase de grupos. Membro do Grupo B, a Fúria caiu ao lado de potências do futebol mundial. A tradicional Alemanha não seria tarefa simples, assim como a “chata” Croácia ainda com Luka Modric. O único “respiro” da Espanha era a Albânia, que se mostrou um desafio.
O primeiro confronto foi com a Croácia, velha conhecida do Brasil. E a Espanha não esperou para se mostrar como uma das favoritas ao título da competição com um sonoro 3 a 0. Já com o esquema bem definido de jogar, a Espanha não teve dificuldades e entrou em campo para enfrentar a anfitriã Alemanha com a “cabeça erguida”.

O duelo entre as duas seleções não teve uma “chuva” de gols, mas terminou com a Espanha conquistando a sua classificação de forma antecipada, além de ter a chance de descansar seu elenco na última partida do grupo. O confronto contra a Albânia foi decidido logo no início, com gol de Ferran Torres, que começou como titular devido a rotação no elenco principal.
E com isso a Espanha passou para a próxima fase com 100% de aproveitamento, e mais: jogando bem e convencendo seu torcedor, que lotou a Alemanha.
No papel, a Espanha teve “sorte” em enfrentar a Geórgia nas oitavas de final, mas a seleção de Khvicha Kvaratskhelia está em excelente fase. E foi isso que se mostrou a grande fraqueza da Geórgia. A seleção tentou jogar no mesmo nível do que a Fúria, frente a frente, com coragem e impulsionada pela sua torcida. Porém, a Espanha, mesmo saindo atrás do placar, mostrou a sua força e aplicou um sonoro 4 a 1.

Foi nesse momento em que vimos alguns jogadores se destacarem mais do que os outros. Lamine Yamal e Nico Williams “infernizavam” nas pontas, enquanto Dani Olmo e Pedri “regiam” o meio-campo da equipe, ao lado de Rodri.
Após a goleada, um novo adversário nas quartas de final, porém um já conhecido. Os caminhos de Alemanha e Espanha se cruzaram novamente, agora no mata-mata. A situação começou ruim para a Fúria, com Pedri se lesionando e ficando de fora do restante da competição. Em contrapartida, Dani Olmo voltou a se destacar e abriu o placar no início do segundo tempo.
A classificação parecia encaminhada, até Florian Wirtz, outro destaque da competição, aparecer e levar a decisão para a prorrogação nos minutos finais do tempo regulamentar. Os pênaltis já pareciam realidade, mas Merino resolveu no último lance do tempo extra.

Se “apenas” a Alemanha já não bastasse, a Espanha precisou mostrar a sua força novamente contra a grande favorita da competição: a França. A seleção de Kylian Mbappé teve o azar de ter o seu pior desempenho na Eurocopa 2024, e a Espanha contou com a sua jovem estrela: Lamine Yamal.
Ainda menor de idade, o atacante do Barcelona não se preocupa em queimar etapas e mostrou que já é uma realidade. Yamal marcou o gol de empate após a França abrir o placar logo cedo, e o atacante foi seguido por Dani Olmo. O meio-campista voltou a mostrar que pode, sim, ser considerado um dos melhores da posição – só precisa mudar de clube.

Destaques da Eurocopa
Falando em destaques, a Espanha contou com o surgimento de uma dupla que deve permanecer na equipe por muitos, muitos anos. Lamine Yamal e Nico Williams foram dois dos jogadores mais divertidos de se assistir na Eurocopa. Ambos, apesar de muitos jovens, se destacaram em quase todos os jogos que atuaram na competição.
No meio-campo, Dani Olmo mostrou que é mais que um jogador pensante. O atleta do RB Leipzig também se provou um artilheiro nato, ao marcar gols em diferentes jogos. Ainda nesse setor, Rodri manteve seu nível impecável de um dos melhores jogadores da atualidade.
A defesa foi a parte da Espanha que mais mostrou fraquezas na competição – e não foram muitas. O “elo fraco” da Fúria na Eurocopa que pode ser destacado é Unai Simón. O goleiro teve muitas dificuldades em sair com os pés, entregando a bola para o adversário em diversos momentos. E isso também aconteceu contra a França, que não aproveitou.

Expectativas para a grande final
Com Alemanha e França na sua lista de “vítimas”, a Espanha é oficialmente a grande favorita para levar o título, independente do seu adversário. Inglaterra e Holanda ainda disputarão a semifinal, mas nenhuma das duas mostrou nem de perto o futebol que a Fúria teve até aqui na competição.
Lamine Yamal e Nico Williams terão a chance de serem protagonistas na final, mas não se esqueçam de Dani Olmo. Além deles, Rodri sempre aproveita os “grandes palcos” do futebol.
(Foto: Franck Fife/ AFP)
