O Arsenal vive um momento interessante no setor ofensivo. Depois de muitas críticas na temporada passada sobre a falta de criatividade para vencer jogos grandes e superar defesas fechadas, Mikel Arteta agora se depara com um problema que, na prática, é até positivo: escolher entre Eberechi Eze ou Martin Odegaard como o grande cérebro criativo da equipe.
Nas últimas duas partidas, o treinador testou os dois em momentos diferentes. Contra o Newcastle, fora de casa, foi Eze quem assumiu o protagonismo, mostrando improviso, ousadia e até chegando perto de marcar. Já diante do Olympiakos, na Champions League, Odegaard voltou ao posto central e respondeu com uma atuação de alto nível, participando diretamente nos dois gols da vitória por 2 a 0.
O brilho inesperado de Eberechi Eze
A chegada de Eze ao Arsenal adicionou um elemento que o time vinha precisando: imprevisibilidade. No St. James’ Park, o meia inglês criou chances, assustou o goleiro Nick Pope com duas finalizações perigosas e ainda deu um passe longo brilhante para Bukayo Saka, que originou um lance polêmico anulado pelo VAR.
Esse estilo mais ousado e direto de Eze já havia dado frutos em outros jogos. Contra o Manchester City, por exemplo, saiu de seus pés a assistência para Gabriel Martinelli salvar um empate. É justamente esse “algo a mais” que ele oferece, uma capacidade de quebrar padrões, que faz Arteta enxergá-lo como peça especial. Como disse o treinador, Eze é capaz de tomar decisões que poucos jogadores tentam — e, muitas vezes, elas mudam o rumo da partida.
Odegaard, o maestro confiável
Se Eze encanta pela surpresa, Odegaard brilha pela consistência. Capitão do time, o norueguês voltou à sua melhor forma contra o Olympiakos. Criou jogadas, distribuiu passes e ainda finalizou mais do que de costume, influenciado, quem sabe, pela postura mais agressiva que Eze mostrou nos últimos jogos.
Essa versão mais ousada de Odegaard pode ser justamente o que faltava ao Arsenal em determinados cenários. Durante muito tempo, ele foi criticado por hesitar em arriscar chutes de fora da área. Agora, parece disposto a tentar mais vezes, sem perder a qualidade criativa que sempre o caracterizou. É como se houvesse um “Odegaard com tempero de Eze” — e isso pode ser um diferencial enorme.

A influência sobre Viktor Gyokeres
Outro ponto fundamental dessa disputa está no impacto que cada um tem sobre Viktor Gyokeres, o centroavante contratado para ser referência ofensiva. Contra os gigantes da Premier League, o sueco quase não finalizou, muito por falta de serviço. Já diante do Newcastle, com Eze por trás dele, foram seis finalizações em um único jogo.
Por outro lado, Odegaard também mostrou entrosamento com o atacante na Champions, colocando-o em boas condições em pelo menos duas ocasiões. Isso reforça que, mais do que uma disputa, talvez a solução esteja em encontrar formas de alinhar os dois meias para que Gyokeres seja abastecido de diferentes maneiras.
Dá para jogar com os dois juntos?
A grande dúvida é se Eze e Odegaard podem coexistir no mesmo time titular. Do ponto de vista ofensivo, seria um espetáculo: Saka, Odegaard, Eze e Gyokeres formando um quarteto capaz de sufocar qualquer defesa. Mas, para isso, alguém teria que sacrificar minutos, como Declan Rice ou Martin Zubimendi, que hoje são peças fundamentais para dar equilíbrio ao meio.
Arteta já testou Eze aberto pela esquerda, e o inglês mostrou ser útil até mesmo nessa função, chegando a dar uma assistência contra o Nottingham Forest. Porém, fica claro que seu jogo rende mais quando atua pelo centro, onde tem liberdade para improvisar e ditar o ritmo.
O dilema bom de Arteta
O Arsenal sofreu, no último campeonato, com empates diante de equipes médias que jogavam fechadas. Foram 14 no total — e muitos deles terminaram em 1 a 1. Nessas ocasiões, faltava justamente a fagulha criativa para encontrar o segundo gol. Ter Eze e Odegaard disponíveis, juntos ou alternando, pode ser a resposta para esse problema.
Agora, cabe a Arteta encontrar o equilíbrio entre o pragmatismo que manteve a equipe competitiva e a ousadia que pode transformar o Arsenal em campeão. Se vai optar por Odegaard, Eze ou pelos dois ao mesmo tempo, só o tempo dirá. Mas a boa notícia é que, finalmente, os Gunners parecem ter variedade criativa para encarar qualquer tipo de adversário.