A Copa do Mundo tem revelado protagonistas improváveis, mas poucos representam tão bem a força da paciência quanto Fabián Ruiz. Discreto dentro e fora de campo, o meia voltou a mostrar por que se tornou uma das peças de confiança de Luis de la Fuente na seleção espanhola.
Existe um dado que resume bem sua importância: Fabián jamais perdeu uma partida pela Espanha quando esteve em campo durante os 90 ou 120 minutos. Já são 48 jogos de invencibilidade, uma marca que reforça sua consistência com a camisa da Roja.
Seu status mudou definitivamente na Eurocopa de 2024. Depois de um longo período de ostracismo sob o comando de Luis Enrique — que praticamente o retirou do radar após a Euro de 2021 —, De la Fuente resgatou o meia e lhe devolveu protagonismo. A resposta veio em grande estilo, com atuações decisivas e uma campanha que o consolidou entre os principais jogadores da seleção.
Curiosamente, o próprio Luis Enrique reconheceu, meses depois, que errou ao deixá-lo fora da Copa do Mundo do Catar. Apesar das especulações sobre um possível desgaste entre os dois, Fabián sempre tratou o assunto com naturalidade.
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Enquanto muitos alimentavam rumores, ele preferiu trabalhar em silêncio. No PSG, recuperou seu melhor futebol justamente sob o comando de Luis Enrique. Na seleção, seguiu o mesmo caminho ao lado de De la Fuente.

A resposta veio em campo
Nem tudo, porém, foi tranquilo nesta Copa. No empate contra Cabo Verde, Fabián Ruíz passou em branco, assim como boa parte do elenco espanhol. Na partida seguinte, contra a Arábia Saudita, vieram as mudanças de Luis de la Fuente, e uma delas envolvia a saída do camisa 8 do time titular.
Após perder a vaga entre os titulares depois da partida contra a Arábia Saudita, Fabián teve motivos para se frustrar. Como qualquer jogador competitivo, ficou incomodado com a decisão. A diferença foi a maneira como reagiu.

Sem reclamações públicas, sem gestos de insatisfação e sem criar qualquer ruído no ambiente, aceitou o momento e continuou trabalhando.
Pessoas próximas ao jogador destacam justamente essa postura: colocar o grupo acima dos interesses individuais, mesmo sabendo que poderia passar o restante do torneio no banco de reservas. Essa atitude acabou sendo recompensada.
Agora, já consagrado após o tento contra a Bélgica, pelas quartas de final da Copa do Mundo, Ruíz chegou a uma invencibilidade de 48 jogos pela Espanha e se aproximou de uma marca histórica, da qual somente Garrincha é dono.
Com 49 partidas sem perder, o “Anjo das Pernas Tortas” teve o recorde registrado entre 1955 e 1966. Fabián Ruíz não está muito distante. Caso a Espanha vença a França, o meia se igualará ao ídolo brasileiro e pode colocar seu nome nos anais da Copa.
A confiança de De la Fuente

Luis de la Fuente sabia exatamente o peso da decisão quando optou por tirar Fabián Ruíz do time. Afinal, tratava-se de um dos pilares da conquista da Eurocopa.
Mas o treinador também soube administrar a situação. Nunca deixou o meia de lado e fez questão de mantê-lo preparado para quando surgisse uma nova oportunidade. Ela apareceu diante da Bélgica.
Após perceber um desgaste físico na equipe no jogo contra Portugal, De la Fuente promoveu mudanças na escalação. Entre elas, o retorno de Fabián.
O resultado não poderia ter sido melhor. O meia comandou o setor de criação durante pouco mais de uma hora, teve excelente atuação e ainda marcou um gol, comemorado de maneira especial: a dedicação foi para a esposa e para o filho que o casal espera.
Mais do que um bom desempenho, foi a confirmação de que o silêncio, muitas vezes, também fala alto.
Fabián Ruiz não precisou responder críticas com discursos ou polêmicas. Fez aquilo que sempre soube fazer melhor: deixou o futebol falar por ele.
Créditos da foto de capa: Reprodução/RFEF
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