Fisioterapeuta assediada Ferroviária
Futebol

Ferroviária denuncia assédio durante partida do Brasileirão Feminino contra o Real Brasília

A Ferroviária publicou nessa quinta-feira (21) uma nota de repúdio na qual manifesta sua denúncia de assédio contra uma profissional da equipe durante o confronto contra o Real Brasília realizado na última terça-feira pela segunda rodada do Brasileirão Feminino. De acordo com o clube paulista, a coordenadora do departamento médico e fisioterapeuta das Guerreiras Grenás, Ariane dos Santos, foi vítima de frases de cunho sexual ao adentrar o campo para prestar atendimento a uma das atletas do time.

Ariane se deslocava ao gramado do estádio Ciro Machado (Defelê), para prestar socorro à goleira da Ferroviária Luciana, quando ouviu de membros não identificados, porém uniformizados com vestimentas do Real Brasília, frases como: “Pode mandar ela vir para cá, ela é gostosa”, e apresentou o fato para a arbitragem do jogo. A árbitra da partida relatou na súmula ao final do confronto vencido pela equipe de Araraquara por 2 a 1.

Apesar de ter denunciado o caso através da súmula da CBF, a Ferroviária afirmou não ter registrado boletim de ocorrência, pois aguarda que o episódio seja punitivo na esfera esportiva.

Ferroviária divulga nota de repúdio ao assédio contra profissional da equipe

Em nota divulgada na tarde de ontem nas redes sociais, a Ferroviária repudiou com veemência o assédio sofrido pela Coordenadora do Departamento Médico e Fisioterapeuta do clube Ariane dos Santos, e prestou solidariedade à funcionária. A equipe afirmou ser “inaceitável que uma profissional em seu ambiente de trabalho seja alvo de violência no exercício de suas funções.” Além disso, manifestou que possui como seu símbolo a ‘Guerreira Grená’, representante da luta contra a desigualdade, a violência, o racismo e a repressão às mulheres brasileiras.

A Ferroviária também aproveitou para apelar às autoridades as devidas providências diante do episódio e que sejam identificados os responsáveis a serem punidos com o rigor da lei. Por fim, reiterou a importância de denunciar situações de assédio, importunação ou violência em qualquer ambiente, para tornar-se cada vez mais possível coibi-los.

FPF presta solidariedade à profissional e CBF leva denúncia ao STJD

Ainda na tarde de ontem, a Federação Paulista de Futebol (FPF) e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) se posicionaram diante do ocorrido no estádio Defelê, em Brasília. Através de nota, a FPF cobrou que “todas as imagens e relatos sejam considerados para que tais indivíduos sejam punidos de forma exemplar para evitar que futuramente, outra profissional passe por essa situação inaceitável.” A entidade do futebol de São Paulo também se solidarizou com Ariane e toda a equipe da Ferroviária, lamentando que as mulheres tenham de passar por situações tão constrangedoras diariamente, seja em seu trabalho, ou no cotidiano.

A CBF também em nota, anunciou ter encaminhado a denúncia da Ferroviária relatada em súmula após a partida contra o Real Brasília ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), e ressaltou que a entidade têm promovido ações contra atos de violência, assédio e racismo no futebol brasileiro. A instituição afirmou também que “é uma de suas premissas trabalhar em estreita colaboração com as autoridades competentes para garantir que todo o tipo de violência e discriminação seja punido nos rigores da lei.” Além disso, pontuou que é inadmissível que em pleno século 21 as mulheres permaneçam alvo de atos criminosos como este.

Ariane atua não só na Ferroviária, mas também na Seleção Brasileira feminina nas categorias de base, como fisioterapeuta da equipe Sub-20. A profissional também esteve com a seleção principal na Copa do Mundo do ano passado disputada na Nova Zelândia e na Austrália.

Real Brasília também publica nota nas redes sociais e se defende das acusações

O Real Brasília também se manifestou sobre o episódio nas redes sociais do clube, afirmando que “as acusações da Ferroviária são levianas, e que desde 2019, quando iniciou seus trabalhos com o futebol feminino, nunca registrou agressão, inadequação ou violência contra mulher.” A equipe do Distrito Federal também afirmou que realizou robustas investigações internas e análises nos vídeos da partida, onde constatou “informações que se evidenciam falsas e levianas” por parte das adversárias de Araraquara.

Além disso, o Real Brasília apontou que as acusações começaram após o clube demonstrar interesse de ingressar na Comissão de Arbitragem da CBF para contestar lances duvidosos que segundo a nota, prejudicaram a equipe dentro de campo na derrota por 2 a 1.

Foto: Cárila Covas/Ferroviária SAF.

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