Nesta terça-feira (1°), a equipe do Monza acertou a venda de 80% do clube para o Beckett Layne Ventures (BLV) – fundo de investimento localizado nos Estados Unidos – por cerca de 30 milhões de Euros (cerca de R$ 192 milhões na cotação atual), de acordo com informações divulgadas pelo jornal italiano “Gazzetta Dello Sport”.
O que poderia ser apenas mais uma negociação de venda de um clube ganha maior proporção na Itália. Isso porque a venda do time que foi rebaixado na última Série A italiana representa o fim de uma relação da família Berlusconi com o futebol local. Pra quem não se lembra, o ex-primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi foi dono do Milan entre 1986 a 2017. Falecido em 2023, ele havia adquirido o Monza em 2018, quando o time ainda disputava a Série C do campeonato local.

Influência da família Berlusconi no futebol italiano iniciou-se no Milan
Homem forte e com bastante influência política na Itália, Silvio Berlusconi é nome conhecido no mundo por sua forte identificação com o Milan. Afinal de contas não é pra pouco. Se hoje o time é considerado um dos gigantes do futebol mundial, muito se deve aos investimentos feitos pela família Berlusconi em 31 anos. O magnata adquiriu o clube em 1986 quando este passava por um momento conturbado: sete anos sem títulos e quedas para a segunda divisão local.
A partir daquele momento, os Rossoneri passaram por uma verdadeira revolução no futebol e os investimentos passaram a ser mais pesados. Tanto é que o dinheiro investido no elenco se transformou em títulos. Ao todo, os 31 anos da “Era Berlusconi” no Milan se transformaram em 29 títulos, sendo estes: oito edições do Campeonato Italiano; cinco UEFA Champions League; seis Supercopas da Itália e um Mundial de Clubes.
O título continental, inclusive, veio em uma das maiores eras do Milan. Os torcedores mais saudosistas do time italiano certamente devem se lembrar daquele elenco que venceu o Boca Juniors na final em 2007, que contava com nomes como os italianos Nesta, Maldini, Pirlo, Gattuso e Inzaghi; os brasileiros Dida, Cafu e Kaká, além do holandês Seedorf.

Só que nem mesmo os títulos fizeram com que Berlusconi fugisse das polêmicas não só como mandatário do Milan, como na sua vida política e até mesmo pessoal. Em 1994, foi eleito primeiro-ministro italiano, mas deixou o cargo após apenas sete meses por denúncias de fraude. O magnata também teve de enfrentar diversas acusações de crimes sexuais, no que teria tido até mesmo a participação de uma brasileira, menor de idade na época.
O último título do Milan sob comando de Berlusconi foi a Série A italiana em 2010/2011. A partir daquele momento, o clube passou a ter uma decaída em seu rendimento futebolístico, o que pode ter motivado o empresário a vender sua parte do clube em 2017 a um grupo de empresários chineses por cerca de R$ 2,5 bilhões na época.
Compra do Monza
Mas, ao contrário do que muita gente imaginava, a família Berlusconi não se afastaria do futebol. No ano seguinte, o empresário adquiriu o Monza por meio da sua holding, a ‘Fininvest’. O plano se mostrava bem ambicioso, já que a ideia era levar a equipe pela primeira vez para a elite do futebol nacional. Pra isso, Berlusconi colocou Adriano Galliani – homem forte nos seus tempos de Milan – como CEO do clube que estava na Série C.

Demorou um pouco para que a equipe chegasse ao objetivo máximo, mas após diversos investimentos com o passar dos anos, o Monza conseguiu sua vaga na elite do futebol nacional em 2022, após vencer o Pisa no “playoff do acesso”. Naquele momento, a equipe já era presidida por Paolo Berlusconi, irmão do magnata que enfrentava sérios problemas de saúde e viria a falecer no ano seguinte, por conta de complicações de uma leucemia.
Nas duas primeiras temporadas na elite, o Monza teve campanhas respeitáveis e terminou na 11ª e 12ª colocações, respectivamente. Entretanto, a equipe teve uma campanha pra se esquecer no campeonato: três vitórias, nove empates e 26 derrotas que culminaram num rebaixamento na última colocação, com 18 pontos. Agora, a equipe vai atrás de se reerguer no futebol sob nova gestão.
(Foto de capa: Olivier Morin/AFP)