O Flamengo de Filipe Luís colocou um ponto final nas dúvidas da torcida e da imprensa ao garantir uma vitória sólida e dominante em sua estreia na Copa do Mundo de Clubes. Mesmo com a possibilidade de zebra, que, convenhamos, tem rondado os grandes times no torneio norte-americano, o Flamengo não quis saber de sustos contra o Espérance, da Tunísia, nesta última segunda-feira (16). Com um convincente 2 a 0, o time já volta as atenções para o Chelsea na próxima rodada.
Depois de tanto falatório sobre suas escolhas, Filipe Luís mostrou que não estava para brincadeira. O técnico do Flamengo colocou Pedro ao lado de Arrascaeta e, de quebra, deu a primeira chance a Jorginho, que enfim estreou com a camisa rubro-negra. Simplesmente, Filipe decidiu ir com tudo que tinha de melhor, e no fim das contas, não poderia dar outro resultado.
Mas não estamos aqui para repetir o que todo mundo já sabe: que o Flamengo superou o time tunisiano. Vamos falar das boas histórias que este jogo nos deixou.
Impressões da estreia do Flamengo no Super Mundial

Meio de campo excepcional
Fiel à sua filosofia, o Flamengo não abriu mão da posse de bola e empurrou o Espérance para dentro da própria área. Com Pulgar, Jorginho e Gerson no meio, o Flamengo teve uma tranquilidade absurda para trocar passes e encontrar espaços. Apesar de Jorginho gostar de ser o primeiro volante, ele não viu problema em atuar como segundo, deixando o papel mais fixo para o chileno.
Com dois jogadores altamente qualificados na saída de bola, Arrascaeta deve ter pensado que estava num sonho. Como todo mundo sabe que o camisa 10 não é exatamente um tanque físico, Filipe decidiu liberar o uruguaio para focar só no que ele faz de melhor: atacar. E deu muito certo. O técnico do Flamengo montou uma engrenagem perfeita para que Arrasca jogasse solto e, olha, talvez ele esteja vivendo um dos seus melhores momentos no clube.
Pulgar, Jorginho e Gerson deram a sustentação perfeita, e os laterais também abraçaram a causa, sempre oferecendo boas opções de passe. Toda vez que a bola chegava nos pés de Arrasca, ele tinha no mínimo duas alternativas. E quando não tinha? Ele tirava a jogada do bolso mesmo.
O primeiro gol saiu exatamente assim. O novo camisa 21 do Flamengo recebeu de Pulgar, que já acelerou com um passe quebrando linhas para Arrascaeta. Sem perder tempo, o uruguaio enfiou a bola para Varela, que disparou pela direita e cruzou no segundo pau. Luiz Araújo ajeitou de cabeça para Arrasca, e bom… o final todo mundo já sabe: bola na rede.
Com a escalação que Filipe colocou em campo, fica difícil imaginar um meio de campo melhor. Foi um trio completo: qualidade defensiva, segurança, visão de jogo, passes refinados, posicionamento inteligente. E vale lembrar que foi a primeira vez deles juntos oficialmente.
Solidez defensiva
A solidez defensiva do Flamengo merece um capítulo à parte. Filipe Luís montou um sistema que funciona como um relógio. Dá para puxar os números do Brasileirão: só quatro gols sofridos e 24 pontos conquistados. Quando tem a posse, o Flamengo naturalmente forma uma linha de três zagueiros, garantindo segurança atrás e qualidade na construção ofensiva.
Normalmente, Alex Sandro seria o dono da lateral-esquerda, mas Ayrton Lucas deu conta do recado neste jogo. Ele ajudou Léo Ortiz e Léo Pereira na linha de três, permitindo que Varela se lançasse no ataque. Wesley, aliás, ficou no banco. Mesmo com laterais reservas, o Flamengo manteve um excelente nível, não faltou nada.
Partindo dessa linha de três, ainda tinha Pulgar e Jorginho oferecendo apoio. E olha, os defensores do Flamengo sabem muito bem o que fazer com a bola. O time tem um carinho impressionante pela redonda, trabalha com calma, gira o jogo e transfere a pressão para o adversário, que acaba ficando nervoso.
Apesar de dominar a maior parte do tempo, o Flamengo já provou que também sabe sofrer quando precisa. E nesse jogo, sofreu só um pouquinho.
Queda de ritmo no segundo tempo
Depois de um primeiro tempo dominante e um gol bem construído, o Flamengo viu o Espérance se animar um pouco na segunda etapa. Esse tipo de queda de ritmo acontece às vezes com o time rubro-negro, provavelmente pelo gás que o time gasta nos primeiros 45 minutos. A intensidade cai e o time dá uma “desconectada” do jogo.
Essa oscilação foi bastante criticada. O Flamengo finalizou 11 vezes no jogo, mas só quatro dessas foram no segundo tempo. Uma delas, pelo menos, foi o golaço de Luiz Araújo que fechou o placar. Do outro lado, o Espérance arriscou cinco vezes na segunda etapa, nada muito perigoso, mas colocou Rossi para trabalhar.
O goleiro argentino só precisou fazer uma defesa difícil, quando Belaili aproveitou as costas de Varela e chegou com perigo. Rossi salvou com o pé e evitou que caísse água no chope rubro-negro, já que o Flamengo ainda não tinha garantido o 2 a 0 naquela altura.
Foto: Gilvan de Souza / Flamengo