Futebol

Flamengo: Série 5 maiores vitórias da história

A série com as cinco maiores vitórias da história dos grandes clubes terá agora o Flamengo como protagonista. O rubro-negro carioca, um dos principais clubes do país em número de conquistas, tem uma belíssima trajetória repleta de triunfos, o que dificultou nossas escolhas.

Confira as cinco maiores vitórias do Flamengo, que incluem jogos decisivos em ampto regional, nacional, continental e mundial. Veja se você concorda.

Flamengo 3×1 Vasco – Final do Campeonato Carioca de 2001

Petkovic comemora o gol de falta na final do Campeonato Carioca de 2001 que o transformou em lenda do Flamengo
Petkovic comemora o gol de falta na final do Campeonato Carioca de 2001 que o transformou em lenda do Flamengo (Imagem: Divulgação)

A final do Campeonato Carioca de 2001 é uma das mais épicas da história do Flamengo e do futebol brasileiro. O clube buscava o tricampeonato estadual consecutivo, algo que não acontecia desde os tempos de Zico. Do outro lado estava o maior rival, o Vasco da Gama, em um dos períodos mais intensos da rivalidade. A decisão foi disputada no Maracanã, com mais de 61 mil torcedores presentes, num clima de tensão e expectativa. O Flamengo havia perdido o jogo de ida por 2 a 1 e precisava vencer por dois gols de diferença para ficar com o título.

O jogo começou com o Vasco abrindo o placar com Juninho Paulista, tornando a missão rubro-negra ainda mais desafiadora. Mas o Flamengo não se entregou. Ainda no primeiro tempo, Edílson empatou o jogo e recolocou o time na disputa. A torcida, que empurrava o time do início ao fim, se encheu esperança naquele momento.

No segundo tempo, o Flamengo partiu em busca da virada. A recompensa veio com Edílson novamente, que finalizou com uma cabeçada precisa para virar o placar. O Flamengo precisava de mais um gol para reverter a desvantagem e garantir a taça e o tempo parecia inimigo. Até que, aos 43 minutos do segundo tempo, o momento mágico aconteceu: falta na entrada da área, Petkovic na bola. O sérvio cobrou com maestria, no ângulo, sem chances para Hélton. Um gol para a eternidade.

Petkovic se consagrou como um dos maiores ídolos da história do Flamengo com aquele gol inesquecível. Edílson, com seus dois gols, também foi decisivo em uma de suas melhores atuações pelo clube. Júlio César, no gol, foi seguro sempre que exigido, e o técnico Zagallo teve papel fundamental na motivação e estrutura do time. Aquele 3 a 1 sobre o Vasco não foi apenas a conquista de um tricampeonato: foi a prova da alma flamenguista, resiliente, corajosa e determinada até o último segundo.

Flamengo 2×0 Cobreloa – Final da Libertadores de 1981

Flamengo dá a volta olímpica no título da Libertadores de 1981
Flamengo dá a volta olímpica no título da Libertadores de 1981 (Imagem: Reprodução)

A final da Libertadores de 1981 foi a primeira grande glória internacional do Flamengo. Após vencer o Cobreloa por 2 a 1 no Maracanã e perder no Chile por 1 a 0, o título foi decidido em um jogo desempate no Estádio Centenário de Montevidéu. A expectativa era enorme. Com Zico em grande fase, o time treinado por Paulo César Carpegiani tinha a chance de fazer história.

Vencer a Libertadores naquele ano era a consagração da geração mais talentosa da história rubro-negra. Era a primeira vez que o clube chegava tão longe na América. O título coroava uma equipe que havia encantado o Brasil com sua primeira conquista nacional em 1980, mas que buscava o reconhecimento internacional.

Na partida decisiva, Zico foi genial. Marcou os dois gols da vitória por 2 a 0 e conduziu o time à glória. O Flamengo dominou o jogo, mesmo diante da forte marcação do time chileno, conhecido por sua dureza. A equipe brasileira foi superior tecnicamente e emocionalmente, impondo respeito desde os primeiros minutos. Entretanto, em muitos momentos o futebol foi deixado de lado pela confusão e assim a partida terminou com cinco cartões vermelhos, sendo três deles para os chilenos, mostrando o “clima de Libertadores” desde aquela época.

Zico foi o protagonista absoluto, liderando com personalidade e talento. Júnior, Adílio, Leandro e Tita também brilharam, formando uma base sólida de uma equipe que entraria para a história. A conquista da Libertadores de 1981 mudou o patamar do clube e abriu caminho para o mundo. Antes desse jogo, o Flamengo era um time que começava a desabrochar para o Brasil, mas depois dele, a América passou a conhecer o poder da equipe rubro-negra.

Flamengo 2×1 River Plate – Final da Libertadores de 2019

Gabigol fez os dois gols da virada do Flamengo sobre o River Plate na final da Libertadores de 2019
Gabigol fez os dois gols da virada do Flamengo sobre o River Plate na final da Libertadores de 2019 (Imagem: Reprodução)

A vitória sobre o River Plate por 2 a 1 na final da Libertadores de 2019 é considerada por muitos a maior da história do Flamengo. O time chegava à decisão após uma campanha brilhante sob o comando do técnico Jorge Jesus, que revolucionou a forma de jogar da equipe. Após 38 anos de espera, a Nação Rubro-Negra voltava a disputar uma final do maior torneio continental da América, enfrentando um experiente River Plate, campeão da edição anterior. O cenário era de tensão e euforia: a final em jogo único, em Lima, trazia uma nova roupagem ao torneio.

A importância dessa conquista transcende o troféu. Ela simbolizou a reconstrução do Flamengo como potência no futebol mundial, dentro de um projeto bem estruturado iniciado anos antes. Vencer o atual campeão, que era considerado o time mais consistente da América do Sul nos últimos anos, mostrou que o clube havia retomado seu lugar entre os gigantes do continente. Foi o triunfo da ousadia e da técnica sobre a experiência e a tradição do adversário.

Em campo, o River saiu na frente com Borré aos 14 minutos, e o jogo caminhava para a consagração dos argentinos. Mas nos minutos finais, o improvável aconteceu: aos 44, Arrascaeta cruzou e Gabigol empatou. Três minutos depois, em uma falha da defesa argentina, o artilheiro virou o jogo e selou uma das maiores viradas da história da Libertadores. O Flamengo renascia no cenário sul-americano de forma arrebatadora.

Gabigol foi o grande nome da noite com dois gols históricos. Arrascaeta e Bruno Henrique foram cruciais no ataque. Jorge Jesus, com sua coragem e filosofia ofensiva, foi ovacionado pela torcida. A virada virou símbolo da resiliência rubro-negra e emocionou milhões de torcedores em todo o mundo.

Flamengo 3×2 – Final do Campeonato Brasileiro de 1980

Nunes comemora o gol da vitória do Flamengo diante do Atlético Mineiro na final do Campeonato Brasileiro de 1980
Nunes comemora o gol da vitória do Flamengo diante do Atlético Mineiro na final do Campeonato Brasileiro de 1980 (Imagem: Reprodução)

A final do Campeonato Brasileiro de 1980 foi um marco na história do Flamengo e do futebol brasileiro. Depois de perder o jogo de ida por 1 a 0 para o Atlético-MG no Mineirão, o Rubro-Negro chegou ao Maracanã com uma missão clara: vencer. Graças à sua campanha superior com duas vitórias sobre o Coritiba na semifinal, o Flamengo precisava apenas de uma vitória simples no segundo jogo para levantar seu primeiro título nacional. O Maracanã, abarrotado com mais de 154 mil torcedores, preparou o palco para uma das noites mais épicas do clube.

Logo no início da partida, o Flamengo mostrou que não deixaria escapar essa chance. Aos 7 minutos, Nunes abriu o placar, mas o Atlético-MG respondeu imediatamente, aos 8’,  com Reinaldo, artilheiro e craque do Galo, que empatou o jogo, esfriando o clima no estádio. O duelo já se desenhava como um dos maiores da história do Brasileirão. A torcida sentiu o baque, mas o Rubro-Negro manteve o controle emocional. O time continuou buscando o jogo, e aos 44 minutos do primeiro tempo, Zico chamou a responsabilidade e colocou o Flamengo novamente na frente: 2 a 1.

No segundo tempo, o Atlético voltou pressionando e chegou ao empate aos 21 minutos, de novo com Reinaldo, que demonstrava o porquê de ser um dos grandes nomes do futebol brasileiro. O 2 a 2 levava o título momentaneamente para o Galo, já que o Flamengo precisava vencer. Mas aos 37 minutos, brilhou novamente a estrela de Nunes. O centroavante, oportunista, marcou o gol da vitória por 3 a 2, enlouquecendo a massa rubro-negra no Maracanã.

Com o apito final, o Flamengo conquistava o seu primeiro título brasileiro, coroando uma geração que viria a dominar o futebol na década de 80. Zico, Nunes, Adílio, Raul, Júnior e Leandro se tornavam símbolos de uma nova era. A vitória sobre um dos maiores times da história do Atlético-MG, em uma das maiores finais do Campeonato Brasileiro de todos os tempos, marcou o início da hegemonia rubro-negra e a consolidação do clube como uma potência nacional.

Flamengo 3×0 Liverpool – Final do Mundial Interclubes de 1981

Nunes comemora um de seus gols contra o Liverpool na final do Mundial de Clubes
Nunes comemora um de seus gols contra o Liverpool na final do Mundial de Clubes (Imagem: Marcelo Rezende)

Poucos meses depois de conquistar a América, o Flamengo enfrentou o Liverpool na final do Mundial Interclubes, no Japão. O time inglês, campeão europeu, era considerado favorito por muitos, mas o elenco Rubro-Negro sabia que aquele era o momento para mostrar ao mundo o futebol arte que encantava o Brasil.

Essa vitória é a mais emblemáticas da história do clube, pois confirmou o Flamengo como o melhor time do planeta e ainda aumentou o interesse do mundo pelo futebol brasileiro, que estava em um jejum de conquistas com a Seleção. A atuação foi impecável e o resultado incontestável. O time dominou as ações, controlou o jogo e não deu chances para os ingleses.

Nunes marcou duas vezes, Adílio também fez o dele, com Zico participando dos três gols. O Liverpool, atônito, assistia ao baile carioca no gramado do Estádio Nacional de Tóquio. Essa foi uma das finais com maior disparidade técnica da história dos Mundiais de clubes, surpreendentemente. A partida foi encerrada com aplausos e reverência ao Flamengo, que fizera história.

Zico mais uma vez foi maestro, comandando as ações ofensivas com toques refinados e visão de jogo. Nunes foi o matador implacável, e Adílio completou com classe. A linha defensiva, com Junior, Mozer, Leandro e Raul no gol, garantiu solidez. Foi a coroação definitiva da maior geração do Flamengo.

(Imagem de capa: Reprodução YouTube)