Depois da derrota no clássico contra o Fluminense, o Flamengo reencontrou seu ritmo e sua confiança. Diante do RB Bragantino, neste sábado, no Maracanã, o time de Tite venceu por 3 a 0, recuperou o controle emocional após o tropeço e ainda viu a liderança do Brasileirão ficar mais confortável.
Com os gols de De Arrascaeta, Jorginho e Bruno Henrique, o Rubro-Negro chegou a 74 pontos e abriu quatro de vantagem sobre o Palmeiras, que voltou a escorregar na rodada. O Bragantino, com 45 pontos, permaneceu em oitavo e praticamente deu adeus à briga por vaga direta na Libertadores.
O jogo foi marcado por domínio territorial absoluto do Flamengo, inúmeras finalizações, intensidade ofensiva e algumas falhas defensivas que poderiam ter custado caro. Mas quando o time ajustou a pontaria e manteve a calma, colocou o peso da camisa na balança e resolveu a partida com autoridade.
Primeiro tempo de pressão, volume alto e pontaria baixa
Desde os primeiros minutos, o Flamengo empurrou o RB Bragantino para trás. O time de Filipe Luis posicionou a linha defensiva no meio-campo, sufocou a saída adversária e criou uma série de jogadas pelo lado esquerdo com Everton Cebolinha. O atacante foi responsável pelo primeiro chute certo, mas Cleiton defendeu sem grandes dificuldades. Não foi a única vez em que faltou precisão. O Rubro Negro produziu bastante, mas os lances morriam em erros de último passe ou finalizações fracas.
Aos 14 minutos, o gol quase saiu. Cebolinha chutou de fora da área, Cleiton rebateu curto e Plata quase completou, mas o goleiro conseguiu se recuperar e salvar o lance no reflexo. A pressão não diminuiu. Aos 20, Carrascal arrancou em jogada individual e finalizou de bico, assustando ao mandar a bola na rede pelo lado de fora.
O RB Bragantino, até então completamente retraído, conseguiu sair do sufoco aos poucos. A equipe achou espaços entre as linhas flamenguistas e, aos 26, Gustavo Marques subiu bem após escanteio, exigindo boa defesa de Rossi. A resposta do Flamengo veio de imediato. Arrascaeta recebeu pela direita, cruzou com precisão cirúrgica e Varela cabeceou firme, obrigando Cleiton a fazer sua melhor defesa no primeiro tempo.
A partir daí, a reta final foi de alternância entre pressão e imprecisão. O Flamengo trocava passes no campo ofensivo, abriu o campo com amplitude e circulou bem a bola, mas sempre faltava o detalhe final. O Bragantino chegou esporadicamente, tentando acelerar contra-ataques, mas não teve profundidade. O primeiro tempo terminaria mesmo sem gols, apesar do amplo domínio rubro-negro.
Segundo tempo começa tenso, mas o Flamengo assume o controle
Se o primeiro tempo foi de produção sem eficiência, o segundo começou totalmente diferente. Logo aos 2 minutos, o Bragantino quase abriu o placar. Após erro da defesa do Flamengo, Danilo desviou contra o próprio gol e Rossi precisou se esticar no limite para evitar o desastre.
O susto acordou o Flamengo. E o castigo para o Bragantino veio rápido. Aos 5 minutos, Jorginho pressionou a saída adversária, roubou a bola e serviu Arrascaeta. O uruguaio dominou dentro da área, cortou a marcação e bateu cruzado de esquerda, firme, sem defesa para Cleiton. Um gol típico do camisa 10: visão, calma e técnica.
O Flamengo relaxou e passou a jogar com mais liberdade. Aos 19, o jogo ganhou um respiro ainda maior. Hurtado colocou a mão na bola dentro da área, e o árbitro marcou pênalti sem hesitar. Jorginho assumiu a responsabilidade e deslocou o goleiro com categoria. Bola de um lado, Cleiton do outro, 2 a 0 no placar e um Maracanã mais leve.
Com a vantagem construída, o Flamengo diminuiu o ritmo. O Bragantino poderia ter crescido, mas faltou profundidade. A equipe até trocou passes, tentou envolver a defesa rubro-negra, mas não criou chances efetivas. Do outro lado, o Flamengo explorou transições rápidas e aproveitou os espaços que o adversário deixou ao subir suas linhas.
Aos 26 minutos, Arrascaeta fez mais uma jogada típica de sua genialidade. Achou Bruno Henrique se infiltrando na área, livre de marcação. O camisa 27 dominou e soltou uma pancada indefensável, ampliando o placar para 3 a 0 e praticamente decretando a vitória.
A partir daí, a partida ficou administrável para o Flamengo. O Bragantino teve mais posse, mas sem perigo real. O Rubro-Negro, ao contrário, parecia mais perto do quarto gol do que o adversário de reagir. Samuel Lino e Bruno Henrique ainda criaram boas oportunidades em contra-ataques, mas o placar permaneceu inalterado até o apito final.
(Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)