Flamengo e Cruzeiro estão prestes a reeditar um confronto que marcou a Libertadores de 2018. Oito anos depois, as equipes voltam a se encontrar nas oitavas de final da competição continental, mas muita coisa mudou desde aquele duelo. Em 2018, Arrascaeta ainda vestia azul, Lucas Paquetá era uma das principais promessas do Flamengo e os dois clubes viviam momentos completamente diferentes dos atuais.
Naquela edição, a Raposa levou a melhor no confronto de ida e volta e avançou às quartas de final com uma vitória por 2 a 0 no Maracanã e uma derrota por 1 a 0 no Mineirão. Agora, em 2026, os caminhos das duas equipes voltam a se cruzar no mata-mata da Libertadores. Antes de olhar para o novo duelo, porém, vale voltar no tempo e lembrar como eram aqueles dois times.
Arrascaeta ainda vestia azul, e Cruzeiro chegava embalado ao Maracanã

O primeiro confronto aconteceu em 8 de agosto de 2018, no Maracanã. O Cruzeiro de Mano Menezes chegava ao mata-mata depois de uma fase de grupos consistente e carregava também a confiança de quem havia conquistado a Copa do Brasil no ano anterior. A equipe mineira havia derrotado justamente o Flamengo na decisão de 2017, nos pênaltis, com Arrascaeta marcando no jogo de ida.
O uruguaio era um dos grandes nomes daquele Cruzeiro e voltou a ser decisivo diante do Flamengo um ano depois. No Maracanã, o camisa 10 aproveitou uma falha da defesa rubro-negra para receber livre dentro da área e abrir o placar. Com tempo para escolher o canto, bateu na saída de Diego Alves e silenciou os 40 mil rubro-negros presentes no estádio.
Do outro lado, o Flamengo de Maurício Barbieri tinha uma equipe bastante diferente daquela que se tornou conhecida nos anos seguintes. Diego Alves era o goleiro, enquanto a defesa tinha nomes como Rodinei, Réver, Léo Duarte e Renê. No meio-campo, Lucas Paquetá era uma das referências técnicas, mas não estava em campo naquela noite por suspensão.
O ataque também sofreu com ausências importantes. Vinícius Júnior já havia sido vendido ao Real Madrid e Paolo Guerrero havia encerrado seu contrato com o clube poucos dias antes. Na tentativa de substituir o peruano, Barbieri apostou no colombiano Fernando Uribe como referência ofensiva.
Mesmo dentro de casa, o Flamengo encontrou muitas dificuldades para furar a organização do Cruzeiro. A equipe mineira soube controlar os espaços, diminuir o ritmo quando necessário e explorar os erros adversários. No segundo tempo, a vantagem aumentou.
Aos 35 minutos, Lucas Silva arriscou de fora da área e Thiago Neves desviou a trajetória da bola. Diego Alves não conseguiu reagir e viu o Cruzeiro abrir 2 a 0 no Maracanã.
Era uma atuação que simbolizava bem aquela Raposa: experiente, organizada e extremamente eficiente em momentos decisivos.
No Mineirão, Flamengo reage, mas para em um gol

Precisando de uma reação praticamente perfeita para reverter a situação, o Flamengo chegou ao Mineirão duas semanas depois com uma missão complicada. Barbieri tinha Lucas Paquetá de volta e mudou a estrutura ofensiva. Depois de utilizar Uribe no primeiro jogo, o treinador optou por Vitinho como homem mais adiantado, buscando dificultar a marcação do Cruzeiro com movimentações constantes.
A estratégia funcionou em alguns momentos. O Flamengo conseguiu controlar mais a posse de bola e avançar com frequência até o campo ofensivo, mas faltava transformar o domínio territorial em chances claras.
Paquetá chegou a balançar as redes, mas o gol foi anulado por impedimento. Enquanto o Flamengo tentava encontrar espaços, o Cruzeiro se defendia e procurava os contra-ataques. Em uma dessas oportunidades, Barcos recebeu de Arrascaeta dentro da área e desperdiçou uma chance inacreditável de praticamente matar o confronto.
O Flamengo voltou mais agressivo no segundo tempo e finalmente conseguiu diminuir a diferença aos 24 minutos. Everton Ribeiro levantou a bola na área e encontrou Léo Duarte. O zagueiro, que vivia sua terceira temporada pelo clube, ganhou pelo alto e cabeceou para as redes.
O gol recolocou o Flamengo no confronto. Bastava mais um para levar a decisão para os pênaltis.
A equipe rubro-negra continuou pressionando e Diego Alves ainda precisou aparecer para evitar que Thiago Neves marcasse novamente. O goleiro fez uma defesa importante e manteve o Flamengo vivo até os minutos finais.
O problema é que o segundo gol não saiu. O Flamengo venceu por 1 a 0, mas o resultado não foi suficiente. Com o placar agregado de 2 a 1, o Cruzeiro avançou às quartas de final da Libertadores.
Oito anos depois, quase tudo mudou
Aquele confronto deixou marcas nos dois lados. Para o Cruzeiro, representou a continuidade de uma equipe que vinha acumulando conquistas e que ainda tinha nomes como Fábio, Dedé, Thiago Neves, Lucas Silva e Arrascaeta entre seus principais jogadores.
Para o Flamengo, a eliminação aconteceu em um momento de transição. Paquetá ainda era um dos principais talentos do elenco, enquanto nomes que posteriormente se tornariam protagonistas do clube ainda estavam longe de vestir o Manto Sagrado.
Arrascaeta, por sua vez, estava do outro lado. O uruguaio só chegaria ao Flamengo meses depois, em janeiro de 2019, iniciando uma história que o transformaria em um dos maiores ídolos da geração mais vitoriosa da história rubro-negra.
Entre os personagens daquele confronto, há também uma conexão curiosa com o reencontro de 2026. Lucas Paquetá, que ficou fora do primeiro jogo em 2018 e participou da eliminação no Mineirão, agora está novamente no Flamengo e terá pela frente um velho conhecido: Gerson.
O meio-campista, hoje jogador do Cruzeiro, foi companheiro de Paquetá na Seleção Brasileira e construiu uma relação de amizade com o jogador. Dentro de campo, entretanto, a parceria ficará de lado.
“Eu estaria mentindo se dissesse que não penso nesse jogo. Realmente é algo especial para mim, porque foi uma eliminação bastante triste. É um jogo especial para mim e espero poder levar a melhor dessa vez, que o Flamengo vença, que a gente passe.
Gerson é um grande amigo meu, é um cara que foi ídolo aqui no Flamengo, hoje defende outras cores, mas dentro de campo é ele de um lado e eu do outro, defendendo o Flamengo. Espero que eu possa vencer”, afirmou Paquetá.
O reencontro, portanto, carrega muito mais do que a disputa por uma vaga nas quartas de final. Em 2018, o Cruzeiro de Arrascaeta levou a melhor sobre o Flamengo de Paquetá. Em 2026, os dois clubes voltam a medir forças, mas com protagonistas, elencos e momentos completamente diferentes.
A primeira partida das oitavas de final será disputada nesta quarta-feira (12), às 21h30 (horário de Brasília), no Mineirão. O jogo da volta está marcado para 19 de agosto, no mesmo horário, no Maracanã.
Após os dois confrontos pela Libertadores, Flamengo e Cruzeiro voltam a se enfrentar pelo Brasileirão. O duelo está marcado para 22 de agosto, às 20h30, novamente no Mineirão.
Créditos da foto de capa: Douglas Magno/AFP via Getty Images.


