A lesão no joelho de Lucho Acosta caiu como uma bomba no Fluminense. Em um momento importante da temporada, entre Campeonato Brasileiro e Libertadores, o meia argentino deve ficar cerca de um mês fora, após sofrer uma torção no clássico contra o Flamengo e deixar o campo ainda no primeiro tempo, com o joelho imobilizado.
A ausência não representa apenas a perda de um titular, é a retirada do principal articulador ofensivo da equipe de Luis Zubeldía, que agora terá a missão de reorganizar o time sem sua peça mais criativa.
A importância de Acosta no funcionamento do Fluminense
Desde sua chegada ao clube em 2025, Lucho Acosta rapidamente se tornou o cérebro do meio-campo tricolor. Atuando como meia-atacante, é o jogador responsável por conectar os setores, acelerar a circulação da bola e criar superioridade numérica entre linhas. Não por acaso, sob o comando de Zubeldía, ele virou peça-chave no novo modelo tático da equipe.
Acosta oferece algo raro no futebol brasileiro atual: imprevisibilidade. Com drible curto, visão de jogo refinada e capacidade de decisão no último terço, ele é quem dita o ritmo ofensivo do Fluminense. Sua influência vai além de números, ele organiza o time em campo.
Além disso, o argentino tem sido determinante em jogos grandes, participando diretamente de gols com assistências e infiltrações, como já demonstrado em partidas recentes. Sua ausência, portanto, não é apenas técnica, mas também estratégica: o Fluminense perde sua principal referência criativa.
E há um fator ainda mais preocupante: o momento da lesão. O calendário apertado, pré-Copa do Mundo, exige respostas rápidas, e Luis Zubeldía terá pouco tempo para ajustar o time sem seu principal armador.
Como Zubeldía pode reorganizar o time sem seu principal articulador

A primeira alternativa testada foi imediata: Paulo Henrique Ganso entrou no lugar de Acosta ainda no clássico. No entanto, sua atuação não foi convincente, evidenciando uma diferença clara de dinâmica, enquanto Acosta acelera o jogo, Ganso tende a cadenciar, o que pode tornar o time mais previsível.
Outra opção que ganha força é Jefferson Savarino. O venezuelano entrou bem na mesma partida, marcou gol e trouxe mais mobilidade ao setor ofensivo. Diferente de Ganso, Savarino oferece velocidade, ataque ao espaço e intensidade, características que podem ajudar a compensar a ausência de Acosta, ainda que com outra proposta de jogo.
Zubeldía também pode optar por uma mudança estrutural mais profunda. Sem um “camisa 10” clássico, o treinador pode reforçar o meio-campo com mais intensidade e dividir a responsabilidade de criação entre dois ou três jogadores. Isso pode significar um time mais físico, menos dependente de um único articulador, mas também menos criativo. Nesta configuração, Alisson ganha força.
E há ainda a alternativa de recuar um jogador de maior mobilidade para a função de construção, criando uma espécie de “falso 10”. Essa solução exige adaptação, mas pode trazer surpresa aos adversários. Essa opção pode abrir espaço para o contestado Soteldo no time titular.
O momento é o pior possível
A previsão de cerca de um mês fora não parece longa à primeira vista, mas no futebol brasileiro, especialmente com calendário congestionado, esse período pode ser decisivo. O Fluminense terá compromissos importantes, incluindo jogos de Libertadores que podem definir a classificação no grupo.
Sem Acosta, o time perde fluidez, criatividade e capacidade de decisão no último passe. Mais do que substituir o jogador, Zubeldía precisará reinventar a forma como o Fluminense agride seus adversários.
Por outro lado, a ausência também pode representar uma oportunidade. Jogadores como Savarino podem ganhar protagonismo, enquanto o treinador testa novas variações táticas que podem enriquecer o repertório da equipe a longo prazo.
No fim das contas, o período sem Lucho Acosta será um teste de maturidade para o Fluminense. Se conseguir sobreviver, e até evoluir, sem seu principal articulador, o time pode sair mais forte. Caso contrário, a lesão do argentino pode ser lembrada como o ponto de inflexão de uma temporada promissora.
(Imagem de capa: Thiago Ribeiro/AGIF)