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Fluminense se recupera, mas ainda joga mal, enquanto Internacional evolui e não consegue resultados; confira as impressões do jogo

Fluminense virou sobre o Internacional por 2 a 1, no Maracanã, pela 33ª rodada do Brasileirão, em uma partida que reuniu alívio para os tricolores e frustração para os colorados. Depois de uma atuação pouco convincente durante boa parte do confronto e de sair atrás logo no início do segundo tempo, o time de Marcão encontrou forças para reagir nos minutos finais, com Hércules e Lucho Acosta, e conquistou três pontos importantes na luta por uma vaga no G-4. Para o Inter, porém, a derrota teve consequências ainda mais preocupantes: além de desperdiçar oportunidades para ampliar a vantagem, a equipe gaúcha voltou a sofrer um gol decisivo nos acréscimos e terminou a noite ameaçada pela zona de rebaixamento.

O resultado levou o Fluminense aos 54 pontos, na quinta colocação, e manteve o clube na disputa pelas primeiras posições. A vitória, entretanto, não elimina as dúvidas sobre o trabalho de Marcão, que viu sua equipe repetir dificuldades ofensivas e defensivas já demonstradas em compromissos recentes. Do outro lado, o Internacional permaneceu com 35 pontos, apenas um acima do Grêmio, primeiro time dentro do Z-4, e passou a depender de resultados paralelos para não terminar a rodada entre os últimos colocados.

O placar também foi influenciado por decisões de arbitragem contestadas pelos colorados, especialmente um possível pênalti em Ronaldo e a ausência de um segundo cartão amarelo para Renê. Ainda assim, os lances polêmicos não explicam sozinhos a derrota gaúcha. O Inter teve chances claras para construir uma vantagem maior, mas falhou nas conclusões e permitiu que o Fluminense recuperasse o controle emocional da partida quando o empate parecia improvável.

O Fluminense voltou a apresentar problemas que a virada não consegue esconder

A escalação escolhida por Marcão indicava a intenção de recuperar a estrutura utilizada nos últimos jogos, com os retornos de Thiago Silva, Canobbio e Savarino. Na prática, porém, a formação titular voltou a demonstrar dificuldades para transformar posse de bola em oportunidades claras. O Fluminense circulava a bola no campo ofensivo, mas encontrava problemas para acelerar as jogadas, superar a marcação adversária e ocupar a área com eficiência.

O primeiro tempo foi especialmente frustrante porque a equipe parecia acreditar que o gol surgiria naturalmente, mesmo sem construir uma pressão consistente sobre a defesa colorada. O meio-campo, com Nonato e Hércules, tentou assumir a responsabilidade pela criação e encontrou algumas alternativas para avançar, mas o setor ofensivo não conseguiu corresponder. Ganso teve uma atuação apagada, enquanto Canobbio, Hulk e Savarino pouco produziram para ameaçar o gol adversário.

Hércules acabou sendo a principal alternativa ofensiva do Fluminense antes do intervalo. Com capacidade para aparecer de trás e arriscar de média distância, o volante tentou quebrar a resistência do Inter, mas não encontrou o caminho para marcar. A dificuldade do time, portanto, não estava apenas na falta de finalizações, mas também na ausência de movimentos capazes de desorganizar a defesa rival e criar situações mais favoráveis para os atacantes.

O cenário se tornava ainda mais preocupante porque o Fluminense não conseguia compensar a baixa produção ofensiva com segurança defensiva. Erros de passe no meio-campo abriram espaço para os contra-ataques do Internacional, que encontrou oportunidades para avançar e finalizar contra Fábio. A equipe tricolor assumia riscos na circulação da bola sem conseguir manter o adversário longe de sua área, combinação que tornou o primeiro tempo equilibrado e expôs a fragilidade do plano inicial.

A situação piorou logo depois do intervalo. Antes de completar dois minutos da etapa final, Hulk errou um domínio no meio-campo e permitiu que o Inter recuperasse a bola e acelerasse o contra-ataque que terminou no gol de Alan Patrick. O erro individual foi decisivo, mas também evidenciou um problema coletivo: o Fluminense não estava suficientemente protegido para reagir a uma perda de posse em uma região perigosa.

A partir daquele momento, a equipe precisou abandonar parte da postura cautelosa e buscar o resultado com mais urgência. A reação veio, mas a necessidade de recorrer a mudanças no decorrer do segundo tempo reforçou as dúvidas sobre a escolha dos titulares e sobre a capacidade de Marcão de preparar a equipe para enfrentar adversários que conseguem bloquear sua circulação de bola.

As substituições mudaram a dinâmica e deram protagonismo a Hércules e Lucho Acosta

Marcão demorou a modificar a equipe, mas as alterações tiveram influência direta no desfecho. Com a entrada de Lucho Acosta, Castillo, Serna e Wesley Natã, o Fluminense ganhou novas opções de movimentação, aumentou a presença no campo ofensivo e passou a pressionar o Internacional com mais frequência. A equipe deixou de depender exclusivamente da circulação lateral e começou a encontrar jogadores capazes de acelerar as ações perto da área.

Lucho Acosta foi particularmente importante porque mostrou impacto desde o primeiro toque na bola. O meia entrou com disposição para participar da construção e encontrou espaços que os titulares não haviam conseguido explorar. Sua presença ajudou a aproximar os setores e deu ao Fluminense uma alternativa para romper as linhas defensivas do Inter, que até então administrava a vantagem sem sofrer pressão constante.

Hércules, por sua vez, confirmou a importância que vinha adquirindo na equipe. Depois de tentar finalizações durante o primeiro tempo, o volante voltou a aparecer na entrada da área e encontrou o gol de empate na reta final. A jogada nasceu de uma cobrança de falta de Renê, que Villagra tentou afastar antes de a bola sobrar para o meio-campista finalizar de fora da área.

O gol mudou o ambiente do Maracanã e alterou o comportamento das duas equipes. O Fluminense passou a acreditar na possibilidade da virada, enquanto o Internacional demonstrou dificuldade para reorganizar a defesa e recuperar a posse de bola. O empate também reforçou a impressão de que o time tricolor tinha mais recursos ofensivos disponíveis no banco do que aqueles apresentados desde o início da partida.

A entrada de Acosta, no entanto, não é apenas como uma solução pontual para uma noite difícil. O desempenho do meia abre uma discussão sobre sua utilização entre os titulares, especialmente porque o Fluminense precisa encontrar mais criatividade e capacidade de infiltração diante de adversários que priorizam a proteção da própria área. Se o jogador consegue alterar o ritmo da equipe em poucos minutos, Marcão terá de avaliar como aproveitar essas características desde o início sem comprometer o equilíbrio do meio-campo.

A virada foi construída justamente quando o Fluminense conseguiu combinar a energia das substituições com a insistência de jogadores que já estavam em campo. Aos 51 minutos, nos acréscimos, Guga cruzou para a área, Castillo apareceu para desviar e Kauan Jesus defendeu parcialmente. No rebote, Lucho Acosta aproveitou a oportunidade e marcou o gol que transformou uma atuação preocupante em uma vitória de enorme valor para a classificação.

O desfecho premiou a insistência tricolor, mas também expôs a dificuldade da equipe para controlar a partida durante os 90 minutos. Marcão ganhou tempo e alívio com os três pontos, embora tenha saído do Maracanã com uma questão importante para resolver: como fazer a equipe apresentar desde o início o dinamismo que demonstrou depois das substituições.

O Internacional teve a vitória nas mãos, mas desperdiçou oportunidades decisivas

A atuação colorada foi marcada por uma contradição. Durante boa parte do confronto, o Internacional conseguiu neutralizar o ataque do Fluminense e encontrou oportunidades para ameaçar Fábio, mas não teve eficiência suficiente para construir uma vantagem que lhe permitisse administrar os minutos finais com tranquilidade. A equipe de Eduardo Baptista mostrou organização defensiva e aproveitou erros do adversário, porém falhou justamente nas situações que poderiam ter encaminhado o resultado.

A manutenção da escalação inicial foi uma surpresa, mas o Inter conseguiu competir no primeiro tempo sem sofrer grandes sustos. Mesmo com pouca produção ofensiva, a equipe encontrou espaços nos contra-ataques e aproveitou os erros de passe do Fluminense para avançar. A entrada de Vitinho no intervalo tornou a estratégia mais efetiva: logo no primeiro minuto da etapa final, o atacante participou da jogada que terminou no gol de Alan Patrick.

Com a vantagem, o Internacional recuou e procurou proteger a área, mantendo o Fluminense distante das oportunidades mais perigosas. A estratégia funcionou durante vários minutos, especialmente porque Ganso e Hulk tiveram dificuldades para participar das ações ofensivas e acabaram substituídos sob vaias. O problema foi que o Inter não conseguiu transformar os espaços disponíveis em um segundo gol, que poderia ter praticamente encerrado a partida.

Vitinho desperdiçou oportunidades, e Alerrandro teve a chance mais clara para ampliar. Aos 36 minutos, Aguirre superou Arana pelo lado direito e cruzou para o centroavante, que estava em ótima posição dentro da pequena área. Em vez de direcionar a bola para o gol, Alerrandro cabeceou para fora e desperdiçou uma oportunidade que poderia ter colocado o Inter em vantagem de dois gols.

O lance foi especialmente doloroso para os colorados porque aconteceu pouco depois do empate tricolor. Com o placar igualado, o Inter ainda tinha condições de recuperar a vantagem e deixar o Maracanã com um resultado fundamental para sua luta contra o rebaixamento. A falha de Alerrandro, contudo, manteve o Fluminense vivo e abriu espaço para que a pressão dos minutos finais se transformasse em uma virada.

A derrota não deve ser atribuída exclusivamente ao centroavante. O Internacional teve outras oportunidades para ampliar, mas não conseguiu aproveitar os momentos em que o adversário ofereceu espaços. Em uma situação de tabela tão delicada, a falta de eficiência torna-se ainda mais grave porque cada chance desperdiçada pode representar a diferença entre conquistar pontos importantes e terminar a rodada dentro da zona de rebaixamento.

O Inter demonstrou capacidade para competir fora de casa, mas precisa aprender a transformar essa organização em resultados. Não basta defender bem durante boa parte do confronto quando o time não consegue aproveitar as oportunidades para ampliar a vantagem. Contra o Fluminense, a equipe esteve perto de conquistar uma vitória que poderia aliviar a pressão, mas deixou o adversário crescer e acabou castigada no último lance.

A lembrança de 2023 tornou a derrota ainda mais dolorosa para o Inter

O desfecho no Maracanã inevitavelmente reavivou a memória da eliminação do Internacional para o Fluminense na semifinal da Libertadores de 2023. Naquela ocasião, o time gaúcho também teve oportunidades para ampliar sua vantagem, mas viu o adversário reagir e marcar gols decisivos na reta final. A semelhança entre os episódios aumentou a frustração colorada, sobretudo porque o contexto atual torna cada resultado ainda mais importante.

A comparação apareceu primeiro na chance desperdiçada por Alerrandro. O cabeceio para fora lembrou o erro de Enner Valencia naquela semifinal, quando o atacante também teve uma oportunidade clara para marcar e não conseguiu acertar o alvo. A semelhança não está apenas no gesto técnico, mas no peso do lance: em ambas as situações, o Internacional poderia ter aproveitado uma oportunidade para mudar o rumo do confronto.

A sequência dos gols também alimentou a lembrança. Em 2023, John Kennedy marcou o empate aos 35 minutos do segundo tempo, e Germán Cano virou o placar pouco depois. Desta vez, Hércules empatou aos 33 minutos, e Lucho Acosta marcou o gol da vitória aos 51, nos acréscimos. Embora os jogos tenham ocorrido em contextos muito diferentes, a repetição de uma reação tardia do Fluminense tornou a derrota especialmente amarga para os torcedores colorados.

A diferença é que, agora, o Inter não luta por uma vaga na final continental, mas para permanecer na Série A. O impacto da derrota pode ser ainda mais imediato, pois a equipe corre o risco de terminar a rodada na zona de rebaixamento e terá de reagir rapidamente para evitar que a pressão aumente nas próximas partidas.

Com 35 pontos, o Internacional ocupa a 16ª posição, apenas um ponto à frente do Grêmio, que aparece em 17º, e dois acima do Corinthians, em 18º. Como os concorrentes ainda entram em campo na rodada, o clube gaúcho precisa acompanhar os resultados e pode voltar ao Z-4 caso os rivais vençam. O cenário torna o próximo compromisso, contra o Coritiba, no Beira-Rio, praticamente decisivo para as pretensões da equipe.

O Fluminense ganhou fôlego, enquanto o Inter perdeu margem para errar

A vitória levou o Fluminense aos 54 pontos e manteve o time na quinta colocação, em condições de continuar perseguindo o G-4. O resultado tem valor especialmente porque foi conquistado em uma noite na qual a equipe esteve perto de sair de campo com mais uma atuação frustrante. A capacidade de reagir nos minutos finais pode fortalecer o grupo, mas o desempenho também exige uma avaliação cuidadosa de Marcão.

O treinador precisa encontrar uma maneira de reduzir a dependência das mudanças durante as partidas. Contra o Internacional, os titulares tiveram dificuldades para criar oportunidades e ainda cometeram erros que permitiram ao adversário assumir a vantagem. As entradas de Lucho Acosta e dos demais reservas alteraram o ritmo, mas não é sustentável depender de uma reação tardia em todos os jogos decisivos.

A situação do Inter é mais urgente. A equipe mostrou que pode ser competitiva fora de casa, mas a derrota evidenciou que organização defensiva e entrega não bastam quando as chances de ampliar são desperdiçadas e a concentração diminui nos minutos finais. A proximidade do Z-4 reduz a margem para novas falhas, especialmente porque os concorrentes diretos também disputam pontos importantes nesta reta final.

O confronto deixa duas lições distintas. Para o Fluminense, a virada demonstra capacidade de insistência, mas não elimina os problemas de construção ofensiva, proteção defensiva e escolha da formação titular. Para o Internacional, a derrota evidencia o custo de não aproveitar as oportunidades e de permitir que um adversário aparentemente controlado volte a acreditar no resultado.

O Maracanã terminou a noite com o alívio dos tricolores e a indignação dos colorados, mas o placar não deve esconder o que cada equipe precisa corrigir. O Fluminense conquistou três pontos fundamentais para seguir na disputa pelas primeiras posições, enquanto o Inter saiu sem nada de uma partida na qual teve condições de vencer. Na reta final do Brasileirão, a diferença entre esses cenários está na eficiência para aproveitar as chances, administrar a vantagem e manter a concentração até o último minuto.

(Foto: Thiago Ribeiro/AGIF)