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Fluminense reafirma mau momento diante do Operário e mostra que vitória sobre o Santos foi exceção

O início de temporada do Fluminense empolgou. Com ideias bem definidas e um time que parecia entender exatamente o que fazer em campo, o trabalho de Zubeldía rapidamente ganhou aprovação. Havia organização, intensidade e, principalmente, um padrão de jogo que fazia o torcedor acreditar que 2026 poderia ser um ano competitivo. Só que o futebol, como sempre, não costuma respeitar roteiros muito lineares e o momento atual do Tricolor é a prova disso.

A queda de rendimento não aconteceu do nada, mas teve um ponto de virada claro: a derrota para o Flamengo. Não foi só mais um tropeço da temporada. Todo o contexto que envolveu o clássico, incluindo a polêmica alteração de data por conta da logística rubro-negra na Libertadores, parece ter mexido com o ambiente. Desde então, o Fluminense perdeu algo que antes era sua principal virtude: a confiança.

A equipe que antes se mostrava segura passou a oscilar dentro dos próprios jogos. A saída de bola já não tem a mesma fluidez, o meio-campo encontra mais dificuldade para controlar o ritmo e o ataque, que antes criava com naturalidade, hoje depende muito mais de jogadas isoladas. E quando o coletivo não funciona, os problemas individuais ficam ainda mais expostos.

Lesões e desorganização aumentam o problema do Fluminense

Como se a queda técnica já não fosse suficiente, o Fluminense ainda tem lidado com problemas físicos importantes. A lesão de Lucho Acosta no clássico contra o Flamengo tirou do time uma peça fundamental na articulação ofensiva, simplesmente a mente pensante do elenco. Não é exagero dizer que ele o principal jogador que dava identidade ao setor criativo.

E a situação piorou no confronto contra o Operário, pela Copa do Brasil. Martinelli, outro nome importante na dinâmica do meio-campo, saiu lesionado, aumentando ainda mais a dor de cabeça para Zubeldía. Perder dois jogadores relevantes em um curto espaço de tempo afeta qualquer equipe, ainda mais uma que já vinha em processo de queda.

Mas, apesar das dificuldades, o Fluminense conseguiu, no meio desse cenário turbulento, uma vitória que reacendeu uma pontinha de esperança: o triunfo sobre o Santos, na Vila Belmiro, de virada. Foi um resultado grande, daqueles que costumam mudar o rumo de uma temporada. Ou pelo menos era o que se esperava.

O problema é que, olhando com mais calma, aquele jogo parece cada vez mais um ponto fora da curva.

Atuação do Fluminense contra o Operário liga sinal de alerta

John Kennedy Fluminense
Foto: GUILHERME DIONÍZIO/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO

 

Se a vitória sobre o Santos trouxe alívio, a atuação diante do Operário tratou de esfriar qualquer empolgação. Jogando no Paraná, o Fluminense apresentou pouco repertório, teve dificuldades para impor seu jogo e, em vários momentos, pareceu um time desconectado. Dá para colocar na ponta do lápis o fato de não estar com o time completo, mas existem certos jogos que precisam apresentar pelo menos domínio, o que não ocorreu.

Faltou intensidade, faltou criatividade e, principalmente, faltou consistência. O time não conseguiu transformar posse de bola em chances claras e ainda ofereceu espaços que poderiam ter custado caro. Foi uma atuação que escancarou os problemas que já vinham aparecendo nas últimas partidas.

E aí entra um ponto importante: quando um time alterna entre uma grande vitória e uma atuação tão abaixo logo na sequência, o sinal de alerta deixa de ser amarelo e passa a ser quase vermelho. Porque mostra que não há regularidade e sem regularidade, é impossível brigar por coisas maiores na temporada.

A impressão que fica é que o Fluminense ainda está tentando se reencontrar após o baque sofrido no clássico contra o Flamengo. Só que o calendário não espera, e a sequência de jogos vai continuar cobrando respostas rápidas.

Zubeldía, que começou o ano sendo bastante elogiado, agora se vê pressionado a encontrar soluções. Seja ajustando o sistema, seja encontrando alternativas dentro do elenco, o fato é que o time precisa reagir e rápido. Porque no futebol brasileiro, especialmente em competições como o Brasileirão e a Copa do Brasil, oscilar demais costuma custar caro.

No fim das contas, a vitória sobre o Santos serviu mais como um respiro do que como um ponto de virada. E enquanto o Fluminense não recuperar sua consistência, ela vai seguir sendo tratada como exceção, não como regra.

FOTO: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE F.C.